Sei o que é andar por aí, pousando de lar em lar, lares que não eram meus, lares que talvez não eram mesmo de ninguém. Presenciei brigas familiares, fui acolhida por gatos que deitavam aos meus pés, pousei em apês antigos e enormes, cheios de livros e cultura e pequeninos apartamentos divididos por mais gente do que caberia ali. Dormi em camas confortáveis, no chão da sala, e em aeroportos. Deliciei-me com picolés, deitada no piso de madeira, ganhei temaki pra curar a ressaca; passei fome num sobrado. Tive medo e euforia onde noite e dia se misturavam; e pessoas saíam aliviadas após entrarem na expectativa e apressadas. Fiquei em casa de família, onde tinha que acordar cedo e amar sem barulho e sem desejo, para ter onde ficar. Estive por aí. Agora só por aqui.














