As duas amigas foram embora. Nada dramático. Tiago sorriu, adorou ter conhecido Aurora. E adorou mais ainda saber que ela gostou de tê-lo conhecido. O rapaz foi arrumar a casa, pra depois ir dormir um pouco, pois não tinha dormido nada. Foi em seu quarto, e notou a cama toda desarrumada. Arrumou e sentiu o cheiro do perfume de Aurora. Quis guardar aquele cheiro, mas era impossível.
Em outro lugar dali, um pouco distante, mas não tão distante, as duas amigas conversavam enquanto iam em direção ao ponto de táxi.
- E o Tiago, gostou dele? – perguntou Sté.
- Eu o testei um pouco... E acho que gostei, sim. Ele é muito atencioso, gostei disso.
- Eu sei... Ele é coisa rara nesse mundo.
- Percebi. Fiquei besta quando ele começou a secar o teu cabelo. E Sté... Ele ainda te penteou. Meu Deus, que homem faz isso numa mulher?!
- É um lindo! Tenho sorte em tê-lo como amigo.
- Sorte mesmo... Mas que amigo, né? Putz!
Tiago organizou o resto da casa e finalmente relaxou pra ir dormir um pouco. Deitou em sua cama, bem no lugar onde Aurora tinha se deitado.
“- Minha cama está tão cheirosa. Ah, preciso dormir um pouco... As últimas horas foram cansativas. Será que a Aurora vai comprar um quadro meu, mesmo? O que será que ela vai pedir? Bem que podia ter dado esse quadro que ela tanto gostou, né? Mas eu gosto tanto dele, também. Droga! Por que tenho que me apegar tanto às minhas coisas? Por quê?!”
Se virou, colocou seu celular do lado de seu travesseiro e fechou os olhos.
“- Minha conta bancária está quase negativa... Preciso arrumar um dinheiro. Quero que chegue mais encomendas simples. Relaxa, Tiago... Você está empregado. É só apertar um pouco suas compras, que tudo vai melhorar. Agora... Vou tentar pensar em mais nada e dormir.”
O sono chegou. Era um sono leve, mas não deixava de ser sono. Tiago se encolheu na cama e seu celular começou a tocar.
- Porra, mas quem será?! – disse. Viu que era Stephanie e atendeu: - O que foi, sua vaca?! Tô querendo dormir!
- Tiago, Tiago! – gritou desesperada.
Tiago sentiu que tinha acontecido algo sério e deu muita atenção à ligação: - O que foi, Stephanie?! Fala logo, porra!
- Pelo amor de Deus, Tiago! A Aurora! – desesperada.
- O que aconteceu com ela, Stephanie?!
- Ela... Ela foi atropelada! Corre, corre aqui, logo!
- Onde?! Diz logo! – disse Tiago desesperado.
- Aqui na esquina onde vende frutas! Vem logo!!!
Desligou o celular e se apressou. Procurou todo o dinheiro que tinha em casa e guardou no bolso, caso precisasse.
Tiago desceu a escada de casa, quase caiu, fechou a porta e correu até o local do acidente.
Chegando, viu uma concentração de pessoas. Deduziu o local do acidente e correu até lá. A cena foi triste. O acidente tinha sido grave... Tinha muito sangue, muito mesmo. O vestido de Aurora já não era mais branco, e sim, vermelho. Aurora estava desacordada, e era visível que uma perna sua estava quebrada. Tiago se desesperou mais ainda. Stephanie estava de joelhos ao lado de sua amiga. Ao ver Tiago, Stephanie foi abraça-lo. Os dois se abraçaram e Sté se derramou em lágrimas. Chegou a urrar de desespero!
Tiago calmo, como sempre, recolheu os pertences de Aurora, que estavam espalhados pelo chão. Perguntou se tinham ligado para a emergência e sentou ao lado de Aurora. Tirou os cabelos molhados de sangue cobriam seu rosto e notou que tinha um forte sangramento em sua cabeça.
O rapaz se desesperou pra valer. Se levantou e saiu correndo atrás de um táxi. Foi até o fim da rua e não achou nada. Voltou correndo para o local do acidente, frustrado. Não demorou muito, e então a ambulância chegou.
Os paramédicos perguntaram o que tinha acontecido. Explicaram tudo, enquanto eles a socorriam. O socorro ocorreu tudo bem. Já com Aurora dentro da ambulância, um paramédico perguntou: - Alguém aí é da família? Ela estava acompanhada?
- Eu! – gritou Stephanie, que estava chorando muito.
- Pois bem moça... Melhor você ir na frente com o motorista. – disse o paramédico que já estava fechando a porta de trás da ambulância.
Sté correu e entrou no carro.
- Espera! Sou primo dela! – disse Tiago. - Posso ir, também?
- Sim, pode. Vem aqui atrás, rapaz.
Tiago correu e entrou.
- Amigo, foi muito grave?
- Não posso te dizer nada de certeza agora, meu rapaz. Só uma perna quebrada e costelas quebradas. Tem esse sangramento na cabeça, que está me preocupando muito.
- Meu Deus... – preocupado.
- Sua respiração está fraca... – disse o paramédico. – Vou pôr o aparelho para ela respirar melhor.
- Sim, faça isso, por favor.
Chegaram muito rápido no hospital, ainda bem. Tiraram Aurora da ambulância e a levaram para dentro. Tiago foi atrás. Entraram num corredor enorme, onde no final, tinha uma placa “Somente funcionários da saúde.”
Chegando perto da porra, Tiago foi barrado. Ele entendeu, não podia ajudar em nada. Stephanie veio logo depois.
- Cadê ela?
- A levaram pra dentro. Agora só podemos esperar. E espero que sejam notícias boas.
Tiago sentou numa cadeira de espera. – Sté, já ligou pra família dela?
- Que família?! Ela não tem ninguém. A Aurora é órfã.
- Órfã?! Mas ela deve ter algum tio, ou tia. Sei lá! Procura aí no celular dela.
- Não que eu saiba. Uma vez ela me disse que o tio dela mora na França. O único tio. – soluçou.
- E agora...? Que vamos fazer? – perguntou, preocupado.
- Eu não sei você, Tiago. Mas eu vou ficar aqui e esperar alguma notícia.
- Farei o mesmo, com certeza.