Queria super agradecer, se não fossem vocês, eu não iria saber nunca do concurso da Editora Pandorga. Já estou arrumando meu original pra enviar <3
De nada e boa sorte! (Lívia)

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Queria super agradecer, se não fossem vocês, eu não iria saber nunca do concurso da Editora Pandorga. Já estou arrumando meu original pra enviar <3
De nada e boa sorte! (Lívia)

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Éramos como química Um teoria, o outro prática Dois seres humanos na mesma camada de carência Só que às vezes era texto, às vezes matemática
Escreve, Gabs
(Des)Harmonia - Atraso
Café, que droga, derramei. Pasta de dente? Merda, sujei a gravata. Devia ter deixado pra dar o nó depois. Já sou péssimo em dar nó. O carro voltou da oficina, graças aos céus não vou ter que ir naquele inferno que chamam de transporte público. Meia, sapato, último gole de café, torcendo pra não derramar de novo, chaves, fecha a porta, abre a porta, esqueci a carteira, fecha a porta de novo. Droga, tô me atrasando mesmo de carro, como consigo? Que idiota eu sou. Esqueci de pentear o cabelo. Será que dá pra fazer isso dirigindo? Melhor não, melhor eu pentear lá na minha sala. É rapidinho.
Trânsito, buzina, freio. Acabou que deu tempo de ajeitar o cabelo no retrovisor. Acho que esqueci de passar um perfuminho. Mas deixa, já era. Já foi, não tem volta. E agora, como vou achar uma vaga no estacionamento? Tá lotado isso aqui…
É, achei. E achei aquela garota, daquele dia, com um sorriso tão luminoso… Sempre nos encontramos no elevador. Por que será?
Damn it, derramei o nescau na blusa nova, vou ter que trocar. Pasta de dente? Tá quase no fim, vou ter que passar na farmácia. Ou no mercado, não sei, sei lá, ando confusa, o trabalho tá me matando… Hoje vou ter que pegar o ônibus, a carona viajou. Calça? Não, hoje vou de saia. Sapato, batom, um rímel básico, chaves, fecha a porta, abre a porta, esqueci o celular, fecha a porta de novo. Droga, tô me atrasando mesmo tendo acordado mais cedo, como eu consigo? Que idiota eu sou, esqueci de pentear o cabelo. Será que dá pra fazer um coque desfiado e fingir que foi de propósito? Cadê o elástico que eu deixo sempre na bolsa? Tá aqui, achei. Faz o coque, desmancha, lá vem o ônibus, conseguir um lugar sentada, agora dá pra fazer o coque direitinho.
Trânsito, buzina, freio. Acho que esqueci de passar perfume. Agora já era, já foi, não tem volta. E como eu vou conseguir descer no ponto certo? Tá lotado isso aqui…
É, consegui. E consegui ver de novo aquele moço, daquele dia, jeito sério, todo bonito… Sempre nos encontramos no elevador. Por que será?
Narciso
Eu me apaixonei por você. Me encantei com o sorriso que me dá todo dia de manhã, quando passa maquiagem, mas quer fingir que não passou porque acha a beleza natural mais bonita. E eu te digo que sua beleza natural é mesmo mais bonita.
A gente tira foto junto de vez em quando. Sei que você posta em algum lugar. Só não gosto quando você fala ao telefone antes de sair de casa, meio penteando o cabelo, meio calçando o sapato, contando a alguma amiga relatos do seu novo romance. Será que quer me magoar de propósito?
É estranho pensar que só posso te olhar quando você se olha. Mas isso é bom às vezes, porque você sempre parece uma obra de arte pra mim. Emoldurada, intensa. Fica no mesmo lugar, mas não para quieta. É o nosso paradoxo.
Acho que foi errado eu me apaixonar. No fundo, eu só sei me espelhar, ou te espelhar, que seja. Você só está apaixonada pela sua própria imagem. Eu sei que se preocupa com ela, que treina passar batom vermelho sem borrar quando nem vai pra lugar nenhum, que te dói tirar a sobrancelha sozinha e sempre errar, que fica com raiva porque quer escovar o cabelo e a tomada é longe demais, ou o fio é curto demais pra alcançar o espelho, e eu acabo só te vendo pela metade.
Eu me apaixonei por você. Mas não deveria. Nunca vou te tocar. Eu só sei fazer uma coisa da vida, dessa vida constante que levo, monótona, nem côncava nem convexa, só reta, que é refletir, esperando você chegar.
Imensurável talento
O objetivo aqui é tentar escrever (quase) todos os dias. É, eu sei que é complicado. Às vezes a gente simplesmente não está com saco pra nada. Às vezes a gente prefere ficar de boa no facebook. Mas é isso, escrever é uma jornada e, em como todas elas, há seus obstáculos e também há aqueles momentos em que você só tá a fim de desistir, que não encontra nada pra se inspirar ou acorda com a certeza de que se decidir mesmo ir por esse caminho vai ser pobre até o fim da eternidade. Sendo pobre ou não, escritores iniciantes sofrem. Sofrem com preguiça, procrastinação, fuga de palavras, de pensamentos, de ilusões… (Mas eu nunca disse que os experientes nãosofrem. Devem sofrer, mas não sou um deles pra afirmar, né.) E daí você se depara com isso e com a falta de vontade. Ninguém te lê. Ninguém liga pra o que você sua pra escrever. O mundo é ignorante ao seu imensurável talento. E agora? Bom, mas, pensando bem… Prefiro escrever só pra comprar o arroz e o feijão de cada dia do que me trancafiar em um emprego qualquer que me dê raiva — e não somente preguiça — de acordar de manhã.

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Colunistas de facebook
Hoje todo mundo é fotógrafo, é jornalista, todo mundo opina. Todo mundo opina no governo, opina no zika, se arrisca na economia, na identidade de gênero. Hoje todo mundo “acha”. No fundo, ninguém sabe nada. No fundo, o pessoal tem medo de errar na foto, de escolher o filtro errado. Não tem medo de errar na gramática, mas isso é coisa do passado, né? Ninguém usa mais. Todo mundo também tem medo do zika. Ah, o zika é coisa séria. Igual o chigungunha, chico cunha, chi… sei lá como escreve. Só sei que disseram que grávida não pode pegar de jeito nenhum! E aí já vão opinar sobre aborto, remédios, a causa de ter começado no Nordeste… Enfim. Todo mundo vira colunista no facebook. Todo mundo, de repente, soube o que dizer. Afinal, é minha opinião, não vai afetar ninguém, não é mesmo? Não é preconceito, esse país não tem aquilo, como chama…? Ah, liberdade de expressão. Eu sou livre, e essa é minha expressão. O pessoal só esquece que o meu direito termina onde começa o do outro… Frase antiga, clichê, mais usada que sei lá o quê, mas cheia de verdades nas entrelinhas. Mas, e agora? Liberdade de escrever um status de facebook polêmico por dia, todo mundo tem. Mas, lembra aí, outra frase das antigas: quem diz o que quer, ouve o que não quer.