Cap. 50 - Marry me? (The first step) part 1
Abri meus olhos lentamente, despertando de um sono sem sonhos. Fitei o teto e deixei levar pelos meus pensamentos, que ultimamente andavam a mil.
Recentemente eu estava sentindo que uma batalha acontecia dentro de mim: o desejo de pedir Katy em casamento e a relutância por medo da rejeição.
A incerteza e a dúvida sobre os meus sentimentos já haviam há muito ficado para trás. Tudo o que eu queria era tê-la pra mim para sempre, oficialmente, sem mais obstáculos, contratempos. Apenas eu e ela. Queria nossas palavras de amor gravadas na pedra. Eu iria amá-la de qualquer jeito, ficaria do seu lado para sempre.
Eu estava pronto, pronto para assumir esse compromisso. Amá-la, fazê-la feliz, na saúde e na doença, até que a morte nos separasse.
Mas e Katy? Será que ela estava pronta? Pronta para tomar um passo tão grande? Ela já havia passado por isso uma vez e não dera muito certo. Eu precisava deixar claro de que eu ia fazer tudo que precisasse para nós darmos certo. Se precisasse, eu iria até a lua e voltaria para provar o grau do meu comprometimento.
Virei-me para a observar dormindo tranquilamente, como uma criatura celestial. Ela estava deitada de lado e sua mão repousava em cima de meu travesseiro. Naquele momento tudo o que eu queria fazer ela abraçá-la e beijá-la até não poder mais. Aliás, só não fazia isso pois tinha medo de acordá-la.
Em algum lugar do quarto, meu celular vibrou. Me levantei calmamente e andei silenciosamente até o canto do quarto, a origem do barulho. A mensagem vinha de um designer de jóias, seu contato no celular gravado apenas como (insira nome).
“Pacote pronto, venha buscá-lo”
Respondi:
“Estou indo”
Me vesti, deixei um bilhete para Katy e saĂ da casa.
Estava pronto. Finalmente. Há mais de uma semana, eu e um designer vĂnhamos trabalhando no design do anel de noivado perfeito. Incrustado com diamantes, com detalhes em prata. Em todas as mensagens que havĂamos trocado, nĂłs nos referĂamos a ele como “pacote”. Katy nĂŁo podia saber.
Marcamos de nos encontrar no prĂ©dio onde era sede da empresa de joalharias, no escritĂłrio do designer, onde sempre tĂnhamos nossas reuniões. Ao chegar, cumprimentei-o sem muita cerimĂ´nia, a animação pairava no ar sobre nĂłs.
Sentei em sua frente, Ă escrivaninha de madeira escura. Enquanto ele remexia nas gavetas, eu batia meus dedos na mesa, distraĂdo, levemente.
- Aqui está - disse, sorrindo, após o que parecia ter sido meia hora mas fora apenas alguns minutos.
Segurei a caixinha de veludo vermelho e a abri. Lá estava. Um anel absolutamente lindo, delicado, sutil, mas ao mesmo tempo brilhante e poderoso.
- Ficou perfeito - disse, erguendo o anel lentamente.
- Tenho que admitir que Ă© uma das minhas melhores criações, e isso, tenho que admitir, nĂŁo Ă© pouca coisa. Tudo nele obedeceu a uma regra rĂgida de perfeição, o tamanho dos brilhantes, a quantidade de prata usada. Ele Ă© Ăşnico.
- Com certeza. Muito obrigado mesmo. Agora eu tenho que ir, tenho que estar de volta antes que Katy acorde e suspeite. - disse apertando sua mĂŁo.
- O prazer foi meu, e lembre-se, vou cumprir minha parte do acordo de manter absoluto sigilo. Minha boca Ă© um tĂşmulo.
- NĂŁo esperaria nada menos do senhor - disse e saĂ de sua sala.
No caminho para casa fiquei me perguntando onde esconderia o anel. Resolvi esconder em um bolso de uma das minhas jaquetas que eu já não usava mais.
Eu estava em êxtase, o trabalho das últimas semanas, todo o esforço, valera à pena. Estava tudo acontecendo.
Entrei na casa silenciosamente, retirando meus sapatos rapidamente e dando graças à Deus por ser domingo e não haver nenhum empregado no momento.
Subi as escadas rapidamente, procurando fazer o menor barulho possĂvel, entrei no quarto e me dirigi ao closet. Katy ainda estava dormindo e meu coração ameaçava saltar pela boca enquanto escondia minha pequena surpresa para Katy no meio das minhas roupas, bem no fundo da Ăşltima gaveta. Tirei minha roupa e vesti de volta meu pijama.
Sabendo que se eu deitasse de novo na cama eu poderia acordar, Katy, simplesmente desci até a cozinha, preparei nosso café da manhã e subi com a bandeja de volta para o quarto.
- Bom dia Katy - disse, inclinando-me para dar um beijo em sua testa, depois de colocar a bandeja em cima do criado mudo.
- Hmmm…. Bom dia - disse bocejando.
Posicionei nosso café da manhã no centro da cama e entreguei a ela seu café e peguei minha própria caneca.
- Dormiu bem? - perguntei
- Sim, por que vocĂŞ saiu da cama mais cedo?
- Hã… - disse, confuso. Eu não estava esperando por essa. - fui ao banheiro.
- Foi o que eu pensei, então voltei a dormir. Mas… - ela disse, hesitando - Eu não sei se imaginei essa cena, afinal eu estava muito sonolenta. Você se trocou e saiu do quarto, depois eu ouvi o barulho do carro sendo ligado.
- Katy - disse, tentando evitar que o nervosismo transparecesse - Eu acho que vocĂŞ sonhou com isso, eu voltei direto pra cama.
Ela pareceu pouco convencida, mas, felizmente, nĂŁo comentou mais nada.
- É, deve ter isso mesmo. - disse e tomou o cafĂ©. - Está quentinho como eu gosto.Â
- Que bom. Vamos para Santa Barbará que horas?Â
- SĂŁo nove e quarenta e cinco.Â
- Daqui a pouco. Minha mĂŁe com certeza deve ter preparado um banquete, sĂł porque iremos almoçar juntos.Â
- Provavelmente. – ri. – Ainda iremos para Montana, certo?
- Sim… Ultimamente você anda tão ansioso para ir à Montana. O que vai ter lá de tão bom assim?
- Você mal pode esperar para ver. – disse em tom baixo.
Toc-toc-toc. Ouvimos alguém bater na porta.
- Com licença senhores, sua amiga, a senhorita Shannon está lá em baixo. – disse uma das empregadas.
-Pode falar para ela subir. – Katy respondeu e, a empregada retirou-se do quarto.
- Que estranho. Normalmente Shannon subiria sem ser anunciada, nĂŁo?
- Sim. – ela riu. – Que estranho…
- Como eu podia imaginar, ainda estão na cama. – disse Shannon.
- Bom dia para você também. – disse Katy.
- Ai… desculpem-me. Bom dia. Hoje meu vizinho no prédio me estressou aquele rabugento não se alegra nem no natal. – disse e nos cumprimentou.
- Qual deles? – Katy perguntou.
- O Mr. Nolan. – ela disse tentando imita-lo. E nós rimos.
- Ele é bem chato mesmo. – disse Katy. – Vou escovar os dentes. – limpou a boca com o guardanapo.
- E a� Já está tudo preparado?
- Sim. Hoje mais cedo peguei o anel. Depois te amostro. – disse.
- Okay. Você já falou com ela de irem para Montana?
- Já. Ela topou. Muito obrigado Shannon por me ajudar.
- Que nada. Eu faço tudo para ver minha amiga feliz e, ainda mais se for com você. – nos abraçamos.
- Obrigado mesmo. Eu mal posso esperar para isso. Eu sĂł penso nisso, estou um pouco ansioso e nervoso.
- Imagino. Mas vai dar tudo certo.
- O que vai dar certo? – perguntou Katy ao sair do banheiro.
- Ahh… nada. Quer dizer, John está nervoso para o almoço com sua famĂlia, que besteira.
- Que isso amor? Já almoçamos tantas vezes juntos. – ela disse e agarrei-a pela cintura, ainda sentado na cama.
- É sim, agora se troque.
- Vou tomar um banho. – disse e caminhei para o banheiro. – Amor, depois você pega minha toalha?
- Estou com medo que contar para ele… – disse vestindo-me.
- Por quê? – perguntou Shanny.
- Ele disse “ainda bem que você não está grávida”. E se eu contar e ele… ?
- Não amiga, às vezes foi modo de dizer, ou ele percebeu algo e queria que você contasse. Não se preocupe. – me abraçou.
- Como pode ter tanta certeza de tudo?
- Eu que John Ă© compreensĂvel e, se ele ficar chateado por vocĂŞ nĂŁo ter contado antes, logo vai entender o motivo e tudo vai se resolver.
- Hmn… Assim eu espero…
- VocĂŞs vĂŁo para Montana?
- Ah… Er… Bom, imaginei que vocês fossem passar a virada de ano lá.
- Hum… Vamos sim, depois do almoço doa dia 25.
- Hmn… – ela disse e fez uma cara de que escondia algo.
- O que você sabe? Vamos, conte-me. Eu te conheço.
- Eu? Sei de que? – riu e levantou para pegar a bolsa dela.
- Shannon desembucha logo. – cruzei os braços.
- Você está viajando. Eu não sei nada sobre Montana.
- Você está enlouquecendo… – disse e desceu as escadas.
Eu sabia que ela escondia algo. Como eu sempre consigo, saberia que mais tarde conseguiria arrancar dela o “segredo”.
- “AMOR!” – ouvi John me gritar e, lembrei que não tinha levado a toalha para ele.
- Aqui! – entreguei-lhe a toalha.
- Eu já vou descer e irei levar a mala de mão, você desce com as outras. – retirei-me do banheiro.
- Vamos passar em algum lugar ainda?
- Iremos. Esqueceu? Vamos pegar o Markus.
- Não se esqueça das malas. Já vou deixar seu café pronto.
Peguei minha mala, a casinha de Kitty e Monkey e desci. Ouvi barulhos vindos da cozinha e provavelmente eram de Shannon.
- Pode abrir o bico. – disse enquanto pegava as coisas para preparar o café de John.
- Agora Ă© impossĂvel. – disse enquanto mastigava a bolacha.
- Anda me conte o que sabe.
- Se eu soubesse o que Ă© iria te contar. Mas eu realmente nĂŁo sei de nada.
- É coisa da sua cabeça, eu apenas perguntei se vocês iriam para Montana.
- Montana? – perguntou John introduzindo-se na cozinha.
- Nada, não é? – Shannon disse.
- VocĂŞ está estranha hoje. – disse. – Amor, aqui está seu cafĂ©. – entreguei-lhe a xĂcara.
Ouvi meu celular tocar e corri para pega-lo.
- Oi meu bem. Vocês já estão vindo?
- Estamos comendo para nĂŁo sairmos com fome. Ainda passaremos na casa de Markus e vamos.
- Está bem, só liguei para saber mesmo.
- Ok! Já já chegamos aĂ.
- Amor vocĂŞ sabe se eu coloquei o presente de Angela na bolsa?
- Ah… não sei. Mas acho que não.
- Vou lá no quarto ver. – disse e subi ao quarto.
- O que vocês estavam falando sobre Montana? – perguntou John conferindo, se Katy já não estava presente.
- Apenas perguntei se vocês iriam para Montana e, ela já ficou desconfiada. – respondeu Shannon.
- Por favor, Shannon, nĂŁo deixe que ela desconfie de nada.
- Pode deixar, nĂŁo irei dizer mais nada.
- Obrigado. Isso Ă© muito importante para mim.
- No que depender de mim, tudo se saĂra perfeito.
- Mais uma vez obrigado. Estou muito ansiosa para isso… espero que ela diga “SIM”.
- Como pode estar tĂŁo convicta?
- Ela te ama. Basta olhar nos olhos dela quando está ao seu lado, ela fica irradiante. Ela te ama muito e com certeza dirá “sim”.
- Eu também a amo tanto…
- O amor de vocĂŞs Ă© lindo. Nunca a vi tĂŁo feliz.
- Quem você nunca viu tão feliz? – perguntou Katy adentrando na cozinha.
Katy fez uma cara confusa.
- Estava dizendo a John que nunca te vi tão feliz por estar com alguém e, que você o ama verdadeiramente. – disse Shannon.
 Katy mostrou-se emocionada e abraçou John.
- Eu te amo meu bem. – disse John olhando carinhosamente para ela.
- Eu também. – sorriu largo e o beijou.
- AAAAAH! Podem parar! Não sou vela. – disse Shannon rindo.
- Já podemos ir? –perguntou Katy enquanto acariciava o cabelo de John.
- Já. – ele riu torto e deu a última golada no café.
- Então vamos saindo. Já vou levar as malas para o carro. A chave está aonde?
- Está na sala, em cima do criado mudo.
Ela pegou a chave e com ajuda de Shannon colocou as malas no carro. Afinal de tudo já estavam sentadas esperando por John.
- Podemos ir? – ele disse enquanto punha o sinto e preparava-se para dar partida.
- Só esperávamos você. – disse Katy e passou Monkey para o colo de Shannon.
Seguiram caminho para a casa de Markus e logo chegaram. Ele já esperava na portaria e não demoraram. Continuaram na estrada e em poucos minutos já estavam em seu destino. Santa Barbará.
- Eles chegaram! – exclamou Mary avistando-os pela janela.
- Vamos lá ajudar com as malas. – disse Keith pondo-se de pé.
- Eu hein… Parece até que vocês não veem a Katy há anos. – disse David concentrado no que fazia no celular.
- Que seja… – disse Mary. – venha ajudar também. – deu um tapa no ombro dele.
- Oi gente! – exclamou Katy ao vê-los na porta e, acenou.
- Oi! – seus pais disseram sorridentes e logo foram cumprimenta-los.
- Como você está? – ela perguntou.
- Estou bem mĂŁe. E vocĂŞs?
- Estamos bem, graças a Deus. – disse Keith.
- Oi Mary! – disse John saindo de trás do carro, de onde retirava as malas.
- John! – ela o abraçou.
Por sorte Keith e Mary simpatizaram de primeira com a figura de Mayer e, nĂŁo teve que fazer muito para agrada-los.
Todos se cumprimentaram e entraram. O espirito natalino já tomava conto de cada um e a alegria familiar reinava no meio deles.Â
Alguns dias se passaram e antecedendo um dia para vĂ©spera de natal, a famĂlia Hudson foi Ă rua fazer compras. As ruas de Santa Barbara estavam em total decoração natalina, e ao contrario do resto do paĂs as ruas nĂŁo estavam tomadas de neve, bem, havia algumas sombras pelos telhados, mas nada em abundância. Eles voltaram para casa e aprontaram alguns presentes em volta da árvore, poucos, pois nĂŁo era isso o costume natalino da famĂlia.
- Esse é o último. – disse David, entregando a Angela o último sapato de papai Noel, para que pendurasse na lareira.
- Prontinho! – ela disse, após ter pregado o sapato.
- Qual bola? Azul ou vermelha? – Katy perguntou a opinião deles, sobre qual cor colocar agora na árvore na sequência, após encher de bolas douradas e verdes.
“Azul” “Vermelha” “Não azul” “Vermelha é mais bonita” – foram os comentários que percorreram em discordância, e ela decidiu colocar por si mesma a cor que mais a agradava. Azul.
- Não sabia que você era uma ótima decoradora de árvores. – disse John, cruzou os braços e ficou observando cada enfeite que havia na árvore.
- Eu não sou. Eu engabelo. – ela disse concentrada em pendurar as bolinhas.
- Desenrole o pisca-pisca.
- Sim senhora. – ele riu e começou a desenrolar o pisca-pisca. Que por sinal estava bem embolado.
- Eu acho que vou fazer bolo de abacaxi, o que acham? – disse Mary, procurando algumas receitas no cômodo na sala.
- Não. Não posso comer abacaxi. – disse Angela.
- É mesmo, esqueci. Então o que sugere?
- Não precisa de bolo, já tem tanta comida. Vamos nos empanzinar.
- PRECISA SIM! – disse David erguendo-se da poltrona.
- Você é magro de ruim. – disse Katy.
- Você come muito também, cala a boca.
Katy deu uma “moca” na cabeça dele e virou-se de trás novamente.
- Sua… – ele deu outro nela.
- Me respeita, eu sou mais velha que você. – ela disse retribuindo a moca, e eles estavam atracados como duas crianças.
- Estrelas do céu cristo. Vocês nem parecem dois adultos. – disse Mary, balançando a cabeça.
- Parecem duas crianças de sete anos. – disse Angela.
- Vê se eu posso com isso… – disse Mary e foi andando para a cozinha.
- Vocês dois juntos são piores que o demônio. – disse Ann, que vinha em sua cadeira de roda elétrica.
- Que horror. – Katy disse e desagarrou-se de David, e desamassou sua roupa.
John, Angela, Svend, Markus e Shannon riam sem parar, pois Ann dizia sério e parecia estar brincando.
- John até quando você vai aguentar isso? – Ann balbuciou.
- Pelo resto de minha vida Ann… O que eu posso fazer se a amo? – disse John e olhou com um sorriso bobo.
“Awww’’ Katy murmurou e o abraçou.
- John não é sério, vovó e a senhora sabe disso.
- Eu sei… Já conheço bem suas piadas …
- Parem de se agarrar e beijar, que agonia. – disse Shannon.
- Mas você é chata. – disse Katy.
- NĂŁo sou chata, vocĂŞs sĂŁo.
- Está na TPM Shannon? – perguntou Markus rindo.
- Deve estar… – disse Katy rindo.
- “Katy!” – gritou Mary da cozinha. E Katy logo foi ver o que ela queria.
- Oi mamãe! – ela disse.
- Me ajude a servir a mesa.
- Claro. – ela disse e pegou a toalha no armário.
Depois de minutos silenciosos, Mary indagou.
- Você e John estão muito bem, certo? – disse, arrumando os talheres próximos aos pratos.
- Sim. Muito bem. Estou tĂŁo feliz.
- Graças a Deus. Percebo o quanto se amam.
Katy sorriu carinhosa e ajudou a por os copos na mesa.
- Katheryn. – disse Mary pausadamente. – Não há nada que queira me contar?
Katy arregalou os olhos e quase deixou um copo cair.
- NĂŁo, nĂŁo. O que haveria de contar?
- Katheryn você acha que eu não te conheço. Anda vamos me conte o que está escondendo.
- Não tenho outra opção né? – ela disse sentando-se na cadeira.
- Não. – Mary disse o fez o mesmo.
- Como assim sabia? – Katy disse surpresa.
- Seus olhos estĂŁo fundos.  Suas maçãs estĂŁo mais coradas, seu corpo está diferente. Eu conheço bem essas mudanças.Â
- Mas porque vocĂŞ ainda nĂŁo contou que está gravida?Â
- Eu queria fazer uma surpresa para o natal.Â
- Ah sim! Será uma grande surpresa. Como John ficou ao saber dessa noticia?Â
- Eu nĂŁo contei para ele. - Katy disse em tom baixo recolhendo-se para dentro de si.
- NĂŁo entendi. Fale para fora.Â
- Eu nĂŁo contei para ele. - disse da mesma forma.Â
- Eu nĂŁo contei. - disse em tom mais claro.Â
- Depois que ele voltou para casa, eu ainda estava passando mal, atĂ© vomitei e fiquei com vontade de comer limĂŁo. Ele disse “ainda bem que vocĂŞ nĂŁo está gravida”. E se ele me deixar?Â
- Minha filha, ele disse isso insinuando desconfiar de algo, e queria saber se assim vocĂŞ contaria a verdade. É besteira, nĂŁo pense assim. John Ă© um bom homem e nĂŁo te largaria.Â
- Quando vocĂŞ descobriu?Â
- Depois que voltei do JapĂŁo, eu já estava passando muito mal, e entĂŁo fui ao medico com Shannon e descobri.Â
- E vocĂŞ foi fazer o acompanhamento?Â
- Claro, tenho que voltar dia 02 para fazer outra consulta.Â
- Ah sim, quero ir com vocĂŞ.Â
- Vai ser muito bom. Ah, John e eu vamos para Montana passar o ano novo lá.Â
Mary deu um sorriso diferente, o que intrigou Katy. Ela esperava que a mĂŁe se convidasse para ir junto, mas nada fez, apenas sorriu diferente.Â
- Por nada. Vamos acabar de ajeitar aqui para jantarmos. - levantou-se e pegou os utensĂlios para continuar arrumando.Â
- Eu vou lá chamar o pessoal. - disse Katy.Â
EntĂŁo Katy assim o fez, chamou-os para jantar e ali ficaram conversando em altas risadas alegres, e desfrutando um da companhia do outro atĂ© tarde.Â
- Svend e eu vamos nos deitar. - disse Angela levantando-se com cuidado.
- Boa noite, durmam bem! - disse Mary.Â
- VocĂŞs tambĂ©m. - ela sorriu e foi-se.Â
- Vamos ir tambĂ©m? - Katheryn perguntou a John.Â
- NĂłs vamos subir tambĂ©m, quer ajuda com a louça mĂŁe?Â
- Mas vocĂŞs parecem atĂ© velhos, porque dormir cedo? SĂŁo apenas 00h30minh. - disse Ann revirando os olhos.Â
- E a senhora já era pra estar na cama. - disse Katy.Â
- Eu sou da noite querida. - ela respondeu arrancando risadas de todos.Â
- Ann Ă© das minhas. - brincou Markus.
- NĂŁo meu bem, nĂŁo precisa. Seu irmĂŁo me ajuda, podem ir. - Mary disse.
- Tem certeza? - Katy insistiu, embora odiasse lavar louça.Â
- EntĂŁo ok. Boa noite gente!Â
- Boa noite! - disse John.Â
- Vamos vovĂł eu te levo para o quarto. - disse Katy tentando guiar a cadeira.Â
- Eu nĂŁo preciso de ajuda. Estou mais jovem que vocĂŞs.Â
- EntĂŁo está bem. - disse Katy rindo e a ajudou atĂ© o quarto.Â
- Hoje foi uma noite agradável. - disse John retirando o suĂ©ter que usava.Â
- Meus pais irĂŁo almoçar conosco dia 01.Â
- Hmn… que bom. Carl e Shera irĂŁo vir tambĂ©m?Â
- Sim, eu acho. - disse e aconchegou-se na cama, puxou seu jogo de palavras cruzadas e começou a jogar.Â
- Perdi para esse jogo? - Katy perguntou entrando embaixo das cobertas.Â
- Claro que nĂŁo. - ele disse e puxou-a para mais prĂłximo.Â
- Esse ano passou tĂŁo rápido nĂ©? Aconteceram tantas coisas e parece que foi tudo em um curto tempo.Â
- Passou sim. Na verdade voou. Coisas boas e ruins, altos e baixos, nĂłs ainda estamos aqui.Â
- Sim. - ela sorriu e entrelaçou a mĂŁo na dele.Â
- Este ano foi bom, nĂŁo me arrependo de nada… Absolutamente nada.Â
Eles ficaram em silĂŞncio por minutos, quando se deu conta Katheryn já estava dormindo sobre o peito de John tranquilamente.Â
Ele deixou-a na cama e pegou o anel que estava no bolso de seu casaco.
Este anel representará tudo. Todo o meu amor, todos os meus sentimentos. Eu nunca fui muito de imaginar em casar-me, mas quando vocĂŞ encontra a pessoa certa Ă© inevitável. O desejo de tĂŞ-la sempre em seus braços Ă© inestimável. Amar Ă© inestimável. VocĂŞ apenas que ver a felicidade que quem vocĂŞ ama. VocĂŞ faz tudo para isso e ainda Ă© retribuĂdo. De um jeito mais inexplicável aquela pessoa te completa como ninguĂ©m. Por anos eu sentia-me como uma alma vagando procurando algo, que nĂŁo sabia o que era. E quando encontrei Katy soube o que era tal coisa. Eu sĂł quero protege-la, cuidar, respeitar a amar. Ela que me fez e faz tĂŁo bem.
Eu sei que a decisĂŁo de pedir alguĂ©m em casamento nĂŁo Ă© a mais fácil e vocĂŞ nĂŁo sabe o momento certo disso. Mas eu sabia que era a hora, quando eu notei que nĂŁo poderia viver sem ela. Essa decisĂŁo Ă© infinita, nĂŁo nos casamos parar durar um ano e depois renovar o contrato, isso nĂŁo Ă© uma compra de um imĂłvel, Ă© o nosso coração. Eu sei que daqui em diante será apenas ela, mas nenhuma em minha vida. Sei que vamos ter nossos momentos ruins, como em todos os casamentos. Mas eu nunca, nunca deixarei nossa chama se apagar. O que basta para mim e saber que para sempre a terei. Acordarei sempre ao lado dela e dormirei da mesma forma. Os meninos serĂŁo fortes, mas nunca sobreviverĂŁo sem o calor de uma mulher, sem amor. Eu nunca, nunca em toda minha vida tive tanta certeza de algo. E ela que quero para sempre, eu sĂł a amo, sĂł ela pode me fazer feliz. E eu a amo, como nunca, em toda minha vida amei ninguĂ©m. E farei qualquer coisa para vĂŞ-la feliz.Â