Uma das razões pelas quais a intersecionalidade constitui um desafio é que ela aborda diferenças dentro da diferença. - Kimberlé Crenshaw
Foto: University of Wisconsin Law School. Edição de imagem: Renata Mol.
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Uma das razões pelas quais a intersecionalidade constitui um desafio é que ela aborda diferenças dentro da diferença. - Kimberlé Crenshaw
Foto: University of Wisconsin Law School. Edição de imagem: Renata Mol.

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Essa exigência por explicações é uma reação tÃpica quando o racismo está em pauta nos espaços feministas. E isso me dá a impressão de que nós, brancas, precisamos ser convencidas, que as respostas devem ser entregues a nós. Caso contrário, é tudo exagero e invenção. Por isso acredito que o motivo de a supremacia branca não ser muito discutida em espaços feministas predominantemente brancos e com maior alcance somos nós mesmas.
Texto novo no blog.
Escrevo texto sobre apagamento do trabalho de mulheres negras e dizem que meu tom é bravinho e rancoroso. Além de me oferecerem uma "crÃtica" como presente. Poxa, que honra.
Da outra vez que falei sobre como a supremacia branca está relacionada com transfobia, me chamaram de racista. Agora disfarçaram infantilização de crÃtica e me chamaram de arrogante. Saquei. Sinto cheiro de padrões.
No texto (não pessoa, TEXTO) que eu critiquei, tem um link pro QP falando sobre a origem da intersecionalidade. No texto em si sequer tem menção de que quem criou o conceito foram mulheres negras e em momento algum dá a entender o contexto em que ela foi criada. Há uma diferença imensa nisso.
Criticaram a ausência de explicações e argumentos no texto. O argumento, pra mim, tá bem claro. E as explicações, bom, eu também quero. Porque o que fiz com o texto foi criticar o apagamento e questionar um bocado, inclusive meu próprio feminismo.
Há pessoas que querem respostas o tempo todo. Mas sem questionamento você só vai chegar a versões adaptadas da situação atual. E a supremacia branca patriarcal agradece.
E não é nada surpreendente que justo o trabalho de mulheres negras seja menosprezado dessa forma no feminismo. Eu não consigo compreender a necessidade de feministas desrespeitarem mulheres negras o tempo todo. Quer dizer, compreendo a origem desse desrespeito e como manter essa relação de poder nos beneficia como brancas. Mas conscientemente escrever um texto ou dar uma palestra, o que for, sobre o assunto e não falar da origem dele? Sério mesmo que estamos tão sugadas pelas nossas próprias questões?
Texto novo no meu blog, que também está de endereço novo.
Sabe uma prova de que as pessoas simplesmente não se importam com questões de mulheres gordas?
É ter um bando de homens, num grupo em que a maioria é mulher feminista, chamando mulher gorda de burra, incapaz, nos intimidando e ameaçando, invalidando o que dizemos e fazemos, questionando a legitimidade do nosso feminismo, insinuando que nossas pautas não merecem atenção, que o que dizemos é exagero, que reclamamos sem motivo, que não damos valor a pessoas aliadas (um assunto pra ser discutido separadamente, aliás), que nossas reações a essas atitudes é que fazem mal a elas.
Tudo isso com todas essas feministas vendo e ninguém fazendo absolutamente nada.
Eu comentei um pouco sobre isso nos seguintes tweets: 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7.
Como é nÃtido o limite dessa intersecionalidade que acreditam criticar tão bem quando é pra falar sobre o feminismo de mulheres gordas (eu queria saber desde quando nosso feminismo está aberto pra crÃticas e questionamentos de pessoas que não fazem parte dele). Parece que quando nós definimos a pauta, quando nós reivindicamos espaço, a intersecionalidade evapora porque, bom, mulheres gordas não são exatamente as mulheres que esse feminismo quer, né? Preferem priorizar e permitir o que esses homens estão fazendo contra nós.
Se você se chama de feminista intersecional como referência às opressões que você sofre e não pra deixar clara por qual perspectiva você entende que o feminismo deve funcionar, sinto muito, mas você entendeu tudo errado.

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Tenho atualizado o conteúdo das páginas no QP (principalmente esta e esta) e acredito que hoje é um bom dia pra percebemos que há pessoas de fato acreditando em intersecionalidade como um conceito bonito num blog. Agora o trabalho também será feito pra evitar que desvirtuem a necessidade e complexidade do feminismo intersecional. Não se brinca com isso.
Acreditamos no feminismo intersecional porque nele todas as pessoas podemos e devemos ter voz em igual volume. Este não é apenas um conceito bonito que queremos num blog. Intersecionalidade é nossa forma de práxis, é como compreendemos que nossa luta deve ser, como acreditamos que soluções devem ser construÃdas e efetivadas. A intersecionalidade é uma ferramenta de real empoderamento e é por ela que vivenciamos o movimento. Ela empodera todas as mulheres, cis e trans*, oprimidas pela sociedade sexista e patriarcal e silenciadas por grupos privilegiados. Não acreditamos num feminismo que diz representar interseções sem sequer entender o que elas significam. Fingir que todas essas diferenças não existem dentro do movimento significa elevar as experiências de pessoas privilegiadas em diversas perspectivas a um status de universalidade, ignorando a parcialidade do seu discurso.
O que é feminismo intersecional? - Questões Plurais
thelunaticisonmyhead replied to your post: Quase vomitando por causa do texto que li mais...
Não tá nada fácil ultimamente, suas ultimas linhas definem muita coisa que eu tenho visto ultimamente. Se não fosse a intersecionalidade eu não seria mais feminista.
Que bom que você não desistiu. <3