Eu estava deitada no meu sofĂĄ, naquele apartamento tĂŁo escuro, mas tĂŁo confortĂĄvel ao mesmo tempo. Suspirei, fitando a TV â completamente sem interesse no filme de terror que passava -, recostada no ombro do Liam, que quase tinha um ataque do coração quando o monstro dava um susto. Como eu nĂŁo estava prestando muita atenção no contexto, eu sĂł ria das suas caretas. Ele jĂĄ tinha derrubado pipoca em mim umas duas vezes. Eu sĂł nĂŁo brigava com ele por que era meu melhor amigo.
â Vai Liam, me dĂĄ um pouco de pipoca antes que vocĂȘ jogue tudo no chĂŁo. â eu disse, olhando para a TV, e esticando o braço, tateando pelas suas pernas, onde deveria estar a vasilha.
â Hum, Annie? Isso nĂŁo Ă© a vasilha. â Ele disse, e eu olhei para seu rosto. Mesmo com o quarto completamente escuro â tirando a luz da TV â percebi que ele estava meio corado. Olhei para baixo eu mesma, e corei violentamente.
Oh, fuck. Isso de verdade não é a vasilha. Pensei, enquanto tirava minha mão rapidamente do meio de suas pernas.
â D-desculpa! â gaguejei nervosamente, e o Liam assentiu, baixando a cabeça, enquanto ria acanhado. Peguei a vasilha â dessa vez olhando â que estava na sua perna direita, longe de mim. Abocanhei um bocado e mastiguei, ainda sentindo o rosto quente.
Esse tipo de coisa sempre acontece conosco. Refleti, ainda distraĂda do filme, lembrando das vezes que esses momentos tensos aconteciam. E nĂŁo eram poucas as vezes, de verdade. Sorri. Do jeito que eu era pervertida, eu poderia continuar com aquilo para sempre. Mas ele jĂĄ tinha dona.
â O que foi? â Liam perguntou, vendo meu sorriso. Balancei a cabeça em negativa. Apontei para a TV, onde uma menina estava sendo esquartejada.
â Hum, Ă© engraçado como eles fazem parecer real. Ă como se eles tivessem um psicopata na equipe de direção que explica detalhadamente como isso Ă© feito. â eu disse, e lĂĄ ia eu com minhas divagaçÔes loucas. Mas pelo menos ele riu.
â VocĂȘ Ă© sĂł um pouquinho louca, sabia? â ele disse, passando a mĂŁo pelos cabelos  enquanto sorria.
â Mas Ă© por isso que vocĂȘ me ama. â eu disse, fazendo uma carinha de criança para ele. Ele gargalhou novamente, abraçando minha cabeça e dando um beijo na minha testa. Eu fiquei imaginando que a namorada dele ia ter um ataque se nos visse naquele momento. Mas bom, para Liam era completamente normal, jĂĄ que ele me considerava sua irmĂŁzinha perdida.
E bom, isso nĂŁo Ă© de todo mal, tendo em mente os privilĂ©gios que eu tenho. Pensei, enquanto tinha minha cabeça esmagada pelos braços musculosos do garoto. Eu sabia que era errado perverter tanto ele, sabendo que eu era uma das pessoas que ele mais confiava â alĂ©m dos meninos da One Direction, mas enfim -, mas eu simplesmente nĂŁo conseguia evitar. Se vocĂȘ tivesse um amigo assim, vocĂȘ tambĂ©m o perverteria tanto quanto eu.
â Mas vocĂȘ nĂŁo tem medo disso? â ele me perguntou, depois de uns minutos, quando seu acesso de carinho passou. Agora eu estava recostada em seu peito, e ele mantinha o braço sobre o meu esquerdo. Teve de apertĂĄ-lo um pouco para que eu entendesse que ele tinha falado comigo. Olhei para cima, fitando seus olhos intensos.
â Qual foi a pergunta? â eu disse, sem querer me perdendo no seu olhar. ImpossĂvel nĂŁo. AliĂĄs, que sorte maldita tem a namorada desse garoto.
â TĂĄ surda, Annie? Perguntei se vocĂȘ tinha medo. â Liam disse, sorrindo e puxando um de meus cachos. Dei a lĂngua para ele.
â Idiota. E nĂŁo, nĂŁo tenho medo desse filme. Pelo menos nĂŁo tanto quanto vocĂȘ tem. â eu disse, sorrindo debochada. Ele levantou uma sobrancelha para mim.
â VocĂȘ nĂŁo tem medo de nada? â perguntou novamente, me pegando um pouco de surpresa. SerĂĄ possĂvel que ele ia filosofar comigo agora? Balancei a cabeça em negativa.
â NĂŁo que eu me lembre agora. JĂĄ vocĂȘ, eu nem pergunto. â eu disse, ainda brincando. Ele rolou os olhos, voltando a olhar o filme. Continuei a encarĂĄ-lo pelos dez segundos seguintes. Depois suspirei, virando o rosto para a tela. A garota esquartejada tinha sido encontrada pelos amigos, e agora eles iriam ser atacados.
â Bom, acho que meu Ășnico medo Ă© perder a pessoa que eu amo. â eu disse, num impulso. Me arrependi no momento seguinte, nĂŁo sabia como aquilo tinha saĂdo da minha cabeça. Ele me olhou rapidamente.
â Obrigada. â ele disse, e eu arqueei uma sobrancelha para ele. Depois eu entendi o motivo do agradecimento. Pois Ă©, eu sou lenta assim mesmo.
â Hey! O que te faz pensar que Ă© vocĂȘ? â eu disse, batendo em seu peito de leve, me distanciando dele. Liam deu uma risada baixa, daquelas que fazem suas prĂłprias cordas vocais tremerem.
â E quem mais seria? Me diz! â ele desafiou, e eu cruzei os braços sob o peito, olhando para o lado. NĂŁo ia admitir que ele estava certo, por nada. Isso seria confessar que eu o amo mais do que necessĂĄrio. E ele nĂŁo precisa saber disso, nem agora nem nunca.Pensei. Ă, essa era a minha histĂłria de amor recolhido. Eu o amo, mas ele Ă© meu melhor amigo e tem dona. Continuo amando-o, mas nĂŁo o deixo saber atĂ© que chegue o dia da minha morte.
â Me obrigue. â desafiei.
Liam se inclinou mais perto do meu rosto, com aquele sorrisinho de criança, que tinha pegado de mim. Mas tinha aperfeiçoado de uma maneira irritantemente funcional.
â Vai, me diz? Quem Ă© a pessoa que vocĂȘ mais ama? â ele continuou insistindo, e eu fiquei cogitando entre dar um soco nele, dizer qualquer um dos outros meninos ou beijĂĄ-lo.Sim, tinha essa Ășltima opção, por que a carne Ă© fraca. Inflei as bochechas. Se era para agir feito criança, entĂŁo vamos fazer isso direito.
Mas aĂ ele deu um beijo da minha bochecha, murchando-a ruidosamente. E, por mais que eu estivesse chocada e corada com seu movimento inesperado â claro, por que quando ele fazia isso, eu me preparava psicologicamente para aquilo -, eu comecei a rir descontroladamente. O mesmo fez Liam.
Um tempo depois estĂĄvamos correndo pela casa escura â por um motivo que eu desconhecia, jĂĄ que imaginava que nĂŁo fosse o assunto do sofĂĄ -, Ele atrĂĄs de mim, e eu tentando me esconder.
â Annie, cadĂȘ vocĂȘ? â ele perguntou, e eu pus a mĂŁo na boca, contendo uma risada. Ele achava mesmo que eu ia dizer onde eu estava? SerĂĄ que ele teve infĂąncia?
Ouvi seus pés se movimentarem pelo assoalho liso, bem perto de onde eu estava, mas do lado oposto. Eu tinha me escondido atrås da mesa de jantar. Me senti como uma garotinha de seis anos, mas eu não estava me importando. Me movimentei lentamente, enquanto ele se afastava para a sala. Desligou a TV, deixando a casa no escuro absoluto.Pronto, agora a porra ficou séria. Pensei, e quase ri da maneira que ele estava levando isso a sério.
â Annie... â ele disse, digo, sussurrou. Os pelos da minha nuca se eriçaram. Por que, porque meu deus, ele tem que ser tĂŁo sexy, e sem esforço? Pensei, rolando os olhos. Nem percebi que tinha mexido a cadeira sem querer.
â Achei! â Liam disse, se agachando do outro lado da mesa, seus orbes brilhando ao captar a pouca luz da lua, que traspassava pelas janelas. Eu dei um grito curto de susto, sem conseguir rir. Ele tinha se agachado numa posição parecida a um puma. Ele sorriu, vindo pelo lado esquerdo. Rapidamente me levantei, e comecei a correr, meu coração batendo a mil.
â Ah, dessa vez vocĂȘ nĂŁo escapa. â ouvi-o falar um pouco mais longe. E sim, ele ainda mantinha aquele sussurro assustadoramente sensual.
â Nunca vai me pegar! â eu disse, correndo logo em seguida para o corredor, lado oposto de onde eu tinha gritado. Como os dois estĂĄvamos descalços, era um pouco difĂcil saber onde cada um de nĂłs estava.
Mas foi esse recurso que acabou me deixando entre seus braços.
Depois que eu me recostei na parede, para respirar â eu estava mais sem fĂŽlego por nervosismo do que por que estava correndo â fechei os olhos, passando as mĂŁos pelo cabelo. O clima estava um pouco frio, e eu estava com somente uma blusa regata e um short de moletom, o que me fazia arrepiar a cada vez que uma brisa entrava.
â Peguei vocĂȘ. â ouvi a voz do Liam Ă minha frente, e prendi a respiração, sentindo o coração dar um salto. Sua respiração quente batia contra minha bochecha, e minha coluna inteira se arrepiou.
â Meu deus, que susto! â exclamei baixo, finalmente abrindo os olhos. Encontrei seus olhos  queimando os meus, e seu sorriso malicioso, e o ar foi embora dos meus pulmĂ”es. Ele era lindo demais para ser verdade.
Mas depois eu percebi que a luz acima de nós estava acesa. Vagamente lembrei que eu estava em cima do interruptor daquela luz. Puta merda! Rolei os olhos mentalmente. Os braços dele desceram até a linha da minha cintura, ainda apoiados na parede.
â EntĂŁo, nĂŁo vai me contar? â ele disse, ainda me encarando, e por mais que eu tentasse desviar o olhar, acabava encontrando seus olhos de novo.
â Contar o que? â perguntei, completamente desorientada. Ele rolou os olhos, sorrindo de canto. Vai me dizer que ele estava me perseguindo por culpa daquilo? Ainda?!
â Vai, me diz quem Ă©. Eu vou morrer de curiosidade se nĂŁo souber. â ele sussurrou, me olhando de baixo. Eu quase admiti que era ele, mas mordi a lĂngua.
â VocĂȘ jĂĄ nĂŁo tinha se designado como tal? EntĂŁo, Liam. Sai dessa. â eu disse, empurrando-o de leve. Ele nĂŁo se moveu um centĂmetro.
â Eu sĂł estava brincando. Mas eu preciso saber, pra poder pelo menos te ajudar. â ele disse, e eu quase me parabenizei por saber esconder um segredo tĂŁo bem. Pelo menos aquele.
â Mas que discussĂŁo boba, vai, deixa dessa. â eu disse, tentando me manter tĂŁo calma quanto eu achava que estava. A nĂŁo ser que eu estivesse tĂŁo corada quanto tinha certeza que estava. Essa proximidade dele nĂŁo faz bem Ă minha sanidade. Liam continuou me encarando, dessa vez seus olhos assumindo uma expressĂŁo um pouco decepcionada.
â Ă o Harry, nĂŁo? Eu jĂĄ imaginava. â ele disse, seus braços caindo ao lado do corpo. Me senti como se tivesse sido atingida por um soco no estĂŽmago. Ele franziu o cenho, olhando para baixo.
â Liam, eu nĂŁo... â comecei, mas ele levantou a mĂŁo para mim, para que eu me contivesse.
â Annie, eu sei que ele Ă© meu melhor amigo, mas eu tenho que te avisar que ele nĂŁo vai mudar tĂŁo cedo, nem por vocĂȘ nem por ninguĂ©m. Ă uma pessoa inconstante. Ă horrĂvel eu ter de te dizer isso, mas vocĂȘ vai sofrer se ficar com ele. â ele disse, um pouco nervoso. Mordi o lĂĄbio, eu nĂŁo sabia como parĂĄ-lo. Mas de alguma forma ele estava se machucando com isso. Isso nĂŁo pode ser ciĂșme, ele tem sua namorada e...
â E eu sei que vocĂȘ Ă© cabeça dura, e quem sabe nem leve em consideração o que eu estou falando. AlĂ©m do que eu conheço o poder de persuasĂŁo do Harry... Mas fica sabendo de uma coisa, Annie. â Liam disse, chegando perto de mim, e segurando meu rosto, com o seu a centĂmetros. Meu coração estava batendo tĂŁo forte que eu imaginava que ele pudesse ouvir.
â Eu sempre vou estar aqui por vocĂȘ. Sempre. Ouviu bem? â Ele disse pausadamente, e seus olhos estavam marejados. Quase entrei em desespero, nĂŁo conseguia entender os motivos dele para agir assim. E outra, nĂŁo conseguia entender os motivos dele imaginar que eu amava o Harry. Eu mal falava com ele, e  o   Liam sabia disso.
â Cala boca...! â eu disse, franzindo o cenho, ainda com suas mĂŁos em meu rosto. Senti meus olhos arderem pelo tempo que fiquei encarando os olhos dele Ă minha frente. Ele ficou atĂŽnito, eu imaginava que ele ia falar algo mais, mas ficou parado. NĂŁo pensava que aquela seria minha reação.
â Como vocĂȘ diz uma coisa dessas para mim? Por que, Liam?! â eu sussurrei, ainda com o cenho franzido. Ele estava me acusando de ser cabeça dura, e isso era verdade, por mais que eu odiasse que me dissessem que eu era. Mas como ele conseguia ser tĂŁo cego?
â Mas o que? â ele disse, mas eu interpus o dedo indicador no seu rosto. Eu nĂŁo ia deixĂĄ-lo falar, nĂŁo atĂ© que eu me acalmasse e me controlasse para nĂŁo falar uma besteira.
NĂŁo que por dentro eu nĂŁo rezasse que ele lesse em meus olhos que ele era o Ășnico que me importava.
Me afastei de suas mĂŁos, sentindo logo o frio acometer os mĂșsculos do meu rosto. Passei as mĂŁos pelo cabelo, entrando em desespero.
â Annie? Como assim... EntĂŁo nĂŁo Ă© o Harry? â ele disse, e eu senti um pequeno alĂvio por dentro. Virei-me para ele respirando fundo.
â NĂŁo. â respondi, e ele mordeu o lĂĄbio, olhando para o chĂŁo, assentindo.
â EntĂŁo... Quem? â perguntou, e eu fechei as mĂŁos em punhos. Eu amava aquele garoto, mas estava a ponto de socĂĄ-lo para valer. Fechei os olhos.
â Por que isso interessa tanto? NĂŁo Ă© como se vocĂȘ pudesse fazer muito quanto a isso... â jĂĄ que a pessoa Ă© vocĂȘ... Refleti, novamente sentindo os olhos arderem, mas desta vez pelas lĂĄgrimas que se acumulavam em meus olhos.
â Por que me importo com vocĂȘ. E eu iria sim fazer tudo o que eu pudesse para te ajudar. â ele disse, chegando mais perto. Balancei a cabeça em negação.
â NĂŁo, Liam. VocĂȘ nĂŁo pode fazer nada, vocĂȘ tem seu prĂłprio amor para cuidar. SerĂĄ que nĂŁo entende? NĂŁo vai poder me dar o que preciso. â eu disse, abrindo os olhos e sem querer deixando escapar uma lĂĄgrima grossa. Ele sĂł nĂŁo a viu por que estava com a cabeça abaixada. Mas se ele nĂŁo tinha entendido a mensagem, era por que realmente nĂŁo estava na mesma frequĂȘncia que eu.
â Eu... De verdade tenho um amor para cuidar... Mas nĂŁo quem vocĂȘ estĂĄ pensando. NĂŁo sei se tinha te dito, mas eu terminei com Danielle. â ele disse. Danielle. EntĂŁo era esse o nome dela, eu tinha me esquecido. Engoli em seco, tentando conter mais uma lĂĄgrima, em vĂŁo. De que adiantava que ele tivesse terminado com ela, se eu conseguia sentir, pela sua voz embargada que ele ainda a amava?
â Mesmo assim, Liam. NĂŁo pode fazer nada quanto ao que eu sinto... â por vocĂȘ.Mordi o lĂĄbio, impedindo-me de completar a frase. Mas desta vez ele estava olhando para meu rosto. Chegou mais perto.
â Talvez eu nĂŁo possa te dar o que precisa â repetiu minhas palavras, levantando meu queixo com o dedo indicador â Mas quem sabe se vocĂȘ me disser quem Ă©, eu possa... â tentou continuar, mas eu jĂĄ nĂŁo aguentava mais. Ele conseguia sim ser a criatura mais cega desse mundo.
â CALA BOCA! â gritei, e novamente ele ficou atĂŽnito, olhando para o ser desesperado, vermelho e com marcas de lĂĄgrimas pelo rosto que eu era. Eu nĂŁo era uma das pessoas mais calminhas dessa terra. Mas dessa vez Liam estava disposto a continuar.
â Cala boca! â eu disse, assim que algum som se atreveu a sair de sua boca. Sem querer acabei chegando mais perto do seu rosto, quem sabe ele entenderia.
â Annie... â tentou, mas eu soquei seu peito, sem muita força.
â Cala boca! Cala boca. Cala boca... â eu disse, fechando os olhos. Eu nĂŁo sabia como esse amor estava doendo dentro de mim atĂ© aquele momento. AlĂ©m do que, eu estava exausta.
Mas aĂ o Liam pareceu ter um clique.
Senti a respiração lenta dele chegando perto do meu rosto, seus braços me envolveram, me puxando mais para perto. Me retraĂ um pouco, se ele estivesse somente me abraçando eu sairia daquela casa, jĂĄ que era impossĂvel para mim que ele fosse tĂŁo sem pista. Por mais que antes fosse bastante Ăștil. Mas agora ele nĂŁo estĂĄ mais com a namorada. EntĂŁo, nem que seja para me usar, por que eu nĂŁo posso mostrar o que eu sinto?
Sua respiração estava no meu nariz.
â Abre os olhos, Annie. â sussurrou, e eu inconscientemente obedeci. Fitei seus olhos, e havia algo de diferente ali. Mas eu nĂŁo o encarei tempo o suficiente para descobrir o que, jĂĄ que seus lĂĄbios se juntaram aos meus levemente. Sentir os seus lĂĄbios tĂŁo mais quentes - ou talvez os meus estivessem frios â fez minhas pernas fraquejaram. SerĂĄ que ele fazia ideia do que estava fazendo comigo?
Quando o Liam fez menção de se distanciar, e em um ato ansioso, segurei sua camisa.
â NĂŁo... â implorei, ainda de olhos fechados. Eu esperava que ele tivesse entendido.
â NĂŁo o que, Annie? â sussurrou, sua voz falhando um pouco. Abri os olhos devagar, para encontrar um Liam novamente Ă beira das lĂĄgrimas. Engoli em seco.
â NĂŁo seja cego, por favor. Olha para mim. â tentei manter o olhar firme, sem embaçar. Ele franziu o cenho.
â Eu nĂŁo consigo ver mais alĂ©m do que quero agora, Annie. â ele disse, deslizando o dedĂŁo por minha bochecha, limpando uma lĂĄgrima. Eu nĂŁo sabia por que era tĂŁo difĂcil para mim, falar as palavras... Mas eu queria tanto que ele entendesse de uma vez... Talvez eu ainda nĂŁo estivesse segura do que acabou de acontecer. Na verdade eu nĂŁo entendo por que ele fez isso. SerĂĄ que estou perdendo alguma peça?
â Continue assim. Ă exatamente o que quero. â eu disse, ainda fitando-o e apertando sua camisa. Ele mordeu o lĂĄbio. Meu coração acelerou, ele estava demorando muito. Ofeguei, puxando-o mais para perto. Um brilho passou por seus olhos, e assim que o vi, fechei os olhos.
Ficamos muito tempo nos beijando. Eu não sabia o quanto, mas não importava. Ele tinha entendido. Seus låbios eram urgentes na maior parte do tempo, como se estivessem tentando se fundir aos meus, de algum jeito. Suas mãos me seguravam firme, impedindo-me tanto de me mover quanto de cair. Eu segurava seus cabelos com força, tanto quanto ele segurava minha nuca, me mantendo sempre perto. Eståvamos à beira da insanidade.
Liam se recostou em uma parede qualquer, suas costas fazendo um triĂąngulo com a parede, me fazendo ficar entre suas pernas, e com a boca na minha altura. Eu jĂĄ nem sentia as minhas pernas.
â Eu te amo. â ele disse, entre ofegos, quando paramos para respirar. Eu ri, para mim era completamente sem importĂąncia repeti-lo.
â Eu te amo. â eu disse, mesmo assim. Ele sorriu, colando nossos lĂĄbios novamente. Mas desta vez havia algo diferente. Ele parecia um pouco mais calmo. Deslizou as mĂŁos pelas minhas costas devagar, parando na base delas. Um arrepio violento veio em seguida, e eu gemi baixinho em seus lĂĄbios. Liam riu, parecendo gostar da minha reação. Pus minhas mĂŁos por baixo de sua blusa, sentindo a pele macia e ao mesmo tempo, os mĂșsculos definidos. Arranhei-o devagar, no mesmo ritmo que nosso beijo ia, e ele apertou minha cintura, aprovando o contato. Continuei passando minhas unhas por seu abdome, fazendo-o suspirar e arrepiar. Quase sorri com suas reaçÔes.
Sem aviso, ele me prensou contra a parede, simplesmente se virando para a direita e apoiando todo seu peso em mim. Eu imaginava que ele conseguia ouvir as batidas do meu coração, tanto quanto eu ouvia as dele.Ele deslizou novamente as mãos, mas agora mais longe, indo parar no meio das minhas coxas, e eu mordi seu låbio devagar em resposta. Apertando minhas coxas, ele me ergueu, e automaticamente eu enrolei minhas pernas no seu quadril. E, com alguma surpresa, consegui sentir o volume em suas calças, talvez por completo em contato com o meu. Se bem que sem estes obståculos, seria bem mais interessante. Minha mente desvairou, enquanto Liam beijava meu pescoço. Ia deixar umas marcas bem roxas ali, mesmo que minha pele fosse mais morena que a dele. Mas depois de chupar a pele no local, passava os låbios levemente, como que se desculpando pelos maus-tratos.
Mesmo assim, essa brincadeira estava demorando muito para mim. Eu jĂĄ nĂŁo era muito paciente, e jĂĄ tinha esperado bastante tempo para tĂȘ-lo assim. Logo dei conta de sua blusa, jogando-a em algum canto desconhecido, enquanto ele ria. Mas nĂŁo demorou muito, e ele jĂĄ tinha tirado a minha tambĂ©m. Vagamente senti um pouco de frio, que foi embora quando começamos a nos beijar novamente, dessa vez com muito mais voracidade. Dizer que estĂĄvamos nos engolindo era pouco.
De repente Liam começou a investir em mim, e eu gemi, sem conseguir me conter. Suas mĂŁos passavam sem controle por cima do meu sutiĂŁ, e pela minha barriga, por vezes detendo-se no botĂŁo do meu short. Segurei forte em seus cabelos, como que me agarrando no Ășltimo pingo de sanidade que eu tinha. E ele apertava minhas coxas e bunda, como que disposto a me fazer perdĂȘ-la.
De algum modo chegamos no quarto, e consequentemente na cama. E a primeira coisa que caiu foi meu sutiĂŁ, retirado quase que violentamente. E daĂ ele me beijou, segurando meus seios, enquanto lentamente se movimentava por cima de mim. Respirei fundo, quase sugando todo o ar do quarto quando ele abocanhou um dos meus seios, rodando a lĂngua nos mamilos.
â Eu quero vocĂȘ. â Liam sussurrou perto do meu ouvido, e eu mordi o lĂĄbio, sorrindo. Ele nĂŁo fazia ideia de como eu queria ter ouvido isso antes. Afundou no meu pescoço, massageando com a mĂŁo esquerda meu seio direito. Cravei as unhas nas suas costas, sentindo sua lĂngua descer pelo meu ombro atĂ© meu outro seio. Mas ele nĂŁo se demorou muito lĂĄ, seguiu seu caminho, Ă s vezes mordendo. Chegou no cĂłs do short, arrancando um gemido de meus lĂĄbios, ao morder o local, tĂŁo sensĂvel para mim. Levantou o rosto, fitando-me com seus olhos brilhosos de desejo. Talvez tanto quanto os meus.
â Eu sou sua. â me senti na obrigação de dizer, respondendo Ă sua afirmação. Seu sorriso mais lindo se abriu, enquanto desabotoava meu short, sem desgrudar os olhos de mim. Desceu o jeans e a calcinha junto, e eu nĂŁo consegui evitar corar.
Joguei a cabeça para trĂĄs, assim que senti seus dedos separando meus lĂĄbios, e logo depois soltei um gemido longo quando um de seus dedos me penetrou. Colocou mais outro, beijando minha virilha, enquanto movimentava os dedos para todos os lados possĂveis. Eu me recusava a gozar sĂł com seus dedos, mas estava um pouco difĂcil.
Ficou mais ainda quando ele começou a beijar minha intimidade, e logo a aplicar pequenas lambidas no local. Os vizinhos deveriam achar que estava acontecendo um assassinato naquela casa, do jeito que eu gritava. Ele me penetrou com a lĂngua, mas eu logo acabei gozando. Com algum acanhamento percebi que  Liam sorveu todo meu lĂquido, vindo depois para me beijar.
â VocĂȘ Ă© deliciosa. â disse, antes de me beijar, e eu pude sentir meu gosto misturado com sua saliva. E eu jĂĄ nĂŁo conseguia esperar, eu tinha que provĂĄ-lo, dizer o mesmo. Pus minha mĂŁo por cima do volume em sua calça, habilidosamente desabotoando e baixando o zĂper. Liam se levantou para tirar aquela peça tĂŁo incĂŽmoda, e eu fui junto, engatinhando atĂ© o cĂłs da boxer. Olhando-o de baixo, abaixei devagar a peça, enquanto ele  mordia o lĂĄbio.
â AtĂ© vocĂȘ se conteu direitinho. SerĂĄ que continua assim? â provoquei, baixando completamente a peça, e sentindo o falo quente na mĂŁo. Ele pulsava, e era maior do que um dia eu tinha imaginado. Movimentei a mĂŁo em toda sua extensĂŁo e voltando, imaginando como ia colocar aquilo na boca.Liam sugou ar quando apoiei os lĂĄbios na cabeça do membro abocanhando somente a ponta em seguida.
âAhh... â ele sussurrou baixo, mas ainda nĂŁo era suficiente para meus ouvidos. Eu queria que aquela fosse uma noite tĂŁo boa para ele quanto estava sendo para mim. Desisti do movimento, deslizando a lĂngua pela sua extensĂŁo, e finalmente ouvi aquele gemido contĂnuo que esperei tanto. Voltei com a lĂngua atĂ© a ponta, arrancando um ofego, continuação do gemido, tirando qualquer resquĂcio de ar em seus pulmĂ”es. Liam investiu, e daĂ eu percebi que ele estava sofrendo demais. Coloquei tudo o que pude na boca, cobrindo o resto com a mĂŁo, e começando a me movimentar, enquanto ele sugava ar.
â Haaah... â ele gemeu, curvando-se um pouco e segurando minha cabeça, começando a me forçar. Cedi ao movimento por que estava confortĂĄvel, e logo entrei no ritmo que ele queria, tanto eu aproveitando o falo na minha boca.
Não demorou muito, Liam deu sinais que iria terminar. Seu abdome se contraiu, e ele começou a gemer cada vez mais alto, e não conseguia evitar investir contra minha boca.
â Ah, A-nnie, eu vou go-o...- começou, mas sua voz se perdeu eu um ofego enquanto ele se desmanchava em minha boca. Os jatos quentes desceram pela minha garganta, e o que ficou em seu membro, limpei com a lĂngua. Eu estava satisfeita, e ainda surpresa, jĂĄ que ele continuava bastante âem pĂ©â. Liam me levantou, sorrindo de canto, e me beijou. E pareceu buscar com a lĂngua seu prĂłprio gosto dentro da minha. Logo senti algo cutucar minha barriga.
Puxei Liam de volta para a cama, deixando-o entre minhas pernas. Ele sugou meu lĂĄbio, enquanto se encaixava entre minhas coxas, penetrando devagar. Movimentou-se lentamente, quase me torturando. Me senti alargar um pouco, talvez pelo seu tamanho, mas foi algo completamente incrĂvel.
â TĂŁo apertada... JĂĄ fez isso antes? â perguntou, e eu assenti, suando frio com a fricção que ele fazia na minha intimidade.
â VocĂȘ Ă© que... Ă Muito grande. â eu disse, dando-lhe um selinho. Liam riu.
Mas depois ele mesmo pareceu nĂŁo aguentar a lentidĂŁo, e passou a acelerar os movimentos. Logo estĂĄvamos os dois gemendo, quase sem aguentar.
â NĂŁo acredito que... Perdi tanto tempo... Sem vocĂȘ. â Ele disse, entre uma estocada forte e outra, e eu mordi o lĂĄbio, contendo um gemido alto antes de falar.
â Se eu soubesse... NĂŁo tinha demorado tanto a te contar. â sussurrei, e ele riu, aumentando a força e velocidade das estocadas. Ele estava batendo no começo do meu Ăștero.
Era estranho conversar qualquer coisa romĂąntica por enquanto que fazĂamos aquilo, mas era verdade o que nĂłs dizĂamos.
Em um momento Liam deslizava rapidamente dentro de mim, incentivado por mim gemendo seu nome, e no outro momento parou, estocando fundo, e eu senti seu corpo tremer, logo depois seguido do meu. Não me lembro de mais nada além de sentir algo quente escorrendo pelas minhas pernas.
Eu sentia ondas de calor percorrendo meu corpo. E elas pareciam vir de dentro do meu Ăștero, me imobilizando com as unhas cravadas nas costas dele.
â Annie... â ele ofegou meu nome, no meu ouvido. Eu jĂĄ nĂŁo sabia mais o que estava sentindo, sĂł fiquei aproveitando o contado da pele nua dele na minha, sentindo seu calor, e atĂ© seu peso sobre mim. Como se fosse parte de mim, como se fosse algo que perdi, e reencontrei. Me senti completa.
E foi aĂ que percebi que eu nĂŁo podia ter escolhido pessoa melhor para ser minha, e para me ter como sua.