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Acreditamos na poesia como silêncio que comunica silêncios. Ou seja, acreditamos nas palavras que nos faltaram. Se escrevemos poemas é para que haja o silêncio de os ter escrito. E então há. E vemos que é bom.
É simples - às vezes se parece com um retorno ao começo daquilo que ainda está para nascer. É emprestar ao indizível uma moldura.
De modo que, tudo que em nós se cala e não se cala não consegue calar-se. É a falta, a falha, o excesso, o que aguarda, o que existe e não existe - Este é o seixo bruto do poema por vir, por excelência.
A palavra que permaneceu intocada, sobreviveu e atravessou os séculos de conveniência; aquilo que ainda não foi domesticado pelo uso e não foi regulamentado - Isto é a matéria-prima do poema.
Qualquer comunicação efetiva só pode se dar sob a forma de poema. Este é o grau máximo de aproveitamento da linguagem humana. Ou seja, a poesia como o silêncio que comunica silêncios etc etc As palavras que não existem são mais verdadeiras. noctiluz, poemas às terças facebook