Ideia mínima
Só queria acreditar, acreditar que seria possível construir aquela vida maravilhosa que havia arquitetando em sua mente nos últimos anos, seria difícil, disso já sabia, guardar grana, estudar forte, casar, ter filhos e morrer, esperando que não fosse de tédio.
O que mas causava frustração, era o fato de não ter a ideia mais mínima do que viria depois da expectativa. Queria acreditar, acreditar que seria mais que isso, seria mais que uma breve existência, que apesar das duras verdades que a vida repetidamente escancara diante dos seus olhos, fazendo com que gradativamente eles percam a luz da inocência, ela só queria acreditar...
Talvez fosse o seu ato de maior coragem, esse “acreditar” sem propósito, alimentando uma insegurança persistente, tremulando suas mãos. Seu maior ato de bravura era acreditar em seu caminho e segui-lo sem medo. Aguarrada firmemente nos braços da esperança, que tinha um nome bem mais bonito que esse.
Quem sabe até sua bravura e coragem, pudessem se comparar ao voo de uma linda ave de rapina, que é especial não por que é maior, ou mais forte, mas por que acredita e faz.

















