Bailaricos na aldeia
Tiago: Pai, é verdade que subias para cima das árvores para cantar?
Samuel: Sim, quem sabe é a Tia Salette. Eu não sei de nada.
Tiago: Não te lembras de ir cantar?
Samuel: Lembro.
Tiago: O que cantavas? Coisas do folclore?
Samuel: Claro.
Tiago: Lembras-te de alguma música?
Samuel: Não.
Tiago: Mas aprendias com quem? Com a tua mãe?
Samuel: Com a minha mãe? Não! Era o que ouvia no gira-discos: o Conjunto Maria Albertina, o Conjunto Pai e Filhos, o António Mafra…
Tiago: Esses conjuntos iam à tua aldeia?
Samuel: Faziam as festas das aldeias todas e não faziam mais porque eram os mais caros. Aos domingos íamos para a porta do André, ele punha o gira-discos na rua, onde arranjava as motoretas e as bicicletas, em frente à padaria… Além de arranjar isso, era sapateiro. Havia baile todas as tardes. Ainda me lembro da feira mensal onde havia de tudo, desde fazendas a casacos feitos…
Tiago: E havia baile?
Samuel: Não, isso era uma feira como vais ali à Torre da Marinha e estão lá a vender coisas. Fatos, todo o género de coisas, era que lá vendiam. E era aos domingos. As festas eram todas em recintos cobertos. Quando era o São João fazia-se lá a fogueira, naquele largo em frente à nossa casa, o largo das carvalhas.
Tiago: Onde?
Samuel: Já não existe. – Diz a mãe. – Onde está aquele muro, depois da aveloeira [sic]. Havia lá uma carvalha. Quatro, aliás. Mas havia uma carvalha bem grande. Eram precisas três pessoas para a abraçar.
Tiago: Mas, voltando aos conjuntos, eles iam às romarias nas aldeias lá ao pé?
Samuel: Sim, iam às festas do povo.
Tiago: Que não aconteciam só em Bigas. Nas aldeias à volta também…
Samuel: Havia poucas festas à volta. A de Bigas era a festa mais forte da freguesia. Depois havia Mozelos, Lustosa, Folgosa… Havia noutras aldeias mas eram quase todas religiosas. Mais tarde, começaram a fazer uma festa forte em Galifonge, onde havia muitos emigrantes. Em Várzea eram as mais fortes de todas, iam muitos conjuntos.











