âEm seguida, pela via da polĂtica, vieram a distensĂŁo, a Anistia, que nĂŁo significa esquecimento, as Diretas JĂĄ!, derrotadas, a Nova RepĂșblica que de nova teve nada, o impedimento dos colloridos e os mensalĂ”es tucanos e petistas.
Hoje, busca-se apurar os crimes do Estado...
DaĂ o presidente do COL estar em maus lençóis e em tal desespero que usa a pĂĄgina da CBF para tentar explicar o inexplicĂĄvel.â
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18 de Março 2013, Folha de São Paulo
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Não vå o sapateiro além dos sapatos e o jornalista além dos fatos.
Havia em 1964 um governo confuso e fraco no Brasil, presidido por um certo JG que havia sido eleito vice-presidente do renunciante amalucado JQ, que havia sucedido JK, predestinado a voltar nas eleiçÔes previstas para 1965.
JG tinha o apoio de setores progressistas para fazer certas reformas que se impunham no paĂs desigual, mas foi derrubado pelo golpe dado por militares que rasgaram a Constituição, apoiado pela sociedade civil com Deus pela FamĂlia e a Propriedade.
O alegado risco de o Brasil se tornar comunista era o mesmo que de a seleção brasileira, então bicampeã mundial de futebol, perder um jogo contra o time infantil dos EUA.
O tempo engrossou, houve quem reagisse ao golpe, alguns poucos polĂticos de carĂĄter, intelectuais sensĂveis, artistas corajosos e, sobretudo, estudantes.
De indignação em indignação, de repressão em repressão, o tempo foi fechando até que a ditadura de fachada cordial se assumiu como tal, com o quinto Ato Institucional, que fechou o Congresso Nacional e suspendeu até o direito individual.
EntĂŁo, como disse nĂŁo Lenin, muito menos Che, mas Kennedy, "os que fazem a revolução pacĂfica inviĂĄvel tornam a revolução armada inevitĂĄvel".
JG, JQ, JK, os da polĂtica, estavam todos cassados pelos golpistas, entre eles o lĂder integralista PlĂnio Salgado, por meio de quem JosĂ© Maria Marin entrou para a polĂtica.
Assim, patriotas equivocados como alguém disse depois, pegaram em armas para, de maneira suicida, tentar derrubar a inabalåvel ditadura que, com seu poder férreo, abusou da tortura e dos assassinatos de seus inimigos.
E Ă© disso que se trata agora, por meio da ComissĂŁo Nacional da Verdade, que convocarĂĄ Marin.
Contar tintim por tintim quem torturou, quem matou, quem alcaguetou ou foi cĂșmplice da barbĂĄrie.
Os que resistiram, por mais erros que tenham cometido, lutavam contra quem feriu o processo democrĂĄtico e, mesmo em busca de uma outra ditadura, a tal do proletariado, foram punidos com prisĂŁo, morte, exĂlio, sumiço e, pior, torturas.
Em seguida, pela via da polĂtica, vieram a distensĂŁo, a Anistia, que nĂŁo significa esquecimento, as Diretas JĂĄ!, derrotadas, a Nova RepĂșblica que de nova teve nada, o impedimento dos colloridos e os mensalĂ”es tucanos e petistas.
Hoje, com um paĂs, apesar de tudo, muito melhor que o de antes, busca-se apurar os crimes do Estado. Simples assim.
Daà o presidente do COL estar em maus lençóis e em tal desespero que usa a pågina da CBF para tentar explicar o inexplicåvel.
DaĂ, tambĂ©m, mais de 40 mil brasileiros jĂĄ terem assinado a petição "Fora Marin!".
Porque, além de dedo-durar, ele discursou para o torturador Sérgio Paranhos Fleury elogiar. Ou também vai negar?
Juca Kfouri Ă© formado em ciĂȘncias sociais pela USP. Com mais de 40 anos de profissĂŁo, dirigiu as revistas "Placar" e "Playboy".
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"Soa como ironia um admirador do torturador SĂ©rgio Paranhos Fleury dirigir a CBF num paĂs presidido por quem foi torturada." [Zuenir Ventura]