Ela nasceu pra ser do mundo.
Tudo pode ser pouco, tampouco pode ser muito.
Intensa.
Faz de uma simples coisa motivo pra escarcéu.
E vira circo, feira, bagunça.
Explode. Troveja. Desaba.
E depois de ser tempestade, vira arco-iris, vira sol.
Como se nunca tivesse havido uma tempestade.
Tão confusa.
Não sabe lidar com as explosões que acontecem dentro de si.
Machuca,
Se machuca,
Endurece,
Mas no mesmo segundo se arrepende.
Apodrece.
Já tinha devastado tudo.
Catástrofe.
Como poderia alguém lidar com aquilo ?
Aquilo, coisa, humano ou bicho ?
Quem decifra, enlouquece comigo.
Falo dela e me refiro a mim ?
Ou falo de mim me referindo a ela ?
Quem é ela ?
Quem sou eu ?
Como catástrofe, sempre é singular.
Fica só.
Tua intensidade não cabe nas minimidades desse mundo.
Magoa a si mesma e quem está ao redor.
Já a fizeram tão mal, que tua defesa é ser assim.
Afasta todos de si.
Maltrata para não ser maltratada.
Mas pega gente inocente.
Volta atras, já era tarde demais.
Mais um que me deixou pra trás.
Culpa desse vulcão que carrego.
Fervescente, me queima por dentro,
Como a lava, quando esfria vira rocha.
Dura. Seca. Sem vida.
Nem ela aguenta a si, quem aguentaria?