Após suspiros indignados e entediados, passos incessantemente distribuídos por todo o palácio, Rebekah Hayashi poderia considerar-se oficialmente estressada. Não era apenas a rotina maçante — seu dia-a-dia resumia-se em ir até o Salão de Mulheres para encarar as caras sem sal de suas concorrentes e lidar com criadas que criavam um vínculo entre elas e a selecionada de Yukon que não existia —, era a capacidade displicente de todos ao seu redor de despertar nela, nada além de um rolar de olhos e um sorriso forçado. Apesar de estar acostumada com tal coisa, ela nunca presenciara conversas tão estúpidas ou estivera em companhia de pessoas que tão pouco adicionavam em seu dia. Sentia falta de trabalhar, de entreter-se e de aprender. Não era no jardim ou no odiável, entediante e até mesmo patético Salão que faria alguma destas coisas. Fora quando ela decidira tentar algo novo.
Vestida com sua costumeira prepotência — e um vestido que, em dias normais, seria considerado horrendo: era leve, de cor pálida e não chamava atenção. Portanto, era o tipo de vestimenta que a atriz mais odiava. —, a garota caminhou calma e graciosamente, apesar de estar fazendo algo proibido, até que pudesse encontrar-se cercada de guardas: era onde eles treinavam. O fato de ter conseguido chegar ali tão rapidamente a fazia pensar: aquela roupa era realmente tão terrível que escondia a bela menina ou os guardas simplesmente não se importavam-se ou estavam acostumados com a presença de garotas ali? Ambas as pessoas lhe eram decepcionantes, porém, não importavam-lhe. Sua presença causara surpresa e até mesmo um pouco de choque por parte de alguns, enquanto outros perguntavam-se o que a garota fazia ali; nenhum deles parecia pronto para abordá-la no momento. Apesar de um olhar um tanto encantado ocupar seu rosto (apenas a própria garota saberia explicar a pequena paixão que desenvolvera por lutas e porte de armas em geral após algumas aulas para adicionar realidade à cenas de luta que precisasse gravar), Rebekah tinha trabalho para manter seu tom de voz odiável. Ela não importava-se com as consequências naquele momento, e, considerando o que vira de toda a Família Real, até então, duvidava que qualquer providência seria tomada com o surto de uma selecionada entediada. Ela era pequena demais dada a situação do lado de fora. Todos teriam coisas mais urgentes a fazer. “Ouça-me com atenção:” a garota começou, aproximando-se de um dos rapazes, aleatoriamente escolhido. “este lugar é terrível. E, ao menos que você queira presenciar uma cena tão pavorosa e chocante que pode virar notícia por todo o Castelo — acredite em mim, você nunca gostaria de presenciar um dos meus pequenos ataques de estresse —, você e seus amigos sairão do meu caminho e permitirão que eu pratique um pouco no estande de tiro, que tal? Talvez, se mostrar-se um cavalheiro competente, possa acompanhar-me e até mesmo me guiar, não?” a garota ergueu ambas as sobrancelhas, pendendo sua cabeça para um lado. “Devo começar a gritar ou você pode abrir passagem para mim?”