Kalu - Linha 3 | Sofar Salvador (#971)
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Kalu - Linha 3 | Sofar Salvador (#971)

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Trânsito humano entre Estação Paulista e Consolação
Estação Guilhermina-Esperança da Linha 3 Vermelha
"Qual será a 2.ª linha do Metrô?", Folha de S. Paulo, 17 de março de 1972, pág. 6
Há muitas coisas interessantes no artigo acima. A primeira que me chamou a atenção foi a menção à atual Linha 2-Verde, num traçado muito próximo do que seria feito, embora com estações diferentes. Por exemplo, o mapa mostra uma "Estação Osvaldo Cruz", provavelmente na praça homônima. Essa estação, se construída ficaria muito próxima tanto da Estação Brigadeiro como da Estação Paraíso. Há, ainda, a "Estação Augusta", que, possivelmente, é a mesma Estação Consolação que conhecemos hoje. Entre as estações Clínicas e Vila Madalena, o mapa aponta duas estações (Araçá e Bandeiras), em vez da única que existe hoje, a Sumaré.
Além disso, a integração com a Linha Sudeste–Sudoeste — cujo projeto, mais tarde, seria modificado, para dar origem à atual Linha 4-Amarela — seria na Estação Clínicas, e não na Estação Consolação. Assim, a Sudeste–Sudoeste seguiria (provavelmente) acompanhando o leito da Rua Cardeal Arcoverde, e não os da Avenida Rebouças e da Rua dos Pinheiros, como ocorre hoje.
Note, ainda, que não tinha sido definido o traçado da atual Linha 3-Vermelha, uma discussão que ainda levaria alguns anos para ser resolvida. O último parágrafo da segunda coluna traz uma descrição do que se previa de seu trajeto, que ligaria a Casa Verde, na zona norte, à Vila Maria, na leste. O debate sobre seu traçado acabaria por levar em conta os trens de subúrbio (atual CPTM) no lado leste, e a linha passaria a acompanhar a atual Linha 11-Coral. Mais tarde, chegou-se a cogitar que o lado oeste acompanhasse os subúrbios da Sorocabana (atual Linha 8-Diamante).
O texto também menciona o chamado "Ramal Moema", da Linha Norte–Sul (atual Linha 1-Azul), que é razoavelmente conhecido, mesmo sem nunca ter saído do papel. É possível ver, até hoje, o túnel que seguiria nessa direção, além das indicações, no chão, das plataformas que atenderiam esse ramal na Estação Paraíso. Mas o texto também menciona um ramal menos conhecido, justamente por ser de um trecho que nunca foi construído, o trecho sudeste da Linha Sudeste–Sudoeste: seria o "Ramal Vila Bertioga", que atenderia a Mooca.
Há muitos outros detalhes no texto, que ajudam a entender muitos conceitos que seriam aplicados ou não ao longo das décadas seguintes da história ferroviária da cidade de São Paulo.
“Metrô interdita na General Olímpio”, O Estado de S. Paulo, 22 de novembro de 1984, página 70
Finalmente definido o traçado do trecho oeste da atual Linha 3-Vermelha, era hora de começarem as obras, doze anos depois de iniciadas as obras do trecho leste. E essas obras foram uma dor de cabeça para a região, não apenas devido à interdição de ruas, mas, principalmente, porque as estações demoraram a ser entregues. A Marechal Deodoro, por exemplo, foi visitada pela população às vésperas das eleições para governador de 1986, como propaganda disfarçada para o candidato Orestes Quércia, eventualmente eleito. Mas ela só seria aberta quase dois anos depois.

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“Trecho Leste do metrô”, O Estado de S. Paulo, 28 de fevereiro de 1976, página 46
Já que falei por dois dias sobre a construção da atual Linha 3-Vermelha, falo mais um. O mapa acima foi publicado em um "Suplemento do Centenário" do jornal O Estado de S. Paulo. O escaneamento do acervo deu algum "pau" nesse suplemento, e ele está disponível assim (note o título, como saiu). Isso sugere um erro no mecanismo de OCR (reconhecimento de caracteres), mas também afetou o tamanho da página disponível, por isso o mapa está cortado. O texto que se segue está razoavelmente legível, embora também cortado e cheio de "sujeira" que costuma ocorrer quando de reconhecimento automático de caracteres.
De qualquer maneira, é um mapa interessante, não só pelos já citados nomes diferentes de algumas estações, como pela planta simplificada de cada uma delas.
“Metrô quer usar o leito da Fepasa”, O Estado de S. Paulo, 30 de março de 1976, página 62
Ontem citei as muitas alterações que foram feitas no projeto da atual Linha 3-Vermelha, incluindo após o início das obras, em 1972. Ao longo de muitos anos, houve indefinição do trecho Oeste, que em alguns momentos chegou a ser dado como inviável. Acima temos mais um exemplo, falando do uso do leito da Fepasa para que o ramal chegasse à Lapa. Como sabemos, ele não passou da Barra Funda.
Uma leitura do texto acima mostra que, naquele mês de março de 1976 falava-se em ter o trecho rumo a oeste seguindo pelos trilhos da Fepasa. (Vale ressaltar que, menos de oito meses depois, já se falava em seguir pelo subterrâneo, provavelmente acompanhando o leito da Rua Turiaçu.) Mas note a confusão que isso geraria: as linhas de subúrbio da Fepasa (atuais linhas 8 e 9 da CPTM) terminariam na Estação Lapa da atual Linha 8-Diamante — naquela época, a atual Linha 9-Esmeralda também tinha início na Estação Júlio Prestes. Assim, os usuários dos subúrbios que quisessem ir ao centro poderiam optar pelo Metrô. Enquanto isso, os trens de longa distância continuariam alcançando a Júlio Prestes, mas pelo leito da Estrada de Ferro Santos–Jundiaí (atual Linha 7-Rubi da CPTM).
Olhando para trás, parece óbvio que não daria certo, porque as duas empresas "não se bicavam", tanto é que até hoje há sindicatos separados para as linhas 8/9 (ex-Fepasa), 7/10 (ex-EFSJ) e 11/12 (ex-Central do Brasil. Muito se falou ao longo dos anos 1970 sobre a "interpenetração" das linhas, mas quase nada saiu do papel.
Também cito o trecho que diz o seguinte: "Com a linha Oeste no leito da Fepasa, o metrô correria paralelo ao subúrbio da Santos–Jundiaí, possibilitando, assim, a construção de estações de transferência com o subúrbio, oferecendo inúmeras alternativas de caminho a seus passageiros." Não dá para dizer se o uso do leito da Fepasa pelo Metrô seria, mesmo, uma boa ideia, porém outras estações de transferência poderiam ter sido feitas, além da Barra Funda. Isso teria ajudado a desafogar os gargalos que existem hoje na própria Barra Funda e na Estação da Luz.
“Metrô prepara inauguração da nova estação”, Folha de S. Paulo, 23 de novembro de 1983, página 17
A matéria fala sobre a Estação Anhangabaú, da atual Linha 3-Vermelha, que seria inaugurada no dia seguinte. Como de praxe, com atraso, já que o próprio texto menciona que a entrega originalmente estava prevista para 1981.
Destaque para o trecho que menciona o fato de a Ladeira da Memória ter sido "totalmente reconstruída de acordo com o projeto original do arquiteto Victor Dubugras, datado de 1922. Já o tal "ponto de encontro cultural", até onde sei, nunca chegou a ser uma realidade no local.
Outro destaque é para o trecho que falava que, por duas semanas, "quem [entrasse no] Metrô [por meio] da Estação Anhangabaú [faria] as viagens gratuitamente em toda a extensão das linhas Norte–Sul ou Leste–Oeste". O texto fala que a intenção do Metrô era deixar os potenciais novos usuários degustar o serviço. Hoje, quando se inaugura novas estações, a entrada nelas costuma ser gratuita por determinado período, porém a gratuidade é apenas até se chegar a uma estação já em funcionamento normal, onde se é obrigado a pagar a passagem, com troca de composição.