โ what are you so afraid of? โ + @narcisacromwell
โโ โ- Medo? โโ Lotus riu, ainda se recusando a olhar para Narcisa. โโ โ- Eu nรฃo tenho medo de nada. โโ anunciou, como uma crianรงa, enquanto cruzava os braรงos na altura do peito -- nรฃo que ele estivesse se abraรงando ou algo do tipo, nรฃo, sรณ queria demonstrar que estava convicto do que dizia. Ainda assim, conseguia sentir o olhar de preocupaรงรฃo da mulher que costumava ser tรฃo frรญgida com tantas outras pessoas; talvez, por serem amigos tรฃo รญntimos (e que colocasse รญntimo nisso), ela conseguisse o decifrar melhor do que atรฉ ele mesmo. Era quatro da manhรฃ e estavam no sobrado de Lotus, sentados sobre a cama do cartomante depois de mais uma noite de muita bebida, muitos beijos e muitas mรฃos passeando por lugares que nรฃo deviam. Nรฃo deveriam apenas por Narcisa ser casada e ter todo um relacionamento secreto com outro ex-noivo, nรฃo; era porque o corpo de Lotus estava carregando hematomas demais, visรญveis demais. Pelas costelas, pelas costas, nos braรงos. Ele tambรฉm tinha um olho roxo que admitiu ser de uma briga, mas nรฃo justificava todo o restoย a nรฃo ser que tivesse sido espancado. Ele fingia que nรฃo doรญa, mas a cada vez que Narcisa se inclinava sobre ele, arrancava um suspiro de dor, e nรฃo de prazer. Bastou que abrisse a camiseta para que ela percebesse as marcas e ficasse legitimamente preocupada, o enchendo de perguntas sobre como aquilo havia acontecido, estragando o clima da noite. Lotus deu um milhรฃo de desculpas que nunca se encaixavam bem umas com as outras: havia caรญdo, na verdade havia caรญdo no meio de uma briga com um colega de infรขncia, na verdade havia caรญdo e sofrido um acidente-- a coisa foi longe o suficiente para que Narcisa percebesse que ele nรฃo admitiria o que diabos havia acontecido nem sob um enorme interrogatรณrio. Mas Lotus nรฃo queria dizer que precisava de ajuda, que estava ele mesmo preso em vรญcios demais, tentativas desesperadas de ter uma grama a mais da realidade que era Wonderland, agora destruรญda. Nรฃo queria fraquejar e dizer que qualquer coisaย valia, ainda que destruรญsse com o corpo humano frรกgil que tanto odiava -- qualquer coisa, desde que o tirasse do marasmo do cotidiano de Storybrooke que o matava por dentro. Qualquer coisa, desde maconha e รกlcool atรฉ ativamente estar sendo torturado e nรฃo achar tรฃo ruim assim. Foi entรฃo que, no meio de todas as desculpas, Narcisa percebeu que havia algo ali: medo. Medo de Lotus admitir nรฃo sรณ o que verdadeiramente havia acontecido para resultar naqueles hematomas, mas sim que estava trilhandoย um caminho irreversรญvel, do qual nรฃo iria conseguir se recuperar. Medo de encarar a verdadeira realidade e agir contra ela ao invรฉs de tentar sรณ passar um dia de cada vez com uma droga nova para escapar da rotina. Medo de dizer nรฃo, e que a atenรงรฃo que ganhava do mรฉdico no porรฃo se encerrasse para sempre e ele ficasse sozinho. Ela nรฃo sabia dos detalhes, claro, mas ao ter o cartomante a afirmado que ele nรฃo sentia medo algum, ela soube. Se aproximou do mais velho, e o tomou em um abraรงo carinhoso, o que o surpreendeu. Sequer sabia como reagir, piorando seus sensos enquanto ela perdurava o toque amigรกvel. Sentiu o lรกbio inferior tremer pela emoรงรฃo de ter alguรฉm em seu momento desesperador que nem conseguia admitir para si mesmo que estava tendo, e a abraรงou de volta nem conseguindo compreender o tanto que precisava daquilo. Nรฃo das drogas, do รกlcool, da tortura. Precisava de uma amiga, para variar.













