As vezes tudo o que precisamos é seguir em frente, dar o primeiro passo, nada mais.
Para terminar o período escolar, tinha que ser algo com classe. Primeiro fazer os amigos escolherem a melhor proposta de empresas de formaturas, depois ser eleito o orador do Ensino Médio e para finalizar, convencer os padrinhos a pagarem a viagem de formatura. Check, Check, Check.
Abaixo segue meu discurso (O qual foi lido em dupla -eu e uma colega-).
Ao escrever este discurso, encontrei muitas dificuldades, e uma pequena preocupação quanto a lê-lo a vocês. Procurei da melhor maneira, expressar aquilo que passamos em nossas vidas escolares. Não importa nossa idade; quando criança, adulto e idoso, sempre podemos escolher. Está em cada um de nós, essa responsabilidade. Responsabilidade de escolher sua própria vida, seu próprio caminho. Mas a grande questão é: nós vamos ter coragem para fazer isso? Aos 7 anos, na primeira série, perguntaram o que queríamos ser quando crescer. Ao ouvir essa pergunta, mal podíamos ter noção de tal coisa e também do quanto essa pergunta seria importante anos mais tarde, e de quantas vezes mais nos iriam perguntar isso durante os próximos anos. E aos 7 anos, muitos respondiam: “princesa”, “astronauta”, “gente grande”... Conforme crescemos, mudamos nossos pensamentos e quando tínhamos 14 anos, perguntaram de novo. E respondemos “médicos”, “policiais”, “psicólogos”, “artistas de TV”, “músicos”. Agora depois de tantos anos, as pessoas esperam algo concreto, mas bem... Quem é que sabe? E como disse em uma visita ao campus da USP, no segundo semestre, não está na hora de tomarmos decisões difíceis e apressadas, e sim hora de erramos. Se perder nos vários caminhos da vida (nos melhores, por favor), apaixonar-se (Muito). Mudar de ideias, não ter vergonha de pensar, porque tudo na vida muda nas voltas que o mundo dá. Então com o perdão da palavra, se “ferrem” muito e depois disso repodam: quem é você? Gostaria de poder dar-lhes um conselho em relação ao futuro, lhes dar esperanças e contar como vocês serão bem sucedidos, gente de bem, gente de coragem, gente de amor, mas o futuro é imprevisível, mutável a qualquer reação sua(qualquer escolha), por isso, escute os mais velhos (e respeite-os, afinal você também irá envelhecer) e também nossos pais, pois nunca saberemos a falta que eles nos farão. “Você me diz que seus pais não te entendem, Mas você não entende seus pais.” diz uma musica da Legião Urbana. E por serem mais vividos eles entendem um pouco do que é viver, mas como dizia em um comercial de filtro solar (sunscreen) da DM9DDB, passado em aula por um de nossos professores, “Tenha cuidado com as pessoas que lhe dão conselhos, mas seja paciente com elas. Conselho é uma forma de nostalgia, dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata de lixo, limpa-lo, esconder as partes feias e recicla-lo por um preço maior do que realmente vale...”. Daqui alguns anos, ao olhar suas fotos, você vai perceber que você não é tão gorda (o) quanto pensa, tão feia (o), magérrima (o) e que seu cabelo ainda é bom. E de nada me adianta dizer –lhes isso, pois agora vocês não vão dar “bola”. Vamos ouvir nossas musicas favoritas, cantar, dançar, desestressar, pular, amar, se apaixonar, rir até doer a barriga, chorar, abraçar, viajar, comer, e tantas outras coisas mais, mas não deixe de curtir você mesmo. Saia das manipulações da mídia, comece a viver, aproveite suas amizades e preserve as mais importantes pelo resto de sua vida com muito carinho. Por fim, um poema de Carlos Drummond de Andrade
Verbo Ser Que vai ser quando crescer? Vivem perguntando em redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os três. E sou? Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser quando cresce? É terrível, ser? Dói? É bom? É triste? Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas? Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? Sou obrigado a? Posso escolher? Não dá para entender. Não vou ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser Esquecer.












