🎧 - Idiotheque - Space Age (2026) ✨
Idiotheque lançam “Space Age”: quando o afro-funk decide colonizar o espaço sideral (e ninguém pediu autorização).
Numa época em que metade da indie portuguesa ainda discute se deve ou não usar sintetizadores sem pedir licença ao espírito do fado, surge do coração da Serra da Estrela um colectivo de nove malucos que resolveu misturar afrobeat, electrofunk e uma dose generosa de teatro intergaláctico. Chamam-se Idiotheque (com “h”, porque a ortografia também viajou) e o seu single “Space Age”, saiu a 20 de março de 2026 como quem diz: “pronto, agora dançamos ou o que é que se passa?”
O tema surge como aperitivo de um álbum de estreia que ainda está em produção e que promete ser menos “disco” e mais “dimensão paralela”. Gravado em outubro de 2025 no Estúdio Paraíso Nas Nuvens, “Space Age” carrega a assinatura de uma equipa que não brinca em serviço: Scott Heller aka Dr Space na gravação, Carlos Gonzalez na produção (e também na percussão), Adam Williams na mistura. O resultado? Grooves afro-ocidentais que se contorcem com linhas eletrónicas, percussão hipnótica e vozes que parecem vir diretamente de uma festa num satélite em órbita baixa.
No cockpit estão Lamin Garnet (bateria), Phil Valdum (percussão), o próprio Carlos Gonzalez (percussão), Nick Horder (baixo e vozes), Alex Lopez (teclado), Dinis Rodrigues (guitarra), Noa Sander (flauta e saxofone), Rodrigo Paredes (trompete), Solomon Furious (voz) e Adriana das Neves (voz). Uma pequena nação rítmica nascida em 2024 e já com shows onde “tudo pode acontecer”, o que, no contexto português, é basicamente a descrição oficial de qualquer concerto que valha a pena.
Musicalmente, “Space Age” não inventa a roda: pega na roda, cobre-a de glitter cósmico, põe-lhe um motor funk e atira-a para a estratosfera. Há aqui ecos de Fela Kuti que beberam too much Red Bull, de Talking Heads em modo festa de final de mundo e de um certo electro-lusófono que ainda não existia. O colectivo assume a missão com ironia assumida: fazer o público dançar enquanto passa uma mensagem “consciente”. Porque nada diz “consciência coletiva” como nove pessoas a suar em uníssono num palco, vestidas como se tivessem roubado o guarda-roupa de uma nave abandonada.
Enquanto a praxe indie nacional continua a debater-se entre o lo-fi melancólico e o revivalismo dos anos 90, os Idiotheque aparecem como quem chega de outra galáxia, literalmente. Não é só música, é um universo performativo em construção. E “Space Age” é apenas o primeiro foguete de sinalização.
Se o álbum de estreia mantiver esta órbita, preparem os fatos espaciais. A Terra já não vai ser a mesma. E francamente, já não era sem tempo. 🚀
Idiotheque - DJ Massivemig Recommends.
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