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O canadense ficou surpreso, mas logo ficou apreensivo. NĂŁo conversava com Francis desde que ele o abandonou nas mĂŁos de Arthur - sim, abandonou, porque ele poderia muito bem ter pegado Matt de volta quando teve chance.
â Dad, o que ele estĂĄ fazendo aqui? â Matthew sussurrou, olhando para Arthur.
â Va te faire foutre â Matt respondeu, se deitando no sofĂĄ e fechando os olhos â VocĂȘ nĂŁo esteve do meu lado quando precisei, e agora eu nĂŁo preciso da sua ajuda, connard.
â Eu nĂŁo preciso de vocĂȘ â Matt falou, se virando e tampando o rosto com uma almofada â EU NĂO PRECISO DE VOCĂ!
Francis, entĂŁo, saiu da sala, deixando um canadense bĂȘbado no sofĂĄ, gritando coisas em francĂȘs e inglĂȘs a noite toda.
Mas o que ele nĂŁo ouviu foi um pequeno sussurro que Matt deu quando parou de gritar e começou a chorar.Â
"Eu te amava, droga..."
â 1941 â
A notĂcia do que aconteceu em Pearl Harbor deixou os residentes da casa de Arthur alarmados. Alfred estava bem fisicamente, mas seu emocional estava abalado.Â
Mas nĂŁo era nada comparado ao estado de Arthur.
Quando soube, o inglĂȘs se trancou no quarto. Apenas Francis conseguiu falar com ele - e mesmo assim, tarde da noite. Matthew ouviu pouca coisa, apenas sabia que Arthur estava preocupado com Alfred e, ao mesmo tempo, magoado com Kiku.
Antes de ir embora, Francis olhou para a janela do quarto do canadense e seus olhares se encontraram. O francĂȘs acenou para Matthew, mas ele simplesmente virou as costas e saiu da janela.
â Se Paris for liberta, eu volto. Ai contaremos a verdade para ele. â Francis falou para Arthur, finalmente indo embora.
O inglĂȘs ficou um pouco apreensivo no começo, mas entĂŁo se acalmou. Claro que Francis voltaria. "Vaso ruim nĂŁo quebra", Arthur pensou, subindo as escadas e andando pelo corredor. Mas ao passar pela porta do quarto de Matthew, ouviu um barulho de choro. Baixo, mas sim, conseguia escutar.
Naquele momento, compreendeu o que acontecia, mas preferiu dar privacidade para o canadense. As coisas seriam melhores assim.
âXâ
Sentiu um alĂvio tomar conta de si ao saber as novidades. Paris estava livre. Agora sim poderia contar a verdade para Matthew. Subiu as escadas correndo, mas ao abrir a porta, sua expressĂŁo se fechou.
â Son? O que estĂĄ fazendo? â Arthur perguntou, olhando para a mala em cima da cama do canadense.
â Eu estou voltando para meu paĂs, dad. â Matt respondeu, parando por um minuto para respirar fundo â Eu tenho coisas para fazer lĂĄ. E estou com saudade do meu irmĂŁo.
Era mentira e Arthur sabia muito bem disso. Ele era livre, podia ir aonde queria e sĂł estava morando com o inglĂȘs por questĂ”es afetivas. NĂŁo podia segurar mais o canadense.
Naquela tarde, o canadense saiu da casa de Arthur. E poucos dias após sua ida, Francis chegou. Grande foi a sua decepção ao saber que Matthew estava indo embora.
â Zipangu nĂŁo pensou nisso ao atacar Pearl Harbor.
Zipangu... Era assim que chamavam o outro lado de Kiku. Alfred levantou a cabeça e encarou Matthew. Seu olhar era simplesmente assustador, e um sorriso tão bizarro quanto estava estampado em seu rosto.
O canadense, entĂŁo, saiu da sala de Alfred, tomando seu caminho para Londres.
âXâ
Leon estava na casa do inglĂȘs, cuidando de Arthur. Pelo que ele falou, o inglĂȘs estava em seu limite. Apesar de ter conseguido Hong Kong de volta, Artie e seu irmĂŁo, Scott, brigavam todos os dias.
â NĂŁo quero saber dele â Matt respondeu, colocando as mĂŁos no rosto â NĂŁo ligo se Francis se importa comigo.
â Bem... Pode ser que vocĂȘ ligue para o que eu descobri. â Leon sorriu, olhando para Matt. O tom de voz do chinĂȘs chamou a atenção do canadense.
â Desembuche.
â 1976 â
Michelle foi embora. Matthew estava em sua terra quando soube que a sua prima tinha se libertado. Depois do tempo que passou na casa de Arthur, precisou pensar em algumas coisas, entĂŁo voltou para sua casa na primeira chance que teve - e se trancou lĂĄ desde entĂŁo.
Leon o explicou a histĂłria toda. Francis teve sim a chance de aceitar Matt de novo, e ele quis. Mas o seu superior disse que nĂŁo seria favorĂĄvel. Simplesmente isso. Arthur estava disposto a deixar Francis ter Matthew. Mas o superior de Francis...
Ao se lembrar daquela histĂłria de novo, Matt quis chorar. Ele tratou Francis mal durante muito tempo. Era uma atitude infantil de sua parte.
A abertura da Copa do Mundo foi linda. Era a primeira vez que o CanadĂĄ participaria, Matthew estava ansioso - principalmente porque o seu time tinha ficado no mesmo grupo do de Francis.
Assistia a todos os jogos, torcendo internamente para alguns times e rindo da derrota de alguns. E quando chegou a vez do seu time, estava ainda mais ansioso - os lĂderes dos paĂses que jogavam iam para uma sala especial para verem os jogos. Se quisessem ir acompanhados, podiam, mas a maioria escolhia ir sozinho.
â OlĂĄ Matthieu. â O francĂȘs o cumprimentou, sentando-se no sofĂĄ no meio da sala.
â OlĂĄ Francis! â NĂŁo esperava um cumprimento educado do menor, entĂŁo ficou surpreso com a resposta.
â VocĂȘ estĂĄ bem? â Francis perguntou, olhando para o canadense. Ele sorriu, assentindo com a cabeça.
âXâ
â VocĂȘ mereceu a vitĂłria â Matt falou, se levantando do sofĂĄ e sorrindo para Francis â Seu time jogou muito bem â Esquecendo-se das pulseiras, Matt tirou sua blusa de frio.
Foi inevitĂĄvel que aquele sentimento antigo de Matthew voltasse. Porque depois de todos os problemas que aconteceram, depois de tudo... Ele ainda amava Francis. E, talvez, mais do que o francĂȘs jamais o amaria.
â Bro, vocĂȘ vai ver, todo mundo vai amar a minha festa, hahaha! â Alfred falou, entrando no quarto do canadense e começando a mexer em seu guarda-roupa.
â Tomara que sim... Al, o que vocĂȘ estĂĄ fazendo? â Matt perguntou, se virando para o outro.
Matthew corou antes de, constrangido, expulsar Alfred de seu quarto.
âXâ
â O seu irmĂŁo sabe mesmo como festejar, nĂŁo? â AmĂšlie falou, cumprimentando Matt.
â A-Ah... Tia Amy. â Matt a cumprimentou, sorrindo â Faz tanto tempo que nĂŁo te vejo.
A monegasca sorriu, levantando uma sobrancelha.Â
â Francis jĂĄ chegou, deve estar fazendo alguma idiotice com o Antonio e o Gilbert â As bochechas de Matt coraram â NĂŁo precisa esconder nada de mim. JĂĄ estĂĄ na cara.
â N-NĂŁo sei do que vocĂȘ estĂĄ falando. â O canadense respondeu, rindo nervosamente.
â VocĂȘ e o Francis sĂŁo tĂŁo parecidos... â Ela riu, colocando uma mĂŁo no ombro dele â Porque nĂŁo aproveita que o Scott jĂĄ foi atrĂĄs do Kiku e que eu vou falar com a Michelle para ir atrĂĄs do meu irmĂŁo?
â Foi Ăłtima. SĂł acho que seu irmĂŁo poderia ter colocado mais vinho â Os dois riram.
Matt estava dirigindo o carro, indo para sua casa. Francis tinha combinado de passar a semana lĂĄ, e como ele tinha dirigido, o canadense pensou que seria melhor se ele dirigisse. Assim que chegaram na casa de Matthew, os dois subiram para o segundo andar. Francis foi para o quarto de hĂłspedes enquanto Matt tomava banho no seu quarto.
Assim que saiu do banho, foi procurar um desodorante em seu guarda-roupa... EntĂŁo achou as pulseiras.
AmĂšlie tinha razĂŁo. Estava na hora de fazer alguma coisa.
âXâ
Francis saiu do banho e se enxugou com a toalha que Matthew o emprestou. Sorriu levemente ao ver o pequeno bordado da bandeira no pano. Ele era tĂŁo patriota, mas nĂŁo chegava a ser extremista quanto o chato do seu irmĂŁo.
â Francis... Podemos conversar? â O francĂȘs olhou para a porta, um pouco assustado. Pensou que ele jĂĄ estivesse dormindo.
â SĂł um minuto, vou colocar uma roupa.
Francis colocou uma roupa Ăntima e calça, entĂŁo Matt entrou no quarto. A bochecha de ambos coraram com aquela atitude.
â F-Francis, eu... â Matt estava adorĂĄvel com aquele pijama vermelho e branco que tinha escolhido â Papa.
Assim que ouviu o seu apelido antigo, Francis olhou para o canadense certamente assustado. NĂŁo ouvia Matthew o chamando daquele jeito desde que ele era seu Nouvelle France. Enquanto o francĂȘs se perguntava o que estava acontecendo, ele olhou para a mĂŁo do canadense, entĂŁo viu a pulseira do jogo da copa.
â EstĂĄ tudo bem, mon fils. Foi tudo minha culpa, eu devia ter te contado antes... Je t'aime aussi, mon amour, mon fils. Je t'aime beaucoup... â Matthew retribuiu o abraço na mesma intensidade.