Corpos sĂŁo constituĂdos de matĂ©ria, por isso dois corpos nĂŁo podem ocupar um mesmo lugar em determinado ponto espacial. Um Ășnico corpo tambĂ©m nĂŁo pode ocupar vĂĄrios pontos diferentes ao mesmo tempo, pois mesmo que esse se dividisse, estaria apenas formando outros corpos menores. Mas, e se um corpo nĂŁo possui matĂ©ria, mas sim apenas Ă©ter? Bem, o corpo da Beanshee era algo assim, jĂĄ que os seres vivos materiais nĂŁo podiam vĂȘ-la ou tocĂĄ-la. Afinal, Beanshee era pura quintessĂȘncia.
Aos que conheciam as fadas pessoalmente, Beanshee era algo similar Ă elas em forma, mas sem a mesma beleza e sem a mesma energia. A diferença que as separava era quase algo que ambas tinham em comum: eram criaturas onipresentes, mas sempre mantinham seu corpo formado em um ponto especĂfico, mesmo que ainda nĂŁo fossem instituĂdos de matĂ©ria. Agora, a diferença mais marcante era que fadas tinham personalidade, tempo de vida e faziam mil e uma magias e a Beanshee... Beanshee era sĂł um espectro eterno sem muita vontade prĂłpria.
Mas, tinha um lado bom em ser um espectro eterno como ela era: Estar em todos os planos e ao mesmo tempo nĂŁo estar em nenhum. A mais alta nuvem do reino dos gigantes de Brobdingnag, o reino das fadas comandas por TitĂąnia, O Nunca onde vivia o Ășnico elfo adulto Ptrr, o continente do Ocaso, o Oriente e atĂ© o mais baixo cĂrculo de Aramis nĂŁo lhe eram limites! Eram apenas os lugares que ela poderia ir sempre que quisesse, isso se quisesse alguma vez fazer algo que nĂŁo fosse sua função. Com uma vida dessas, quem nĂŁo amaria ser como a Beanshee? Quem tivesse consciĂȘncia que seria invisĂvel Ă todos.
E, é claro, imaginou que ninguém ali a veria, pois não havia perigo ou morte próxima. Se alguém a visse, certamente era alguém com muita sorte ou muito azar, jå que isso só iria variar de pessoa à pessoa.
E aquele ali? Aquele que parecia ter visto um fantasma? A via? Beanshee não sabia, pois isso estava além de suas funçÔes. E, sendo algo além de suas funçÔes, não tinha obrigação de saber. Na verdade, nem tinha ao menos obrigação de saber se era dia ou noite, mesmo que o céu estivesse salpicado de estrelas.