História sobre educação.
Uma coisa que todas as pessoas que convivem comigo sabem sobre mim resume-se em uma sentença: "Você é grossa".
Não deixo de concordar com eles, sei que tem seus motivos - e são verdadeiros. No entanto, sou uma pessoa deveras polida, apesar de tudo isso.Â
O que eles querem dizer com isso? Sou uma pessoa sem dó de jogar a verdade nua e crua no colo e deixar seja quem for lidando com isso. Não vejo muitas pessoas que entendem que não é uma ofensa - é só a verdade, sem amaciante, sem espuma nas bordas.Â
Quando eu digo: "toma vergonha na sua cara, levanta dessa cama e larga mão de preguiça" eu estou sendo grossa? Talvez sim, na opinião de quem escuta, no entanto, eu faço isso para que o interlocutor se choque e faça o que eu falei. Que tal pessoa absorva o que foi dito como um fato e use como um impulso para mudar sua atitude e, por isso, sou grossa, simplesmente por não me importar em ser delicada.
Apesar disso, não tolero muito bem falta de educação. Não me refiro a ofensas vindas de amigos num tom de brincadeira. Falo sobre preconceito, seja ele qual for, o racismo, transfobia, bifobia, lesbofobia, homofobia, lipofobia e que todos se desenrolem numa lista quase sem fim. Não gosto que se refiram a mim como 'loira burra' ou 'gorda, obesa' e imagino que ninguém quer ser tratado como um esteriótipo. Do mesmo jeito que gosto que alguém me apóie - não defender, simplesmente estar ao lado dando suporte - espero poder fazer o mesmo por alguém.
Acho qualquer tipo de preconceito ridÃculo - embora confesse que já fui muito preconceituosa. Espero ter desconstruÃdo o meu e, assim, ajudar outros a fazer o mesmo. Algo passado de geração em geração até sem querer, com conceitos obsoletos que já não se aplicam nessa realidade são essa base ruim de algo que atinge proporções enormes.
Não gosto de atacar ninguém com acusações e chamando por nomes "feios". Não considero isso uma discussão, uma troca de argumentos sensata entre duas pessoas. Sinto-me até mal quando faço algo do gênero ou mesmo quando me atacam, dizendo que sou 'infeliz' e 'sem amor' ou ainda 'pessoa de guerra'.Â
A última foi a moça torcedora do Grêmio que chamou um jogador de "macaco" e foi afastada do trabalho (podendo ser demitida posteriormente). De verdade, acho que ela tem que ser julgada e punida adequadamente para a situação, chamá-la de 'vagabunda', 'vadia' e 'puta' não muda nada, inclusive, mostra só mais um preconceituoso, que acha que a mulher não tem a liberdade de fazer sexo com quem quiser, seja por dinheiro ou não. Outros já foram preconceituosos com negros antes e nada aconteceu, como o Danilo Gentili, que dá mais bola fora do que dentro. Antes ele já tinha chamado uma doadora de leite materno de 'vaca', o que fez ela inclusive parar de doar pois era ofendida diariamente nas ruas.
"Ah, mas é humor"
Não é humor quando uma pessoa chora enquanto os outros dão risada. Você brincar com um amigo com o qual tem intimidade para tal é diferente de gritar na rua com alguém que nunca viu na vida.
Educação acima de tudo.
Boa tarde e bom final de semana :)












