Essa nĂŁo Ă© uma carta comum. Ă para vocĂȘ mas ao mesmo tempo para mim, para ele e para outros. E nĂŁo Ă© para dois, trĂȘs ou quatro. Ă apenas para outros - e entenda a palavra outros como quiser. Ă uma carta sobre como me sinto. Sobre como amo e sofro por outros e outras⊠Sobre como te amei e sofri e me machuquei e perdoei. Vou te contar uma coisa, uma novidade. Comprei uma bicicleta. Vou furar meu corpo e mudar a cor do cabelo. E vocĂȘ, vocĂȘs. Longe de mais, nĂŁo estĂŁo presente para presenciar essa mudança. Em outro momento nĂŁo teria um pingo de coragem para tais mudanças, mas acabou que as circunstĂąncias tambĂ©m mudaram.
O hambiente mudou.
O ar mudou
E até minha miopia deve ter mudado. (Porque não? Eis a questão. Preciso de um médico)
AtĂ© vocĂȘ, a mulher mais linda do mundo
A senhora mais bondosa
O cara mais gostoso e tranquilo
O amigo mais fiel (mesmo que nĂŁo tenha motivo para tamanha fidelidade)
E vocĂȘ, outro, mudou. Porque diabos eu nĂŁo mudaria?
Disse e repito. Eis a questĂŁo.
Vou contar outra coisa. TĂŽ amando. E tĂŽ odiando. E tĂŽ sentido falta. De vocĂȘs outros e de vocĂȘ.
TĂŽ com certeza e com incertezas.
Tå confuso? Também tÎ com isso.
Ă difĂcil e tem horas que sinto que o mundo vai acabar e peço para ele parar porque quero descer. Mas ele nĂŁo para e tenho que desviar o olhar para outros e outros. Para Deus.
E de repente fica tudo bem de novo. Ă realmente muito confuso. E nĂŁo julgo vocĂȘ e muito menos os outros por nĂŁo entenderem.
Eu me entendo dentro da bagunça que vocĂȘ fez e que poderia ser comparada a um pudim caso fosse um doce.
NĂŁo quis te contar aquele sonho por ser um segredo e quando vocĂȘ disse que eu poderia contar porque assim seria nosso segredo, eu quis te dizer que jĂĄ temos um segredo. O pudim. O pudim Ă© nosso segredo bom.
VocĂȘ disse que prefere um belo bolo confeitado, mas vamos combinar que nada, nada. Se compara a um belo pudim com muuuuuuuuita calda.
Eu disse e repito, pudim Ă© o melhor.
E digo mais, pareço um monstro SA, mas o coração é de mocinha. Com certeza!
NĂŁo precisa ter medo que, como diz o mestre Nego do Borel, se eu nĂŁo guardo nem dinheiro, quem dirĂĄ guardar rancor! Sabias palavras!
Outra coisa, escuto Nego do Borel. Imagina só que peça!
TĂĄ vendo sĂł como as coisas mudam? VocĂȘ pode dizer que fiz um regresso, mas vamos admitir que atĂ© tem um ritmo legal e que gruda na sua cabeça como chiclete.
Duvido que nĂŁo tenha ficado com minhas mĂșsicas na cabeça e pensou: âque droga!â Te endendo.
Que droga! TĂŽ demais.
Pode ser que seja fase e vocĂȘ atĂ© que gostaria dessa nova fase, mas sei que vocĂȘ outro nĂŁo gosta muito.
Comecei a beber. Aprendi com o melhor.
E isso te magoa. Muito.Mas quem sabe Ă© sĂł fase?
Tenho sempre muito medo de te magoar. Por nĂŁo ser fofa, por nĂŁo ser exemplar e por nĂŁo ser mais um monte de outras coisas. Mas sei que vocĂȘ outro me entende e me aceita. E isso Ă© bom. (Obrigada!)
Indo por outro lado, o pior de tudo Ă© que estou aqui. TĂŽ vivendo e sofrendo e sendo feliz.
E passando por problemas. Mas Ă© assim mesmo. A vida Ă© assim mesmo. Tenho certeza que vocĂȘ estĂĄ passando por isso tambĂ©m.
Porém,
Sou furacĂŁo
E vocĂȘ,
Brisa.
Te odeio e te amo por isso.
Te amo.
Te odeio.
Existe coisa mais confusa? Putz! Que enrascada que coloque todos vocĂȘs e todos os outro.
Acho que nesse tempo fiquei meu maluca da cabeça.
Ă vida!
Essa Ă© uma carta escrita para que compreenda como estou.
NĂŁo para dizer que te amo
Ou que te odeio.
SĂł para que compreenda esse pudim e essa maluquice.
E essa loucura.
Cada outro chama de um jeito. E isso não importa para mim porque afinal, é sempre a mesma bagunça de sempre.
No meu quarto
No celular
Na cabeça
E no peito.
Te amo. Te odeio. Sinto sua falta. E nĂŁo te quero mais aqui.