A pau e corda
A pau e corda Vou levando a minha vida Eu não acho uma saída Para me equilibrar
Pensando no futuro Eu já ando meio louco Pois eu ganho muito pouco Para a vida melhorar
A pau e corda Eu pago meu aluguel Veja que vida cruel Meu assunto é muito sério
A pau e corda Eu consegui me formar Mas não posso lecionar Não tem vaga o magistério
Pensei um pouco Tomei uma decisão Vou mudar de profissão Melhorar minha vivência
A pau e corda Montei um mini mercado Comecei a vender fiado E já me fui à falência
A pau e corda Dinheiro nem sempre tem Mas a vida me convém Mesmo se ela pinta e borda
E quando alguém Pergunta como vou indo Respondo alegre e sorrindo Vou vivendo a pau e corda
A expressão “a pau e corda” significa, no gauchês, com muita dificuldade.
Exemplos:
“A pau e corda, meu tio-avô conseguiu saldar a hipoteca do seu condomínio em Porto Alegre.”
“O trator atolou na neve e finalmente saiu do lamaçal a pau e corda.”
A expressão tem origem no século XIX, na versão campeira “a porrete e rebenque”, usada para descrever as coragens daqueles que realizavam longas viagens carregando baús pesadíssimos, amarrados com paus e cordas. Nessas situações, os bois carregavam os baús sobre os lombos. Era inútil depender apenas da força das mãos ou de labuta manual, o que simplesmente era impossível durante viagens de longa distância.
Aqui estão alguns outros exemplos:
“Conseguimos levantar aqueles blocos de cimento a pau e corda; não tínhamos ferramenta nenhuma à nossa disposição.” (uso para esforço físico / construção)
“Anteontem, o Grêmio venceu o campeonato nos últimos 25 segundos do jogo, a pau e corda. Foi um jogão tenso até o último instante.” (uso para esforço esportivo ou superação)
“Consegui entregar meu projeto a pau e corda; meu notebook estava travando. Tive de fazer tudo no meu computador! Que azar!” (uso para dificuldades técnicas)
Uma outra expressão que se destaca aqui é “vender fiado”.
Vender fiado é quando um vendedor ou dono de negócio (ou gerente) vende algo a um cliente sem pagamento inicial, sem entrada ou sem garantia imediata. Em outras palavras, o negociante presta o serviço ou entrega o produto sem receber os fundos monetários no momento, confiando na promessa de pagamento futuro.
Infelizmente, quem vende algo fiado corre o risco de inadimplência, ou seja, o comprador pode não efetuar o pagamento pelo serviço ou produto adquirido.
Apenas uma nota final: a pessoa que empresta dinheiro com fins lucrativos chama-se agiota. Trata-se de alguém que oferece empréstimos rápidos a pessoas falidas ou em dificuldades financeiras. Muitas vezes, esses acordos são feitos verbalmente, sem contratos formais, com juros elevados e de forma irregular.
















