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tw drogas, depressão, overdose, morte
Conhece seringas muito bem, principalmente por ter que limpar o quarto do irmão todas as manhãs, temendo que os pais achassem vestígios do que tinha feito na noite passada. A heroína acabou destruindo a família Souverain, ainda mais quando era misturada com remédios para depressão que Theodore ingeria diariamente, em uma chance de achar um pouco de sentimento em sua vida cheia de pressão e monótona. Nadine nunca foi uma irmã amorosa, muito pelo contrário; era comandada pelo sentimento constante de inveja, não compreendendo os problemas do mais velho. Era adorado pelos pais, venerado quase como um deus, tudo o que ansiava. Em seus sonhos mais desejados, a figura do irmão jamais existiu para ofuscar a sua existência. Na noite que encontrou o corpo sem vida, uma onda de diferentes sentimentos acabou envolvendo-a, fortes demais para serem controlados. Em uma aquarela de pura confusão, conseguiu diferenciar a tristeza, percebendo finalmente o que estava fazendo durante as semanas, as consequências dos seus atos que não estava medindo com cautela; para ser sincera, sentia como se uma parte de tudo aquilo fosse sua culpa. Por algum motivo, agarrava-se a ideia que não passava de uma fase que seria superada em breve. Em meio ao desespero e tristeza, no entanto, tinha algo iluminado. Seria... Felicidade?
Sim. A esperança de uma vida melhor. Mesmo que tivesse bancado a irmã em luto por muito tempo, uma minúscula parte de si tinha ficado feliz. Vivia pela atenção dos pais e agora tinha exclusivamente para si, mesmo que continuassem sentindo o pesar nos corações pela morte de um primogênito. Nadine Souverain era perfeita, faltava apenas os genitores enxergarem aquilo. Nos anos seguintes, tornou-se o que todos queriam ver: a figura popular, forte e feminina que a maioria ansiava ser. Conseguiu até mesmo alguns elogios, algo que nunca tinha recebido anteriormente. Quando uma alma atormentada pelas críticas durante a infância começa a ser apreciada devidamente, a tendência é esquecer o que aconteceu no passado, então assim fez. Parou de pensar em Theodore e sua bagunça matinal, podendo ser visto pó e outras substâncias jogadas pelo quarto. Deveria tornar-se o que era esperado, alguém que os Souverain se orgulhassem de ter como filha, assim esqueceriam daquele que tinha sujado o nome. Mesmo que sinta falta do irmão, o maltrato que sofria na mão dele acaba fazendo com que o pesar seja mínimo. Na verdade, acredita que estão muito melhor sem a presença masculina.