Todos os dias, os brasileiros me dão a melhor aula de como viver a vida. E viver bem, aliás. Perambulando pelo centro-norte de Sergipe, encontrei simpáticas bordadeiras sentadas nas varandas de suas casas e quero te contar mais sobre uma delas. Acredito que a maioria nunca escolheu aprender a bordar: o fazem porque desde pequenas observam suas mães, irmãs e vizinhas cruzarem o pano desenhando e criando formas. “Todo mundo aqui sabe”, responde dona Maria José, de Gracho Cardoso, próxima dos 70 anos, assim que bato palmas em sua casa e pergunto se ali mora uma bordadeira. “E, se alguém aqui diz que não sabe bordar, é porque está mentindo”, completa. Me convida para entrar e sentar em sofá, revestido com uma capa de Rendedê que eu demoraria a eternidade para finalizar. Pela quantidade de detalhes, suspeito que ela deve ter demorado só um pouco menos. Reflita: luxo mesmo é ter a habilidade de fazer o ninho onde nos sentimos mais acolhidos. “Tenho parentes em São Paulo, mas eu gosto é daqui. Meu filho, minha vida foi só desgraça. Se você acha que eu aprendi com a minha mãe, está errado. Ela morreu quando eu tinha 7 anos. Eu nem tive essa chance. Aprendi foi com a minha vizinha. Pensa se tem alegria maior no mundo do que sentar aqui na garagem, conversar com as amigas enquanto bordo. É o melhor remédio para os meus dias. E qual é o médico que receita isso?”. Ela levanta e sugere me levar para conhecer outras bordadeiras da rua. Quando voltamos, pede pra que eu espere do lado de fora antes de nos despedirmos e corre para dentro de sua casa. Volta com uma sacolinha e diz: “Tome, é aquela almofada do sofá que gostou. Eu não tenho como vendê-la para o senhor, mas leve porque gostei muito de você”. #novosparanos #donamariajose #rendede #bordado #artesanato #grachocardoso #sergipe #brasil (em Gracho Cardoso)
Loading...
















