Mulher morre em acidente de trânsito na MA-014 durante o Carnaval; motorista foge
seen from Canada
seen from Romania
seen from China
seen from Israel

seen from Russia
seen from United States

seen from Israel
seen from United States

seen from Malaysia

seen from United States

seen from Bangladesh
seen from Yemen
seen from United States
seen from China
seen from United States

seen from United States
seen from Brazil
seen from Japan

seen from Japan
seen from Yemen
Mulher morre em acidente de trânsito na MA-014 durante o Carnaval; motorista foge

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch • No registration required • HD streaming
“Trilhas e Tons” chega a Matinha colhendo frutos
“Trilhas e Tons” chega a Matinha colhendo frutos
[release] Produtor local da oficina foi seu aluno em cidade vizinha e já colaborou com outras edições da formação De aluno a produtor: Zeca está prestes a se formar em Licenciatura em Música. Foto: divulgação José Manoel Lindoso Mendes, o Zeca, como é mais conhecido, participou da oficina “Trilhas e Tons: Teoria musical aplicada à música popular”, quando a formação ministrada por Nosly com…
View On WordPress
Um peixe na Matinha Um graffiti de um peixe. Engraçado e bem executado. "Bad fish"?

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch • No registration required • HD streaming
Cais da Matinha
Incêndio é registrado em mata de Anápolis, nesta quinta-feira, 19
Incêndio é registrado em mata de Anápolis, nesta quinta-feira, 19
Na madrugada desta quinta-feira (19. Set), ocorreu um incêndio na matinha da Cidade Jardim, próximo a Rodoviária de Anápolis. Os bombeiros trabalharam durante toda a noite para conter o fogo.
A equipe militar suspeita de que o incêndio tenha sido criado de forma criminosa.
A queimada causou a morte de animais e plantas do local, além da fumaça que contribui para a baixa umidade do ar.
View On WordPress
Beatos e Gentios
Caminho reflexivo pela Lisboa ribeirinha e industrial, com a memória recheada de fantasmas, alimentada pela saudade dos velhos.
Vejo a doca da Matinha com dois navios atracados: o Porto e o Funchal. Também eles meras memórias. Lembranças do tempo em que eram a nata dos cruzeiros de luxo, disputados por operadores turísticos e novos-ricos sedentos de aventura e prestígio. Agora estão parados, ancorados longe do mar, obsoletos, encostados um ao outro suportando-se mutuamente na humilhação do abandono e da insolvência.
Mais adiante no Poço do Bispo o movimento é intenso, mas igualmente triste. As carcaças de pequenas embarcações acumulam-se na doca, decadentes. Mas como a vida não pára há outras com sinais de vitalidade: cobertas, motorizadas, aguardando a subida da maré para avançar rio adentro. Esta doca denota sintomas de esquizofrenia. Num lado embarcações ao abandono evocam dias melhores para a faina fluvial e seus artífices; no outro a azáfama típica de um porto industrial, com navios de pavilhão panamiano descarregando mercadorias ocultas com o auxílio de gruas de grande porte. Do lado moribundo pulsam em esforço pequenas oficinas de reparação naval e outras reconvertidas em centros de inspeção automóvel, fruto dos tempos. Do lado vivaz há movimento de estiva e de veículos pesados aguardando a hora do frete. Uma doca bipolar como as marés.
A cidade fabril e cinzenta estende-se atrás das carcaças navais, também ela aparentemente derrotada e moribunda, como os velhos armazéns da Abel Pereira da Fonseca em primeiro plano. A maré baixa assinala a melancolia local, com o lodo omnipresente entre as embarcações tombadas. Aqui não há iates nem navios de recreio. Há vestígios de uma arte agonizante e espectros de artistas remotos, fugidos da míngua. Abandonados, na frente de Golias com bandeiras de favor, estes pequenos barquinhos são Davis exaustos e sem esperança, cansados de esperar por um milagre que tarda.
Do lado oposto descarrega-se o Harmony em homónimo sentimento. Sacas enormes acumulam-se nas margens. Duas gruas gigantes providenciam a descarga com os silos imensos como pano de fundo. Uma barcaça longa, com a preciosa carga protegida por lonas desmesuradas, aguarda a ocasião para, também ela, vazar as entranhas na doca. No convés elevam-se casernas, dispostas longitudinalmente pelo titã adormecido, de onde se adivinha a saída iminente de combatentes e a previsível abertura de hostilidades. Cordames mastodônticos e gastos seguram estes monstros dos mares às amarrações da doca, aparentemente frágeis. Parecem elefantes presos por trelas. Contra todas as expectativas os paquidermes aguardam pacientes pela liberdade, sem consciência da própria força.
Um atrelado parado na margem revela um carregamento de troncos, ordenadamente dispostos. Parece um jogo de crianças, um lego cilíndrico num frágil equilíbrio, que exibe os anéis de cada corte como uma história de vida, amputada abruptamente na flor da idade. Ao seu lado encontro o casco de um navio onde leio números crescentes, talvez de profundidade, talvez anéis também de vida vivida a sulcar as ondas salgadas, como nos troncos das árvores. Pneus velhos pendurados da amurada garantem segurança no atraque mas mais parecem olhos que vigiam atentos os intrusos, como eu.
Em frente, um atrelado cisterna de prata brilhante reflecte ambiguamente a panóplia de troncos, de cordas, de gruas e de navios por onde espreita, insolente, um fotógrafo rabiscador. A imagem reflectida prende-me como uma atracção de feira. Um candeeiro disforme debruça-se sobre as águas alumiando a fantasia do andarilho. A calçada ondeia e ziguezagueia como se flutuasse no mar alto e eu embarco nela buscando porto seguro.
O lodo acumula-se pela rampa da doca acima, atraindo pombos que aí catam algum sustento. Nela uma escadaria ampla e regular, ornada de lama e sedimento, ganha contornos surreais dignos de uma pintura de Dali. Os limos marcam, na maré vasa, a terra de ninguém nesta disputa entre mar e terra, onde só os pombos e as gaivotas se aventuram. Homens e embarcações tombam dolentes, aguardando o aluvião da preia-mar.
Rumo ao Beato cruzo os colossos dos silos de granel, gigantescos cilindros de betão, encostados uns aos outros, como flautas de pan aguardando um desmesurado musicista. A seus pés, como ratos de Hamelin, os vagões cerealíferos repousam inertes aguardando ordem de carga ou de partida de algum flautista mágico. São dezenas em profusas linhas paralelas formando longos comboios de cor flavescente. Uma visão desconcertante a perder de vista, de longas lagartas de metal fulvo, com milhares de pequenas pernas suportando cartilagens regularmente interrompidas, até ao infinito. A coroar esta estranha visão por detrás do espelho de Lewis Carrol um cartaz do lado oposto da via pergunta-me em inglês: Feeling like a unicorn? That’s because you are.
Talvez seja, talvez não. O certo é que vejo padrões excêntricos atrás das árvores primaveris que ladeiam a rua. Paredes de cartão perfurado, como num computador arcaico, símbolos de um estranho alfabeto alienígena, composto por uma dezena de caracteres regulares ininteligíveis. Sou Lucy no céu sem diamantes mas com visões bizarras. Sou Alice a correr, alucinada, atrás do coelho. Vejo bicicletas fantásticas que sustentam vagões amarelos, decorados a grafitti, contentores empilhados que emergem por detrás de arames farpados por entre as carruagens estáticas, silhuetas piramidais de conexões urbanas com uma multidão de composições ferroviárias a seus pés, em singular adoração profana.
Não me entrego à visão e sigo pela estrada de ferro, que não tem tijolos amarelos mas carris negros que se multiplicam e entrelaçam num bailado serpentino emoldurado por uma galeria interminável de catenárias. De um lado rodados múltiplos encimados por cabines eretas entre chassis desguarnecidos de pesados atendendo carrego. Do outro tortuosas teclas de piano em cimento, sem bemóis nem sustenidos, que se contorcem a perder de vista. Sigo ao centro pela alameda ferroviária deserta, de linhas cruzadas e sinuosas.
Por entre grades turvas surgem navios em Santa Apolónia com formas insólitas e tremendas. Um deles exibe orelhas felídias e esferas ciclópicas que convergem no castelo da proa e me levam de regresso ao mundo de Alice e do Gato de Cheshire.
São navios de outro calibre que nada têm a ver com os cadáveres abandonados na Matinha, nem com os obreiros colossos do Poço do Bispo e do Beato. Estes são aristocratas modernos dos oceanos onde viajam burgueses reformados em busca da juventude perdida e de souvenirs de gift shop tax free. Uns atrás dos outros debitam massas endinheiradas para os armazéns onde celebridades esquecidas montam restaurantes in a preços out (of this world), dignos de Hollywood Boulevard e sob a bênção de Santa Engrácia, Santa Apolónia e tantos outros, beatos como gentios.
Quantos mundos cabem na margem deste rio?
Quantas estórias de vidas e mortes levadas nas águas que correm implacáveis para o tempo passado?
Esta é apenas mais uma. E nem sequer das mais interessantes.
Ricardo Ramalho
Massamá, Julho de 2018
Foto: Cais de Santa Apolónia (Maio de 2018)