A HORA E VEZ DE AUGUSTO MATRAGA. Dir. DE ROBERTO SANTOS, 1965.
A Hora e a Vez de Augusto Matraga é um filme de 1965, baseado no conto da obra "Sagarana", de Guimarães Rosa. Embora ainda não tenha lido o conto, ao assistir a essa obra-prima, senti-me inspirada a fazê-lo.
A narrativa explora a redenção do fazendeiro violento Augusto Matraga (Leonardo Villar), que, emboscado por seus inimigos, é dado como morto. Ao ser salvo por Mãe Quitéria e Pai Serapião, o personagem embarca em um profundo processo catártico, onde se entrelaçam temas como justiça, religiosidade e moralidade. Este conflito interno reflete a ambivalência humana, a luta entre o instinto de autodefesa e a busca por uma vida ética.
O desfecho do filme é especialmente impactante, acompanhado por uma trilha sonora majestosa de Geraldo Vandré, que acentua as emoções e as imagens de forma sublime. É digno de nota a coragem do padre (Maurício do Valle), que, diante da igreja no sertão, clama a Deus e, por meio de sua palavra e autoridade moral, enfrenta o bando do jagunço Joãozinho Bem-Bem (Jofre Soares). Este bando está determinado a executar a inocente família de um criminoso, levantando questões éticas sobre a justiça e a vingança.
A cena no interior da igreja evoca os antigos faroestes, como os de Sergio Leone, culminando em um tiroteio que possui uma carga trágica reminiscentes das obras de Shakespeare. Neste clímax, a redenção de Augusto Matraga é testada, refletindo a complexidade da condição humana e a possibilidade de transformação através do arrependimento. Assim, o filme não apenas conta uma história, mas também convida à reflexão sobre a natureza da moralidade e a luta pela redenção.
@Patrizia Carrán.
*Ficha técnica do filme no site da Cinemateca Brasileira.











