A APPH convida para o primeiro encontro do GHPH, o Grupo de Pesquisa em História das Práticas Humanas.
Neste primeiro encontro, online, discutiremos o texto Não existe Neolítico ao Sul do Equador, do arqueólogo brasileiro Eduardo Góes Neves, um dos principais pesquisadores na área da arqueologia amazônica.Nas palavras do autor, retiradas da introdução do texto que leremos:
“O estudo dos biomas e povos da Amazônia e outras regiões tropicais úmidas tem um papel importante no desenvolvimento da ciência moderna. Desde o início do século XIX, com os esforços pioneiros de Alexander von Humboldt, estudiosos ocidentais têm percorrido os trópicos, na Amazônia e alhures, em busca de resposta para questões básicas, como a explicação para o surgimento e desenvolvimento da diversidade biológica. Não é por acaso que tanto Charles Darwin e Alfred Russel Wallace, os proponentes da teoria da evolução, tiveram seus momentos de revelação, tal como reza a lenda, durante viagens, respectivamente, ao arquipélago de Galápagos e ao arquipélago Malaio.
Por outro lado, as florestas tropicais têm mantido, ao longo dos anos, uma imagem associada a ambientes pristinos, escassamente ocupados por seres humanos ao longo dos milênios. Tais perspectivas se traduzem em políticas públicas modernas para a ocupação dessas áreas, que frequentemente têm resultados catastróficos porque são baseadas em noções de ausência, carência ou escassez.”
O texto nos convoca para debater e repensar essas noções associadas muitas vezes à região amazônica, de escassez de ocupação humana, ambiente puro, intocado. Com frequência se aponta a falta de construções monumentais na região, ao contrário do que se vê nos Andes, onde o Império Inca deixou sua marca com sua arquitetura monumental em pedra. Mas isso quer dizer que não houve, ao longo dos séculos, ocupação humana intensa na Amazônia? Como era essa presença humana na região amazônica na antiguidade? Como podemos conhecê-la e o que nos dizem sobre ela os vestígios cerâmicos encontrados nas pesquisas e escavações realizadas nos últimos anos? Qual o papel dessas populações que ocupavam a região na formação do bioma da Amazônia? Quais são os limites e os efeitos do uso de conceitos ligados a uma arqueologia do Velho Mundo para o estudo do Novo Mundo?Reforçamos o convite a todos os interessados em pensar essas questões conosco a participarem do encontro. Não é necessário ler o texto para participar, mas encorajamos a leitura. Como todas as atividades de pesquisa da APPH, o encontro é aberto, gratuito e sem pré-requisitos. O link do texto está postado na discussão do evento no Facebook.