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3. A kitten
◃🍒⌇ A careta confusa em seu rosto enquanto fitava o felino miante no banco de passageiros de Florence chegava a ser engraçada. O bicho aparecera em seu apartamento (se é que podia chamar aquele muquifo assim) de madrugada, infernizara seu sono até que deu um jeito de colocar restos de comida no chão e um pote com água pro bicho beber, mas só teve paz até a comida acabar. Bem, passara a noite em claro olhando para um filhote de gato branco com manchas ruivas tigradas, e por mais adorável que a visão fosse, depois de horas que ele devia ter passado dormindo, estava era irritado. Não podia ficar com o animal em seu canto porque mal era capaz de cuidar de si mesmo; Jaehee não ficava em casa o suficiente para dar a atenção que ele provavelmente necessitava. E a única outra opção que conseguia pensar... Bem, era Hari. E era no mínimo esquisito dar um bicho de estimação pra ela do nada. Por isso é que estava ali, parado em frente à casa dela, parecendo muito meio estúpido e repensando aquilo mais algumas vezes enquanto a criatura ainda miava à plenos pulmões. Com um suspiro pesado, finalmente pegou o gato desajeitadamente - uma mão passando por baixo do corpinho miúdo e os dedos entre as patas dianteiras, só pra garantir que não ia acabar deixando o bicho cair - e saiu do carro para ir bater na porta alheia. E quando esta foi aberta pela morena, só o que ele fez foi erguer o bichano diante de seu rosto - que protestou com mais um “miau” um tanto adorável. ㅡ Espero que você goste de gatos. O nome dele é Andrea Bocelli porque ele grita tanto quanto aquele cantor de ópera lá. ㅡ Anunciou, extremamente sério, esperando que ela pegasse o felino de suas mãos. Franziu a testa mais uma vez, percebendo que aquilo estava mesmo sendo estranho - exatamente como temia. Pigarreou, uma das mãos indo à frente da boca enquanto reformulava. ㅡ Quero dizer... Você pode mudar o nome do bicho, sei lá. Ele só apareceu lá em casa, não me deixou dormir, eu não posso manter esse troço e não consegui pensar em ninguém melhor pra isso. Não é um presente. ㅡ Frisou a última parte, quase deixando muito claro que seu medo era... Bem, dar bichos pra alguém era uma coisa meio de casal. Tá bem, gostava de Hari faz tempo, e tinham ficado, mas ela era sua amiga. Não queria passar nenhum tipo de impressão errada porque o drama que viria junto só não valia a pena. ㅡ E... É isso. A gente tem ensaio, então... É. Tenho que ir. Boa sorte aí com a bola de pelos. Tchau. ㅡ Simples assim, virou as costas e voltou para o carro, ainda parecendo muito rígido para sua postura de costume - ainda mais diante de alguém que conhecia há tanto tempo. E, claro, quando notou que tinha arrumado a pior desculpa de todos os tempos para sair correndo de lá - porque Hari saberia que nem em mil anos a Blind Revolution marcaria um ensaio tão cedo na manhã, fora que nunca o próprio David se importava em ser tão pontual - acabou descontando em Florence, com uma agressão ao volante pela qual prontamente se desculpou depois, finalmente acelerando para sumir logo dali.








