A “Lei da Frontalidade”: entendendo as pinturas egĂpcias.
Quando se pensa na antiguidade egĂpcia Ă© comum lembrar de imagens tais quais as pirâmides, mĂşmias e claro, das pinturas parietais. Para quem nĂŁo está acostumado, as pinturas egĂpcias poderĂŁo despertar um certo estranhamento e atĂ© desconforto, porĂ©m, está reservado a elas igualmente muita admiração.
Embora popularizada na atualidade graças a cultura popular — principalmente devido a Egiptomania —, Ă© um grande fato que a arte egĂpcia Ă© composta, em sua maioria esmagadora, de artistas anĂ´nimos (BRANCAGLION Jr., 2001). NĂŁo conhecemos muitos nomes responsáveis pelas belas peças que hoje encontram-se em museus ao redor do mundo e os poucos que temos ciĂŞncia nĂŁo foram por assinar suas obras (o que nĂŁo era uma prática), mas porque seus nomes foram descobertos acidentalmente em seus ateliĂŞs, durante escavações arqueolĂłgicas.
As pinturas parietais — tema desse post — possuĂram um importante papel para essa civilização que se desenvolveu Ă s margens do Nilo. Elas foram utilizadas como uma forma de comunicação e atĂ© uma maneira de auxiliar ou garantir que os falecidos alcançassem seus desejos ou sonhos no alĂ©m-vida.
Embora pareça bastante complexa, a pintura egĂpcia costumava seguir alguns padrões como, por exemplo, a cor de pele poder variar de acordo com o gĂŞnero da pessoa (homens com um tom avermelhado, quase cobre e mulheres com um tom amarelado) e os indivĂduos de classes mais altas ou considerados como o mais importante na cena representados maiores (HAGEN et al, 1999; GOMBRICH, 2008).
Outro padrĂŁo tem a ver com a tradição de registrar uma pessoa ou divindade de lado, em uma postura bastante rĂgida. Na arqueologia egĂpcia nĂŁo existe um termo especifico para este tipo de retrato, mas nos estudos de arte convencionou-se a chamar esse tipo de representação como “Lei da Frontalidade”. Nela os personagens sĂŁo mostrados com a cabeça, os braços e pernas de perfil (1), mas, com os olhos, os ombros e tronco de frente (2), criando assim uma combinação de a visĂŁo frontal e a lateral (CASSON, 1983; HAGEN et al, 1999).
Os motivos para esse tipo de reprodução sĂŁo desconhecidos. Alguns já sugeriram que poderia ser uma ausĂŞncia de perĂcia dos antigos artistas, outros que seria uma tentativa de passar uma mensagem de onipotĂŞncia e existe os que a defendem como possuidora de um arranjo excepcional (CASSON, 1983; BRANCAGLION Jr., 2001; GOMBRICH, 2008). Me utilizo aqui das palavras de Gombrich:
Vale a pena pegar um lápis e tentar reproduzir um desses desenhos egĂpcios “primitivos”. Nossas tentativas vĂŁo sempre parecer inábeis, assimĂ©tricas e deformadas. Pelo menos, as minhas parecem. Pois o sentido egĂpcio de ordem em todos os detalhes Ă© tĂŁo poderoso que qualquer variação, por mĂnima que seja, parece desorganizar inteiramente o conjunto (GOMBRICH, 2008, p. 64).
Como eram feitas:
O trabalho era efetuado por um grupo de desenhistas (sesh, em egĂpcio antigo) ou os “desenhistas escultores” (sesh kedut) e cada um ficava responsável em efetuar uma determinada tarefa (STROUHAL, 2007):
Os motivos para esse tipo de reprodução sĂŁo desconhecidos. Alguns já sugeriram que poderia ser uma ausĂŞncia de perĂcia dos antigos artistas, outros que seria uma tentativa de passar uma mensagem de onipotĂŞncia e existe os que a defendem como possuidora de um arranjo excepcional (CASSON, 1983; BRANCAGLION Jr., 2001; GOMBRICH, 2008). Me utilizo aqui das palavras de Gombrich:
Como em qualquer sociedade, naturalmente o Egito Antigo possuĂa as suas exceções. Nem todas as mulheres eram representadas mais claras que os homens, assim como nem todas as imagens eram representadas de perfil. Ademais, os estilos de pinturas variaram com o tempo. Em dados perĂodos será possĂvel encontrar representações mais naturalistas, em outros com um caráter mais relaxado, sem a rigidez que o cânone artĂstico comumente empregava. É necessário que os estudantes estejam cientes da variedade da arte egĂpcia e seus autores, apesar do que a tradição artĂstica pode sugerir, a exemplo da prĂłpria “Lei da Frontalidade’’.Â















