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Benjamim de Maré Cheia em Paredes de Coura | Reportagem Completa
Benjamim a solo | mais fotos clicar aqui
Luís Nunes outrora conhecido artisticamente como Walter Benjamin, agora somente por Benjamim, regressou ao Alto Minho na passada sexta-feira, 28 de fevereiro depois de uma esplêndida passagem pelo Vodafone Paredes de Coura, em formato banda, no verão passado. Agora veio sozinho, apenas acompanhado pelos seus instrumentos, para uma atuação no Centro Cultural da vila minhota.
O silêncio tomou conta do auditório. No escuro, o piano esperava. Maré cheia que avançou sem pedir licença, "As Berlengas" abriu caminho. A primeira nota ecoou e trouxe consigo o azul profundo que envolveu o palco. Benjamim deixou-se ir, e com ele, levou-nos a todos.
A voz não cantava apenas, trazia memórias, paisagens, histórias sussurradas ao ouvido de quem estivesse disposto a ouvir. O piano era ora brisa leve, ora tempestade contida, e a cada acorde, sentia-se a viagem que se desenhava entre as suas mãos. O público absorveu cada nota e deixou-se levar pelo peso e pela leveza das melodias que entoavam a ilha. Expressão de corpo e textura presente, que respirava no espaço e nos atravessava por inteiro.
Benjamim ao piano | mais fotos clicar aqui
Depois, a guitarra. Como um virar de página, um novo capítulo. A luz aqueceu e a cortina de fundo vermelho ardeu. O compasso crescia, a voz subia, e as cordas vibravam com a intensidade de quem carregava algo por dizer. A moldar o tempo e a transformar as canções em lugares, deixou memórias cravadas como ecos de quem sempre esteve em viagem.
A narrativa não foi apenas um alinhamento de temas, conduziu uma viagem que passava pelo íntimo e pelo eufórico, pelo contemplativo e pelo irreprimível. O público acompanhava cada palavra com o olhar, com o corpo, com a respiração sincronizada na cadência de quem vive uma experiência maior do que a soma das suas partes.
Luis Nunes como Benjamim sempre expressivo | mais fotos clicar aqui
O tempo voltou a suspender-se. Um tema que não é só dele, mas de todos. "Auto Rádio" é de quem o ouve na estrada, nas madrugadas de silêncio, no calor de um verão esquecido. Não envelhece – ecoa no tempo e renasce em quem cresce.
A música ficou suspensa no ar, como espuma que teima em não se dissipar. Benjamim levantou-se, olhou para a sala, sorriu. A despedida não teve pressa, porque nada daquilo precisava de pressa. O último acorde ainda ressoava quando as portas se abriram, e o público saiu devagar, como quem carrega consigo um segredo bonito que não pode ser explicado.
Benjamim não deu um concerto. Somou uma maré cheia de melodia e emoção. E deixou-nos a boiar nela.
Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui
Visão periférica do Centro Cultural esgotado. | mais fotos clicar aqui
Fotografia: Ricardo Costa @ ricardojosecosta (Instagram)
Texto: Ricardo Costa