Parei para pensar no meu próprio envelhecimento. Ouvi dizer no jornal que faço parte das últimas gerações pré-internet vivas. Me senti como uma espécie em extinção. Mesmo sabendo datilografar, mesmo tendo e-mails ainda dos anos noventa. Isso porque eu vi a transição. Mantenho hábitos e sÃmbolos do século passado. Diria até que muitos dos meus valores.
Viver nessa cabana a poucos passos da mata fechada me levou ainda mais fundo nessa reflexão. Sobre quantos conceitos foram perdidos, claro que alguns para o bem, mas outros nem tanto. Falo daquela sabedoria de velho sabe. Aqui na vila produzimos frutas, verduras, ovos, leite. Tudo oldschool. Tem vários sistemas rolando: Como captação de agua da chuva, reaproveitamento de esgoto, tratamento de esgoto, compostagem. Tudo isso com uma ideia de que a pessoa é responsável por preservar sua agua e tratar seu lixo.
Acho que as empresas também, mas algumas mudanças de comportamento são muito simples e não te dão mais trabalho de fato. Só um trabalho diferente daquele que lhe foi ensinado.
Essas atividades quase extintas de onde venho têm me reconectado com uma ancestralidade perdida. Não consigo para de pensar nos habitantes dessas terras, todas suas tragédias e baladas sabe. Ai viagem...mas faz sentido né?
Sinto essa forte transição na fonte de referência de informações. No passado os humanos eram ensinados por humanos, hoje o conhecimento humano é curado por maquinas e retransmitido aos humanos. Não consigo fazer um julgamento de valor a respeito. Se é certo, melhor, errado ou o mesmo eu não sei dizer. Contudo vejo essa transição.
Eu mesmo sou praticante do que chamam no meu estado de proziar, o que se resume a ficar ouvindo gente velha contar histórias. Percebo que hoje é comum ouvir a pessoas da mesma idade contar coisas, pela internet como faço e consumo também. Era dos especialistas.
É outra fonte né? Estou fazendo faculdade no youtube já. Dali a pouco tiro o mestrado de jesus cristo.
Me sinto privilegiado por ter experimentado os dois e tenho um certo cuidado na filtragem de ambos. Acredito que nunca existirá algo semelhante em beleza e vulnerabilidade à cultura falada. Mesmo que essa deixe de existir. É a justificativa para seu valor sabe?
Me pergunto quanto tempo a informação em massa vai durar. Como forma estrutural pode ser que até o fim da humanidade, mas como campo aberto e relativamente acessÃvel a quem tem condições sociais de pagar internet talvez não.
Talvez o acesso a informação seja absurdamente mais restrito que hoje. Assim como foi se olharmos o ambiente livre que tÃnhamos na internet dos anos 90.
Empresas como o google ainda seguram a barra porque tem ideias uteis para todo o mercado, principalmente de marketing como um todo. Um mal necessário para a estrutura capitalista.
Enfim, acredito que em breve essa janela de comunicação e compartilhamento se feche ou se estreite. Talvez por isso me sinto incentivado a fazer esses vÃdeos. Ideias livres na internet são a nova subversão da burguesia.







