(flashback, april 1978) can we both say the words and forget this? / catchfield
Desde os acontecimentos do festival dos fundadores, Greta já não fugia mais de Johnny da mesma forma de antes. A questão era que fazia tempo que ela já não sentia raiva dele ou estava magoada com o acontecimento do ano anterior, mas desde o baile, quando ela tinha se deixado levar pela atmosfera que a dança e ele cantando em seu ouvido aquela música desconhecida por ela, mas que fazia tanto sentido para os dois naquele momento, ela fugia do que sentia por ele. Ver o lufano de longe já era o suficiente para que um frio em sua barriga existisse e ela não soubesse como agir.
Catchlove nunca havia conseguido ser carinhosa com as pessoas que ela gostava, sempre reclamava das conversas infinitas de Amber e Mina, jogava livros em Ben e Jaime. Mas ela sempre nutriu sentimentos bons por eles, sempre quis mante-los por perto, só nunca soube como demonstrar isso. E o que ela sentia por Mayfield era algo desconhecido por ela, algo que ela só havia sentido uma vez e que nem era com toda aquela intensidade. Não era só o fato de acha-lo bonito e gostar de observar de longe, era toda a ideia do que ele fazia ela sentir quando estava por perto, todas as sensações desconhecidas que tomavam conta dela e que ela não sabia lidar. Era mais simples esconder o rosto com um livro, evita-lo nos corredores e nas aulas, tentar espanta-lo antes que aquilo fosse tarde demais. Ela não sabia como era amar alguém, aquilo lhe assustava demais.
E então veio o festival e com ele veio o medo de morrer sem ter feito certas coisas, sem ter dado mais uma chance pra ele, sem ter se arriscado mais uma vez. E junto veio o medo de que algo ruim tivesse acontecido com ele, que talvez ela nunca mais o visse e ela só conseguiu se sentir melhor quando finalmente o encontrou na biblioteca. Aquela tinha sido uma abertura e tanto, mesmo que ela não soubesse se quer como perguntar como ele estava lidando com tudo, se ele havia se machucado ou algo assim. Se tinha algo que ela era péssima, era naquilo. Sentimentos não era algo fácil de lidar.
Naquela manhã, na aula de história de magia, professor Binns havia decidido passar um trabalho em dupla e por um milagre deixado que os alunos escolhessem suas duplas. Aquela era justo a matéria que o pessoal da casa dela fazia junto com os lufanos e isso significava ficar algum tempo no mesmo local que Johnny. E antes que ela pudesse procurar um parceiro pro trabalho, ele gritou pro professor que ela seria a dupla dele. A loira abriu a boca várias vezes, queria argumentar sobre aquilo, negar sua vontade de fazer trabalho com ele, mas não tinha nem o que falar e o único jeito era aceitar. Pelo menos significava que o trabalho seria bem feito já que os dois fariam juntos e ter suas atividades escolares impecáveis era algo que ambos presavam. “Então...Por onde vamos começar?” Disse sem encarar o ruivo, fingindo interesse no pergaminho em branco sobre a mesa da biblioteca. Não fazia nem dez minutos que ela estava na presença dele e todas aquelas sensações já conhecidas de quando ele estava por perto, começavam a tomar conta.











