Law Thinking: uma nova forma de pensar o papel do advogado
No início dos anos 70, professores da universidade americana de Stanford começaram a tratar o design como uma forma de pensar, de abordar problemas e criar soluções inovadoras. Atualmente, raras são as start-ups que de uma forma ou de outra não se beneficiam dos princípios do Design Thinking para estruturar as suas operações e assim reduzir os riscos inerentes aos novos negócios.
Mas estamos na era da “disrupção”- um fenômeno ainda em alta - e todos os processos de uma empresa precisam ser revistos para se adaptar à velocidade das conexões e as suas necessidades de pivot. Então, além desse olhar criativo do designer, que outros profissionais poderiam contribuir com a sua visão e experiência para pavimentar o caminho de crescimento das start-ups, evitando erros estruturais que podem vir a comprometer o seu futuro? Talvez um economista, um administrador, um mentor... E que tal um advogado?
Daí surgiu o questionamento: se grandes empresas costumam ter um advogado interno (inhouse lawyer) - muitas vezes, até mais de um - que coloca o seu conhecimento jurídico a serviço do desenvolvimento dos negócios da empresa, porque não ampliar esse entendimento para as Startups?
Acontece que pequenas empresas e startups não têm condições de contratar um advogado interno com dedicação exclusiva. A realidade é que são justamente elas as que mais precisam de um suporte jurídico permanente, do olhar de um advogado sobre modelos, negócios, parcerias... O advogado é o responsável por todos os aspectos legais da empresa, mas sua atuação vai muito além da advocacia preventiva ou do trabalho contencioso.
Foi analisando a minha experiência como inhouse lawyer de grandes empresas que pensei: e se os empreendedores tivessem desde o início - desde o início mesmo! - alguém ao seu lado, pensando o negócio a partir de uma perspectiva e estratégia jurídica? Se mesmo antes de escalar, pudessem contar com um advogado interno, 100% focado em ajudar a desenvolver o seu produto e a empresa de uma forma correta, saudável, sustentável no longo prazo?
Como isso, resolvi pegar emprestado então o conceito lançado pelos professores de Stanford e discutir um novo modelo de atuação para nós advogados: o Law Thinking. Um modelo que viabiliza um suporte integral para start-ups e PMEs análogo ao do advogado interno e que se baseia em cinco pilares:
Foco nas necessidades do negócio (business oriented)
Segurança na medida do possível (relações saudáveis desde o início)
Sustentabilidade (preparação para um crescimento sustentável do negócio)
Simplicidade (busca do caminho mais curto para a solução)
Disponibilidade (como um recurso interno).
Tem alguns que vão além, e mostram que o novo advogado tem que abraçar o conceito de Legal Design Thinking (leia mais sobre aqui):
Todos queremos um bom advogado que resolva se dedicar ao negócio, com a capacidade não só de reduzir os riscos da nova start-up mas também de ampliar as suas possibilidades, indicando caminhos que não são óbvios mas são legais, é claro. Precisamos sempre lembrar que uma start-up normalmente traz para o mercado soluções e estruturas nas quais ninguém havia pensado antes, e muitas vezes, apresenta algo tão inovador que nem estava previsto nas leis. É aí que se torna necessário entender os princípios do negócio e os das leis para ver se eles coincidem ou colidem. Isso pode fazer toda a diferença no futuro da start-up.
Vale ressaltar que não estou falando do advogado que só sabe dizer “não” e “não dá”, mas sim de um que veste a camisa e chegue junto e pense estrategicamente junto com o empreendedor.
O que eu pretendo com esse modelo? Fazer com que as start-ups entendam que o advogado não é alguém que deve ser chamado apenas na hora do contrato ou da crise. Ele pode - e deve! - caminhar de mãos dadas com o empreendedor desde o início, pensando o seu negócio e abrindo novos caminhos e possibilidades.
Alguns empreendedores de visão já abraçaram essa parceria, pois sabem que - além de ganhar muitas estrelinhas na hora de receber investimento! – o negócio tem mais chances de emplacar sem muitas dores de crescimento.
Para finalizar, citarei um dos meus autores preferidos: o grande Alexandre Dumas!
Quando entramos na sua vida, temos que ser UM POR TODOS E TODOS POR UM!
*foto publicada em 26/11/2014 no perfil do Instagram do fellandfair








