Existe uma figura na minha vida que sempre esteve lá. Alguém que me viu crescer, que me deu abrigo, conselhos, colo… mas também um laço apertado demais, desses que confundem amor com controle, presença com prisão.
Durante muito tempo, eu me moldei pra agradar, pra ser aceita, pra evitar o desconforto de ser contrariada por ela. A cada decisão, havia uma sombra — uma voz que dizia que eu não saberia lidar sozinha, que era melhor fazer do jeito dela, que meu erro seria imperdoável. E eu acreditava. Me perdia em tentativas de não decepcionar.
Não é fácil admitir, mas existe uma dependência ali. Emocional, invisível, silenciosa. Uma parte minha que, mesmo adulta, ainda pede permissão pra existir.
Mas eu tô cansada de pedir desculpa por ser quem sou.
Tô cansada de me diminuir pra caber no molde de alguém que me ama, mas não me entende.
E mesmo doendo, mesmo com medo, sei que preciso cortar esse cordão invisível. Não pra machucar, não pra me afastar... mas pra respirar. Pra me tornar inteira.
Crescer é, às vezes, decepcionar quem a gente mais ama.
E tudo bem. Porque quebrar ciclos também é um ato de amor. E eu preciso me amar.












