⧼ daniela nieves, alquimista, supressor, LAZULI ⧽ — Eu, MILLICENT CELESTE HEVELIUS, 27 anos, vinda de OSFRID, me comprometo a realizar o requerido junto à Corte de Luz, deixando minha antiga vida para trás, e assumindo, desde já, os encargos deste serviço, nos termos deste contrato.
𝐑𝐀𝐆𝐎𝐓𝐄𝐑 —
Caridosa, diligente, uma boa garota. Essas qualidades sempre foram atribuídas a Millicent desde tenra idade. Vivia em uma fazenda com seus pais, e ainda que não houvesse nascido em um berço de ouro e não estivesse destinada à grandeza, sempre sentiu-se grata pelo pouco que tinha - mesmo sem possuir sequer uma cama para chamar de sua. Cresceu em um ambiente feliz, explorando a oportunidade de colher frutas do pé, andar descalça na terra molhada, tomar um banho de rio com os irmãos. Apesar de estar sempre ocupada demais, inserida em suas diversões simples, também encontrava tempo para ajudar a mãe a quarar roupas e estendê-las em varais de bambu, ou auxiliar a progenitora em outras tarefas domésticas. Apesar disso, havia coisas estranhas acontecendo a sua volta que era incapaz de perceber, como o impacto que um plebeu com poderes poderia causar na sociedade.
Defeito, bruxa, uma mulher. O primeiro problema que precisou enfrentar junto a sociedade veio quando dedicou-se aos conhecimentos botânicos e boticários, com a melhor das intenções de poder auxiliar os enfermos da pequena vila onde os Hevelius viviam. A grande problemática é que Millie havia nascido sob uma condição imutável e capaz de torná-la um grande alvo: era mulher. Foi quando curou o filho do sacerdote local, castigado por intensa febre a dias, graças a sua afinidade com ervas, que fora taxada de bruxa. Na época, com pouco mais de quinze anos, mas dona de uma esperança ímpar sobre dias melhores e uma crença infinita na humanidade, não entendeu o desespero da mãe ou os gritos que vinham em volta de si, a acusando. Ela não compreendia porque estava sendo mandada embora por vizinhos, porque estava sendo retirada dali do seu lar. Não entendeu porque estava sozinha.
Prisioneira, mentirosa, um fracasso. Sem que se desse conta, a alta sociedade osfridiana começou a fazer parte de sua existência. Tendo sido arrastada até Osfrid, a capital de Osfro, Millicent foi imediatamente levada para um quartel onde passou cinco dias e quatro noites antes que um alferes se desse ao trabalho de explicar o porquê dela estar ali: seria testada. Por algum motivo, contudo, não houve manifestação alguma de que havia sido abençoada por algum dos Anjos Gloriosos, nem mesmo por Aviel que suspeitavam após ouvirem o relato de quem havia a carregado até ali. Por isso, fora liberada na sua quinta noite em Osfrid, sendo nítida a decepção nos olhos de seu carrasco ao soltá-la. Aprendera, mais tarde, que militares recebiam determinada quantia de ouro como bônus, sempre que encontravam um detentor de poderes entre os plebeus. Voltando a sua soltura, ainda que imaginasse que pudesse enfim voltar para casa, Millicent deparou-se com um único problema que consistia na mesma carroça que levou-a até ali não estar apta para carregá-la de volta a sua casa, e sem dinheiro algum, Millie encontrou a necessidade de encontrar um serviço.
Rebelde, ladra, um pote de ouro. O problema era que a uma dama em sua posição, sem documentos que pudessem comprovar sua identidade, sem dinheiro, e com uma história real mas pouco convincente, não eram muitas as vagas que sobraram. Entre o bordel, uma taberna e a loja de fármacos, restou para a Hevelius a área responsável por aquele capotamento em sua vida. A proximidade com os boticários, porém, a deixava saudosa de casa, e foi num ato de desespero que, após pouco mais de uma semana trabalhando, tentou furtar seu empregador, retrocedendo ao quartel. Independente dela avisar os militares sobre frustrações que poderiam sentir ao testá-la, pois já havia passado por aquilo há algumas semanas, não demoraram mais do que dez minutos para abrirem a palma de sua mão com a adaga. Para a surpresa dela própria, no entanto, um símbolo formou-se na água benzida, e na manhã seguinte ela era jogada dentro de uma carroça, para enfrentar uma longa viagem.
Selvagem, prisioneira, uma arma. Jogada aos pés de Jasper e Charles Thorn, Millie foi trocada com os administradores por um punhado de peças de ouro. Pelo que lhe fora explicado depois de cessar a boca de tanto gritar por socorro, e até mesmo cotovelar a costela de um dos homens, estava fadada ao sucesso. Algo que ela definitivamente não queria, mas era também incapaz de escapar. Ao que tudo indicava, seu antigo empregador era dotado de habilidades, e ficaram sabendo que ele tornou-se impelido a usá-las após a garota o tocar. Uma verificação foi feita, submetendo indivíduos de Blue Spring Manor (onde entendera que estava) ao toque dela, para concluírem a natureza de suas habilidades e explicar que, se desejava retornar a ver sua família, deveria ajudá-los a encontrar um bom casamento para ela própria.
Desinteressada, fugitiva, uma garota de luz. Depois de passar alguns dias trancada em um quarto da mansão, ela alegou estar pronta para aceitar a proposta dos Thorn, mas notou que sua mentira era previsível, e esperada, quando teve sua fuga interrompida por um deles montado a cavalo, levando-a de volta à mansão. Decorreram mais alguns dias, destinados à reflexão, para que verdadeiramente aceitasse que precisava enfrentar aquilo para conquistar sua liberdade. Se deveria realizar o treinamento, ela o faria, ainda que isso não fosse sinônimo de dedicação e bom desempenho. Millicent não se esforçou minimamente para obter boas notas - não seriam aquilo que a rotulariam, além de imaginar que quanto menor fosse seu valor naquele mercado, mais rápido poderia se livrar disso. Por isso, quando os anos se passaram, sendo ela possibilitada de manter contato com sua família - sua mãe adorava que a filha estivesse se tornando, em suas palavras, alguém importante -, foi destinada a joia Lazuli, e foi com um enfadonho vestido azul que chegou a Wisteria Hollow, convencida de que se casaria em alguns dias e que seria mais simples fugir de um tolo marido do que daqueles estranhos administradores.
𝐂𝐎𝐍𝐃𝐔𝐈𝐓𝐄 —
Millicent é uma pessoa corajosa, com uma mente aberta e curiosa, que valoriza sua liberdade e independência. Ela é apaixonada por ervas e tem habilidades para fazer medicamentos caseiros com elas, o que demonstra um interesse pela natureza e por soluções práticas. Ela pode ser resiliente, lutando para superar obstáculos e provar seu valor, mas também pode ser cautelosa e cuidadosa ao tomar decisões importantes. Em geral, ela é uma pessoa forte e determinada, com um grande potencial para superar as adversidades. Ainda que a forma como foi separada de sua família tenha alterado sua visão de mundo, Millie tem fé nas pessoas. Mas essa ingenuidade pode se provar bastante perigosa, vez que acredita que se libertará em breve, sem sequer cogitar que existe um motivo para terem lutado tanto para a manter sob as asas da Thorn.













