Minha poesia era sofisticada demais para o teu analfabetismo emocional.
Não porque eu escrevesse difícil,
mas porque sentia fundo.
Tu buscavas legenda,
eu entregava abismos.
Querias frases fáceis,
e eu falava em entrelinhas, silêncios, rachaduras.
Minha palavra vinha carregada de história,
de medo vencido,
de amor que sangrou sem fazer cena.
E tu, habituado ao raso,
chamaste de exagero aquilo que era verdade.
Não te faltou inteligência,
faltou coragem de sentir.
Porque ler poesia não é decifrar letras,
é permitir que elas desorganizem por dentro.
E eu entendo agora:
nem toda mão sabe tocar o que é delicado,
nem todo peito sustenta profundidade.
Por isso, não me calei.
Transformei tua incapacidade de sentir
em verso.
(@meus-excessos) ✍🏽

















