haviam encontrado caminho para fora do bar, o ar frio da rua cortando a pele aquecida pelo álcool, e provavelmente estavam mais embriagados do que deveriam. e ainda assim, mikkel permanecia mikkel; observando de longe, sorriso contido, os olhos seguindo cada gesto dela, cada fio de cabelo que ela enrolava nos dedos, cada risada que se espalhava pelo ar como faíscas de luz no crepúsculo da noite. ela tecia comentários afiados, histórias que deslizavam entre provocação e riso, e ele se perdia nesse contraste; o calor que emanava dela e a distância que insistia em manter. em algum momento, clara pareceu impaciente com sua reserva, avançando, cutucando-o incessantemente, em conjunto desarmar e instigar. ele ria baixo, contido, em paciência, contenção, mas a constância daquele toque tornou impossível permanecer passivo. segurou suas mãos, contê-la sem força, e os dois se viram presos naquele sorriso esquisito, cúmplice. então, sem aviso, ela avançou, roubando-lhe um beijo. e no mesmo instante... respondeu com intensidade mal contida, a fome de quem já pensara naquele momento desde a primeira instância da noite. os corpos se moveram como se conversassem em silêncio, e verteu ordem, pressionando-a contra a parede fria de um edifício desconhecido, mãos explorando, cintura sendo segurada, o toque deslizando sobre o vestido antes de recuar, conscientes de passos distantes. a noite parecia se contrair em torno deles, a calçada estreita e os lampiões lançando sombras longas. e ali, um riso baixo escapou, colado aos lábios dela. “é essa sua maneira de me provar errado?”