Imprensa Contracultural: como a VICE, i-D E FRUiTS definiram os anos 90
Os anos 90 foram uma década de grande mudança cultural, marcada pelo colapso de algumas grandes narrativas e pelo surgimento de subculturas que buscavam autenticidade fora do mainstream. Nesse cenário, revistas como VICE, i-D e FRUiTS emergiram como a nova voz da juventude, cada uma a seu modo, mapeando a moda, a música e o estilo de vida que as mÃdias tradicionais ignoravam.
VICE: O Contracultura Agressiva (EUA/Canadá)
Crédito: VICE
Nascida em Montreal em 1994, a VICE começou como uma revista que celebrava a cultura alternativa, a música punk e a decadência urbana. Sua marca registrada nos anos 90 era uma combinação de jornalismo ultra-sincero (e muitas vezes ultrajante), hedonismo e uma estética gráfica que refletia o cinismo da época. Focada em reportagens sobre a vida noturna, moda, drogas e polÃtica sob um olhar irônico e provocativo. Desbocado, irreverente e polêmico. A VICE se posicionava como a voz de uma geração que desconfiava de qualquer forma de autoridade ou polidez. A revista foi o embrião de um império de mÃdia que, posteriormente, se expandiu para o digital e vÃdeo, influenciando a forma como o jornalismo cultural de nicho pode se tornar massivo, mesmo mantendo sua postura outsider.
Crédito: VICE
i-D: A BÃblia do Estilo de Rua e Cultura Jovem (Reino Unido)
Embora a i-D tenha sido fundada em 1980, ela se consolidou nos anos 90 como uma referência global para o street style e a moda inovadora. A revista documentava a interseção entre alta-costura, música e a moda das ruas, tornando-se essencial para quem buscava o próximo grande movimento estético.
Crédito: i-D
Crédito: i-D
Conhecida por suas capas icônicas de modelos "piscando". Misturava modelos e fotógrafos renomados com jovens talentos e subculturas urbanas. A i-D tinha uma abordagem menos agressiva que a VICE, mas igualmente focada em documentar a diversidade e a criatividade. Foi crucial para popularizar tendências da moda de rua britânica e global, servindo como uma ponte entre o punk e o rave dos anos 80 e o minimalismo/grunge dos anos 90.
Crédito: i-D
FRUiTS Magazine: O Arquivo da Anti-Moda (Japão)
Fundada em Tóquio em 1997 por Shoichi Aoki, a FRUiTS se dedicou a um nicho muito especÃfico: o street style do bairro de Harajuku durante a "década perdida" (perÃodo de crise econômica no Japão). Em um momento em que a moda japonesa dominante era minimalista e monocromática, a FRUiTS celebrava a revolta visual. Praticamente um catálogo de fotografias em página inteira, capturando o exagero, as cores vibrantes e as subculturas únicas de Harajuku (Decora, Lolita, Ganguro, etc.).
Crédito: Getty Images
A revista atuou como um registro cultural valioso, documentando a moda como uma forma de resistência social e expressão individual em uma sociedade rÃgida. Sem ela, a explosão do street fashion japonês nos anos 2000 não teria alcançado o reconhecimento internacional que teve. A FRUiTS mostrou que a moda mais autêntica nascia na rua, e não nas passarelas.
Crédito: Shoichi Aoki
Crédito: FRUiTS/ Shoichi Aoki
Essas três revistas, em seus respectivos continentes, compartilhavam um objetivo: descentralizar a cultura e a moda. Enquanto a VICE usava a polêmica para chocar e a i-D usava o design para celebrar o estilo, a FRUiTS usava a fotografia para testemunhar a criatividade como reação à crise. Juntas, elas definiram o jornalismo cultural dos anos 90, provando que as subculturas e a autenticidade de nicho poderiam ser mais influentes do que o mainstream.
Publicado por: Laura

















