Com amor, alegria e SAL – Dia 2 do Festival Folk Celta 2023 | Reportagem
João Pinheiro, baterista dos SAL | mais fotos clicar aqui Neste segundo dia de festival (sábado, 29 de julho), a festa começou bem animada e digna de baile profissional, com um céu quase limpo e bem iluminado pela lua, que testemunhou os portuenses Retimbrar que tal como ela, brilharam e encantaram o público de Ponte da Barca.
O espectáculo fez verdadeiro jus ao nome do seu último álbum 'Levantar do Chão', editado em 2022, que com a sua magnífica energia fez mesmo a plateia levantar e voar. 'Voa Pé', de 2016, marcou também alguns dos momentos do espectáculo, onde o coletivo enérgico do Porto - Afonso Passos, André Nunes e Andrés “Pancho” Tarabbia na percussão, António Serginho na percussão, teclado e cavaquinho, Beatriz Rola no violino, voz e percussão, Jorge Loura na guitarra, voz e percussão, Miguel Ramos no baixo, voz e percussão e Sara Yasmine na voz, cavaquinho e percussão - distribuiu magia no relvado do Choupal e como verdadeiros profissionais de festas de baile fizeram-se representar, entre o público, por Rosana, que coordenou toda a plateia transformando-a numa verdadeira massa de bailarinos qualificados.
Coletivo Retimbrar em palco | mais fotos clicar aqui Em “Vai de Centro ao Centro” pediram luz no relvado anunciando “Está a começar a hora de dançar!”. Rosana, qual maestro de uma orquestra, coordenou e a beleza do baile aconteceu. Com toda a sua magnificência, sem demora e sem medo, grita-se do palco “Viva a liberdade!” e em “Maneio”, de ritmo contagiante bem difícil de ficar imune, gerações de mãos dadas já bem aquecidas e ensinadas, deram o mote para receber em grande, os admiráveis Gaiteiros de Bravães, que subiram ao palco para se juntar à festa. O palco encheu e o público obedeceu, avistando-se um mar de gente agitando boas vibrações coordenadas de pé em pé sem nada de chumbo. Barquenses e portuenses juntos em palco, numa banda só, com a força e eco dos bombos e a beleza da Gaita de Foles que em “Montes" fizeram o chão vibrar e os corações saltar.
O peito encheu-se de esperança e com arte, amor e muita graça terminou o primeiro grande concerto desta segunda noite de tradições Folk Celta.
Às 22h42 Jesús del Castillo entrou em palco, diretamente de Madrid para o norte de Portugal, iniciando o espetáculo com o som da flauta e da guitarra a que depois se fez marcar a percussão.
O madrileno iniciou o espetáculo desejando ao público o melhor: “Espero que sejam tão felizes como eu!” O músico famoso pelo som único da Gaita MIDI e a junção de sons eletrónicos com a guitarra, dignos de despertar os mais desatentos, foi à medida que a batida aumentava, atraindo os mais tímidos que se foram aproximando do palco e incorporando o som intenso.
Jesús del Castillo em palco | mais fotos clicar aqui Já entre cabeças a abanar, braços no ar e corpos em êxtase, o trio apresentou o seu novo EP 'Viral Reels (Vol. 3)' editado este ano, onde a guitarra e a flauta se enamoram, sendo aqui o público testemunho deste romance perfeito. A Gaita MIDI, curiosamente produzida em Portugal, modernizada com samples de todas as gaitas da Europa, deu o devido espectáculo que Jesus del Castillo tão bem domina, e juntamente com a batida eletrónica do sintetizador de Anti (ANTI STUDIO) e o som do rock da guitarra elétrica de Nacho Perez, transportaram-nos para bandas sonoras de guerreiros de cinema num verdadeiro som digno de um marco épico.
Para acalmar os ânimos e embalar o público já bem aquecido, o músico presenteou-nos com um solo de flauta dizendo “Para sonharem com as estrelas…”. Passando igualmente por algumas canções do álbum 'Elan', editado em 2016, Jesús del Castillo fez-nos viajar pelas colinas da Escócia até à Irlanda, passando pelo norte da Península Ibérica, contando histórias de deuses e deusas celtas com flautins mágicos, fazendo-nos acreditar que estávamos entre eles.
Jesús del Castillo e seus acompanhantes | mais fotos clicar aqui O convite de um goblin para irmos em direção à sua toca, fez-nos dançar ao som de uma espécie de eurodance reinventado com rock e folk celta. “Gracias por tanto amor!” disse o músico, despedindo-se e levando consigo todo este universo imaginário que nos conquistou por instantes.
Sob o olhar atento e expectante dos fãs que já aguardavam o último concerto na primeira fila, os SAL iniciaram este capítulo final, com uma plateia ansiosa por cantar e gritar as letras do recém, porém experiente, quinteto de Oeiras.
Com algumas camisolas estampadas com o nome da banda, a plateia bem composta, fez até as águas do rio Lima vibrarem ao ouvir “O Caçador” as vozes e os pulmões do público gritaram em uníssono com Sérgio Pires.
Sérgio Pires, o vocalista dos SAL | mais fotos clicar aqui O calor era tanto que se sentia até no palco e de forma atenta, o quinteto pediu para se baixar a luz, para poder ver bem o público, aproveitando para elogiar tanta beleza que se via dali do palco. Vieram no fim de todos e com tão boa receção que quiseram aproveitar para agradecer referindo que “É sinal que alguém está a entender o que estamos a fazer!” explicou assim o vocalista emocionado por estarem num festival com tantos nomes fortes do Folk Celta.
SAL é quase um estreante mas, os seus músicos não, e a excelente qualidade a que já nos habituaram, não podia ter sido melhor espelhada ali, no desfecho do festival. A energia contagiante e frenética de Sérgio Pires, dominando, mesmo até com alguns percalços naturais de quem vibra, a sua guitarra minhota que tocou na perfeição juntamente com a sedução do teclado de Vicente Santos, ao suporte assento do baixo de João Gil, à peculiar e incansável bateria de João Pinheiro e os eletrificantes solos de guitarra de Daniel Mestre, fizeram deste concerto um momento perfeito entre a afinação e a emoção da improvisação.
Daniel Mestre, guitarrista dos SAL | mais fotos clicar aqui O novo single “Viver” soltou o público num salto despedindo-se em grande, onde este cantou sem hesitar num momento de união de SAL e Ponte da Barca.
Todo o relvado ficou a entoar o refrão e já a banda se tinha despedido, um bonito adeus ao festival que não deixou os SAL indiferentes, fazendo-os voltar ao palco “uma banda ainda recente é para nós uma surpresa, este corozinho no final é muito especial, obrigada por nos terem proporcionado este momento!”e assim, num tom já quase nostálgico, tocaram “Fim do Mundo” onde tentaram fazer com que ninguém ficasse para chorar…mas foi difícil.
Mas, ainda não era tempo de terminar e tocaram “Terra de Ninguém” dos Gaiteiros de Lisboa, um verdadeiro momento arrepiante e despediram-se mais uma vez com “Do Que É Feito Este Chão”. Parecia que ia acabar e tinha tudo para acabar bem mas…não!
O público estava incansável e os SAL também, voltando ao palco e mais uma vez foram brilhantes com “Não Sou da Paz” e assim sim, terminaram...e tão bem que terminou mais uma edição do festival Folk Celta que nunca nos desilude! Até para ano.
Foto-reportagem completa deste dia: Clicar Aqui
O público sempre bem animado | mais fotos clicar aqui Texto: Catarina Rocha Fotografia: Tiago Paiva













