Muito pior do que a certeira desilusão causada por um “não”, a presença de um “quase” no percurso da vida talvez seja a mais angustiante experiência pela qual podemos passar. É que um não dito em alto e bom som, muito embora possa nos deixar com a sensação de que não vivemos tudo, traz consigo a certeza de que acabou. Um “quase”, entretanto, deixa uma lacuna difícil de ser preenchida. Pior. Deixa uma lacuna que parece estar sempre perto de se preencher. Cria-se, então, a esperança de que mais dia, menos dia, aquilo que lhe faltou, não mais lhe faltará. Retira-se do coração a capacidade de saber para onde ir e faz outros caminhos parecerem precepitados. Com o passar do tempo, entretanto, você passa a perceber que “não’s” também podem sair de sua boca. É que não há alma que se alimente de “quase” e não há história que se sustente em existir pelas metades. Não aceite em parcelas um sentimento que só serve inteiro.
do livro: Perigosa Amizade










