(ic) Eu imagino que é sua primeira vez ajudando pessoas com uma maldição desse tipo. Porque você quis nos ajudar?
Zafira suspirou lentamente, como se a pergunta a tocasse num ponto delicado. — Não é só sobre vocês... — murmurou. — Eu também nasci com essa ausência. Essa... incapacidade de sentir o que deveria ser o mais natural de todos os sentimentos. Cresci vendo minha mãe, minha avó... todas vazias. Todas presas nesse silêncio. — Ela pousou a mão sobre o próprio peito, como se buscasse algo dentro de si. — Minha vó tinha premonições. Desde pequena, ela me dizia que um dia, quando o tempo estivesse certo, os reencarnados tentariam quebrar a maldição. E que talvez eu fosse a ponte. A que abriria o caminho. Não porque eu fosse especial… mas porque eu entendi, desde cedo, o quanto é cruel viver uma vida inteira sem conhecer o amor. — Os olhos de Zafira brilharam levemente, não de lágrimas, mas de força contida. — Se há uma chance... se existe uma mÃnima possibilidade de mudar tudo isso… então essa é minha missão. Não apenas por vocês. Por mim. Eu sei que à s vezes eu pareço não estar ajudando muito, mas só sou um pouco... ácida. De vez em quando.













