Amou daquela vez como se fosse a Ășltima
Beijou sua mulher como se fosse a Ășltima
E cada filho seu como se fosse o Ășnico
E atravessou a rua com seu passo tĂmido
Subiu a construção como se fosse måquina
Ergueu no patamar quatro paredes sĂłlidas
Tijolo com tijolo num desenho mĂĄgico
Seus olhos embotados de cimento e lĂĄgrima
Sentou pra descansar como se fosse sĂĄbado
Comeu feijĂŁo com arroz como se fosse um prĂncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um nåufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse mĂșsica
E tropeçou no cĂ©u como se fosse um bĂȘbado
E flutuou no ar como se fosse um pĂĄssaro
E se acabou no chĂŁo feito um pacote flĂĄcido
Agonizou no meio do passeio pĂșblico
Morreu na contramĂŁo atrapalhando o trĂĄfego
- Chico Buarque, "Construção"












