Há um ano, a Sabesp passou a cobrar uma sobretaxa de até 50% na conta de quem não reduzisse o uso em relação à média de consumo anterior a crise ou aumentasse em 20% aquela marca. Só com a medida, arrecadou R$ 550 milhões até fevereiro deste ano (http://goo.gl/y463Jj). Hoje vamos falar de sobretaxa, lucros da Sabesp e a mensagem sempre confusa do governo: tem crise ou não tem, precisa economizar água ou não precisa?
SOBRETAXA PARA UNS E MEGADESCONTOS PARA OUTROS
Deu-se a entender que a sobretaxa para o consumidor doméstico foi uma medida criada até o Cantareira voltar a operar sem a dependência do volume morto. O consumidor, no entanto, nunca teve informações sobre a taxa, além da conta mais alta. Quem estava sendo taxado? Qual a data para acabar a cobrança (http://goo.gl/UP1ySR)?
Por outro lado, mesmo durante a crise e falta de água, a Sabesp continuou premiando e incentivando o consumo de superconsumidores como indústria, shoppings, hotéis, condomínios de luxo, igrejas e entidades como a Bovespa, conferindo-lhes contratos especiais com descontos que chegam a 50% (http://goo.gl/j7mlzN)!
LUCROS DA SABESP
Com crise, seis diretores da Sabesp ganham mais com bônus:
2013 -> R$ 566 mil (http://goo.gl/j7mlzN)
2014 -> R$ 504 mil (http://goo.gl/j7mlzN)
2015 -> R$ 1 milhão (http://goo.gl/QB2WLs)
Ou seja, dobrou o bônus no ano da crise!
E acionistas (50,3% governo paulista, 49,7% investidores das bolsas de SP e NY) deitam no lucro:
2013 -> R$ 537,5 milhões (http://goo.gl/j7mlzN)
2014 -> R$ 252,3 milhões (http://goo.gl/j7mlzN)
2015 -> (ainda não divulgado -http://goo.gl/77T1KX)
EQUIVALÊNCIAS: 550 MILHÕES ARRECADADOS COM SOBRETAXA
1) mais ou menos o mesmo prejuízo financeiro que divulgou no terceiro semestre do ano passado (http://goo.gl/rzt7fz);
2) o suficiente para a Sabesp fazer sozinha a megaobra financiada pelo PAC de transposição do Rio Paraíba do Sul para o sistema Cantareira (http://goo.gl/jzbK0y).
Esta última, diga-se de passagem, com entrega prevista para 2017 e que, em tese, era emergencial e por isso recebeu licenças "a jato". Só pelo fato da tal megaobra que seria a solução do problema ainda não ter sido entregue, já é engraçado o governador decretar o fim da crise. Então não precisa mais fazer algo tão drástico e emergencial? Podemos pensar melhor em soluções mais inteligentes, de menos impacto e mais baratas? Quantas perguntas sem respostas, governador!