ao invés de dormir, rolo pro lado imaginando coisas que não posso dizer. o vento abre a porta e por um instante acho que é pra você chegar. fico aqui, deitada no chão olhando pro teto tentando enxergar estrelas. se alguma cair vai ser pra eu te desejar, mas se já desejo, então por que elas não caem? talvez o desejo pudesse ser simples e puro, como se você não estivesse fugindo de mim porque as coisas não são simples, tampouco puras. se estou errada, venha me corrigir. liste as coisas que quer de mim. se espera que eu toque o espaço que te atravessa, chegue perto, porque não há como não se queimar, mas há como sentir, em cada molécula de corpo, outro corpo. eu não quero ter que descobrir o que fazer com o depois, eu não quero ser um experimento, eu não quero olhar pra trás de novo, mas eu sei que o agora existe, então segure minha mão. segure a merda da minha mão enquanto ela está vazia porque é quando preciso. e deite comigo
pra olhar
as estrelas que não caem
imaginando coisas que não posso dizer
enquanto não fazemos a única pergunta que volta e meia, volta
o que a vida vai fazer de nós














