CapĂtulo 47 - Cause boy you complete me.
â Eu nĂŁo gosto dessa coisa de almoço em famĂlia â falei quando enfim chegamos a porta do apartamento âdos Lanzaâ â Fico me sentindo uma intrusa...
â VocĂȘ nĂŁo tem que se sentir uma intrusa, jĂĄ Ă© mais que da famĂlia agora.
â Nem tanto nĂ©, Ă© estranho. To pensando seriamente em ir embora.
â Ei, vocĂȘ me fez ficar meia hora esperando vocĂȘ se arrumar e agora vem dizer que vai embora? Nem pensar.
â VocĂȘ ficou esperando meia hora porque nĂŁo me avisou que horas seria o almoço...
â O almoço Ă© na hora do almoço, lerdinha!
â Ă mas depende da hora do almoço da sua famĂlia, nĂ© lerdinho.
â TĂĄ, sem brincadeiras, tĂĄ tudo bem nĂ©? Vamos entrar entĂŁo.
Assenti com muita dificuldade e inspirei forte tentando me acalmar. Era como se fosse a primeira vez, o primeiro almoço, a primeira visita, como se ninguĂ©m naquela casa soubesse da minha existĂȘncia...
â Ei MamĂĄ! CadĂȘ meu abraço? â Pedro disse correndo atĂ© o sofĂĄ. Suspirei de alĂvio ao perceber que Maria era a Ășnica que estava na sala.
â Titia Ana do titio PepĂȘ! â ela disse desviando do abraço de Pedro e correndo pra perto de mim. Titia Ana do titio PepĂȘ. Tem coisa mais meiga?
â Ei meu amor! Que saudades de vocĂȘ, mas Ăł, tem uma coisa, sĂł titia Ana sem PepĂȘ, tĂĄ bom?
â Iiiiih, jĂĄ parou? â Pedro reclamou pegando no colo e voltando pro sofĂĄ - Ă isso aĂ MamĂĄ, titia Ana do tito PepĂȘ, SĂ do titio PepĂȘ!
â Claro que sim! Repeti MamĂĄ, âsĂł do titioâ.
â SĂł do titio â ela repetiu de um jeito meigo.
â Meu Deus! â Michelle gritou da cozinha e foi sĂł aĂ que eu percebi que nĂłs estĂĄvamos falando alto demais - VocĂȘs vĂŁo enlouquecer minha filha! Parem com isso vocĂȘs dois! Agora!
â Foi a Ana que começou.
â Cala a boca â me sentei em um dos sofĂĄs â E eu nĂŁo sou sua.
â Ontem foi coisa de momento...
â Ah mas beleza, tem muita menina por aĂ querendo ser minha.
â Experimenta chegar perto dessas meninas que querem ser suas e vocĂȘ vai ver o que eu faço!
â NĂŁo Ă© minha mas tem ciĂșmes de mim? Meus Deus sĂł vocĂȘ mesmo Ana.
E eu ia continuar nossa briga de criança se Leni nĂŁo tivesse chegado na sala bem na hora. E com certeza ela deve ter se perguntado quantos anos eu e Pedro tĂnhamos. AtĂ© Maria parecia mais adulta.
â PĂȘ seu pai tĂĄ lĂĄ dentro... VocĂȘs devem ter muita coisa pra conversar nĂ©?
â Ă, demais, faz tempo que eu nĂŁo troco uma ideia com ele... VocĂȘ fica bem aqui nĂ© Ana?
â Claro! â assenti positivamente â Pode ir lĂĄ conversar com ele, eu to legal!
Ele apenas sorriu. Leni se sentou do meu lado, séria.
â EntĂŁo Ana, fiquei sabendo que o Pedro fez, uma burrada em meio a tantas nĂ©?
â Ah Ă©... Ele Ă© bem confuso, eu tambĂ©m sou. Eu sempre digo que nĂŁo vou relevar mas...
â Ele Ă© muito impulsivo, age sem pensar e depois se arrepende... VocĂȘ sabe.
â Sei, mas isso nĂŁo justifica â falei num tom indignado â Mas eu nĂŁo consigo me afastar dele, Ă© mais forte que qualquer raiva que eu tento nutrir por ele.
â Eu sĂł quero que vocĂȘ saiba que ele te ama de verdade.
â Ah... nĂŁo sei, talvez ame â respondi sem graça.
â E sobre o bebĂȘ... tĂĄ tudo bem?
â TĂĄ tudo Ăłtimo! E tirando o mal estar normal eu to super bem, tĂĄ tudo normal!
â Que bom! Fico mais tranquila assim...O PĂȘ me falou que vocĂȘ gosta de cozinhar!
â AMO! Eu amo cozinhar, desde pequena sempre gostei!
â Quer ajudar no almoço? Que na verdade jĂĄ era pra estar pronto, mas Ă© tanta coisa... Na correria as coisas nunca saem na hora.
â Claro, ajudo sim! Ă sĂł me falar o que vocĂȘs querem que eu faço, relacionado a cozinha eu gosto de tudo!
â EntĂŁo tĂĄ bom! Pode ir pra cozinha, vou sĂł levar a Maria pra ficar um pouco com o PĂȘ!
Segui até a cozinha enquanto ela foi pra um dos quartos com a Maria. Estranho explicar mas de alguma forma eu me sentia em casa...
Era tanta coisa pra fazer na cozinha que eu não sabia por onde começar.
â Meus Deus, acho que eu vou me perder em meio a tanta coisa... TĂĄ precisando de ajuda com o que, Mi?
â Com tudo â ela respondeu se sentando, parecendo exausta â Definitivamente, nĂŁo nasci pra isso...
â Ă, vocĂȘ e o Pedro sĂŁo mesmo irmĂŁos â falei rindo â Fica aĂ um pouco, vou ver o que eu consigo fazer aqui... SĂł me diz uma coisa, pouco tempero ou muito?
â Tanto faz, mĂ©dio... Nem muito nem pouco!
â TĂĄ bom! Vou ver o que consigo fazer...
Terminei de fazer a comida råpido e ainda consegui fazer uma sobremesa com algumas coisas que achei na geladeira. Jå estava consideravelmente tarde pra um almoço normal e meu estÎmago jå estava começando reclamar sem parar.
â Acho que jĂĄ vou chamar eles pra almoçar... â falei batendo impaciente meus dedos na mesa.
â Pode deixar que eu vou lĂĄ, se deixar eles esquecem de tudo! E minha mĂŁe que foi levar a Maria e nĂŁo voltou mais pra cozinha? Meu Deus, nĂŁo aguento!
â Pois Ă©, o papo deve estar bom atĂ© demais!
â E aĂ? JĂĄ tem almoço pronto? â Pedro chegou na cozinha com Maria.
â Aleluia! Ă, jĂĄ tĂĄ tudo pronto, sĂł falta vocĂȘs! â Michelle indo em direção a sala â Vou chamar minha mĂŁe, fiquem aĂ!
â VocĂȘ ama uma cozinha, nĂ©? â ele olhou pra mim e riu.
â Faço o que posso nĂ©... Na boa Pedro, to morrendo de fome!
â E porque nĂŁo comeu ainda?
â Porque Ă© um almoço em famĂlia â falei num tom Ăłbvio.
â Hm, vem cĂĄ, se a gente for esperar a boa vontade de todo mundo se reunir vamos morrer de fome! Eu coloco pra ti ou vocĂȘ mesmo coloca?
â Eu coloco... E o que deu em vocĂȘ que tĂĄ meigo desse jeito?
â Eu sou meigo, meu bem!
â Ah claro, meigo e super modesto!
â Mega modesto â disse beijando minha bochecha.
Sentamos na mesa e nem sinal dos outros voltarem. Se eu fosse esperar todo mundo se reunir ia realmente morrer de fome. Não sei se é porque eu estava com uma fome enorme mas a comida estava boa até demais e eu fui obrigada a repetir.
â Pedro o que que a Maria come?
â Engraçadinho vocĂȘ, to falando sĂ©rio, ela deve estar com fome!
â Ah nĂŁo sei... A Michelle que tem que colocar pra ela, eu nĂŁo sei dessas coisas!
â Nossa, vocĂȘ vai ser um Ăłtimo pai, nem sabe o que a menina come...
â Olha quem fala... VocĂȘ tambĂ©m nĂŁo sabe!
â Ă... mas eu nĂŁo sou tia dela e nĂŁo convivo com ela, espertinho!
â TĂĄ bom, 1 a 0 pra vocĂȘ... MamĂĄ â ele olhou pra ela que estava com uma cara de fome e sono â Vai chamar sua mĂŁe pra colocar alguma coisa pra vocĂȘ comer...
â NĂŁo precisa! JĂĄ cheguei â Mi chegou acompanhada de Leni e Mauro â Vem cĂĄ meu amor, vou colocar pra vocĂȘ... E vocĂȘs dois jĂĄ comeram nĂ©? Que feio.
â Claro, se for esperar vocĂȘs a gente morre de fome... E Ana nĂŁo pode ficar muito tempo sem comer â Claro, joga a culpa toda na Ana.
â Ă... ultimamente to sentindo uma fome anormal, nĂŁo consigo esperar muito pra comer.
â A culpa Ă© nossa, a gente acabou emendando um papo no outro... E a comida tĂĄ com um cheiro Ăłtimo, Ana! â Leni disse e sorriu pra mim - Ă melhor vocĂȘ casar logo, PĂȘ! NĂŁo se acha assim em cada esquina!
â Casar? â nĂłs dois perguntamos surpresos.
â Parece que ninguĂ©m aqui ta querendo casar... â Mi cantarolou.
â Gente, eu sĂł estava brincando! VocĂȘs dois nĂŁo precisam ficar com essas caras de âessa mulher tĂĄ loucaâ.
Dei um sorriso sem graça e olhei pro Pedro que por incrĂvel que pareça tambĂ©m nĂŁo sabia o que fazer. Casar? Isso definitivamente nĂŁo estava nos meus planos. Ele se levantou da mesa e fez um gesto para que eu o seguisse atĂ© a sala.
â A cozinha tĂĄ muito cheia, nĂŁo to conseguindo... respirar.
â NĂŁo brinca com essas coisas de vocĂȘ nĂŁo conseguir respirar que eu fico preocupada, caramba!
â Ih, nossa, estressada.
â Estressada? To dizendo que me preocupo com vocĂȘ e vocĂȘ ainda diz que eu sou estressada? Ai meu Deus.
â Vem cĂĄ â ele me puxou me fazendo sentar em seu colo â Aqui Ă© legal tambĂ©m porque dĂĄ pra a gente ficar a sĂłs...
â Ah Ă©? E o que a gente faz a sĂłs? â ele se aproximou e mordeu meu lĂĄbio inferior.
â DĂĄ pra fazer muitas coisas... â nĂłs sorrimos juntos â TĂĄ curtindo o almoço?
â VocĂȘ sabe que eu adoro sua famĂlia, entĂŁo pra mim tĂĄ tudo lindo! SĂł o âtitia Anaâ jĂĄ valeu meu dia â falei com um sorriso bobo e ele sorriu junto.
â Titia Ana nada, titia Ana do titio PepĂȘ! Poxa Ana, sabe quanto tempo eu tive que ficar repetindo pra ela Ana do PepĂȘ atĂ© ela decorar? DaĂ vocĂȘ vai e fala pra ela que nĂŁo pode!
â Ai que idiota... - dei um sorriso e selei nossos lĂĄbios - Quer dizer que eu sou do PepĂȘ?
â Sempre foi nĂ©? Confessa!
â Fazer o que... acho que sim.
â TĂĄ vendo? AtĂ© vocĂȘ sabe que Ă© verdade...
Entrelacei meus braços no pescoço dele e selei nossos låbios num beijo carinhoso.
â JĂĄ tĂĄ bem tarde, porque vocĂȘs nĂŁo dormem aqui? â Leni disse entrando na sala me fazendo levar um susto e logo depois ficar vermelha de vergonha.
â Por mim tudo bem... â Pedro respondeu olhando pra mim, esperando minha resposta.
â Eu nĂŁo posso... Tenho que fazer umas coisas e tenho que avisar minha tia...
â Eu aviso sua tia. â ele insistiu.
â Se resolvam e depois me falem, tĂĄ bom? Vou deixar vocĂȘs dois sozinhos!
â Dormi aqui hoje, vai â à covardia ele me pedir as coisas fazendo cara de cachorro sem dono....
â Eu nĂŁo sei se Ă© uma boa, Pedro...
Ainda tenho que aprender a dizer ânĂŁoâ pro Pedro.
â VocĂȘ fica fazendo essa cara de coitado daĂ nĂŁo tem nem como eu dizer nĂŁo nĂ©...
â Isso foi um sim? â ele sorriu.
â Foi PĂȘ, isso foi um sim... Mas vocĂȘ tem que ligar pra minha tia!
â Ligo pra ela e pra quem vocĂȘ quiser!
Ele estava tĂŁo feliz que acabou me contagiando, nĂŁo tinha mal algum em dormir lĂĄ, tirando a parte de eu nĂŁo gostar de dormir fora de casa... Peguei uma camisola emprestada com Mi e agradeci por minha bolsa ter tudo que eu precisava pra passar uma noite fora de casa.
Ficamos atĂ© tarde reunidos na sala, conversando sobre tudo e vez ou outra Pedro e Mauro cantarolavam alguma coisa, era impossĂvel fazer alguma coisa sem mĂșsica ali.
O papo rendeu atĂ© altas horas e eu tive que ir dormir quando percebi que meus olhos nĂŁo conseguiam mais se decidir entre ficarem abertos ou fechados. Sono eu tinha (sempre) de sobra mas o problema era conseguir dormir... Eu e a minha eterna dificuldade em dormir em lugares novos. Me revirei na cama vĂĄrias vezes tentando conseguir pegar nosso e quando vi que seria inĂștil resolvi fazer o que eu fazia de melhor: encher o saco de Pedro.
â PĂȘ... â ele nĂŁo respondeu â Pedro!
â Anamari, eu sei que vocĂȘ tĂĄ com sono minha filha, pelo amor de Deus dorme tambĂ©m!
â PĂȘ, eu to sem sono, conversa comigo vai...
â Vou te falar uma coisa, eu amo conversar com vocĂȘ mas amanhĂŁ o dia começa cedo.
â Sabe de uma coisa que eu tenho medo?
â NĂŁo gosto de dormir em lugares estranhos, tipo lugares novos sabe, tipo esse seu quarto... Eu vejo as sombras das coisas e associo a espĂritos do mal â dei um riso abafado.
â SĂ©rio? â ele pareceu começar a se interessar.
â SĂ©rio! Pedro conversa comigo, vai... A verdade Ă© que eu nĂŁo to com falta de sono, eu to com medo.
Ele se virou pra mim e me puxou pra mais perto, me dando um selinho demorado.
â Olha, acompanha comigo, aquilo ali Ă© um violĂŁo, aquela Ă© a estante, o mĂĄximo que vai ter ali sĂŁo alguns demĂŽnios de brinquedo â ele riu â Ali camisas e por aĂ vai... NĂŁo tem nenhum espĂrito maligno, tĂĄ bom?
â Tem certeza que aquilo Ă© um violĂŁo?
Ele tirou uma mecha de cabelo do meu olho, sorriu e olhou de volta pro suposto violĂŁo, como se quisesse confirmar.
â Tenho chatinha, Ă© um violĂŁo.
â TĂĄ bom, foi mal te acordar tĂĄ?
â NĂŁo precisa se desculpar e Ăł, se vocĂȘ vir alguma coisa suspeita me chama, tĂĄ? To aqui pra te salvar!
â Oh, meu herĂłi! â nĂłs rimos
â Agora jĂĄ tĂĄ tudo bem nĂ©?
â Aham â confirmei com a cabeça â Acho que to melhor agora!
â EntĂŁo tĂĄ bom, boa noite!
Dei mais uma olhada no cĂŽmodo tentando me acostumar Ă s formas estranhas no escuro.
â Pedro... â sussurrei.
â Dorme bem! â dei um selinho rĂĄpido nele e ajeitei nosso abraço, ele sorriu.
â Dorme bem tambĂ©m, chatinha.
Acordei com dificuldade, sĂł pra variar eu ainda queria dormir por trĂȘs horas, me sentei e passei a mĂŁo no rosto tentando espantar o sono.
â Em que mundo vocĂȘ acorda antes de mim? â falei olhando pra Pedro que estava arrumando algumas coisas na estante.
â NĂŁo sei... Perdi o sono, madruguei hoje.
â VocĂȘ sente falta daqui nĂ©?
â Eu gosto do meu quarto, meu quarto no meu apartamento... Mas sei lĂĄ, sinto falta de algumas coisas aqui sim, passei boa parte da minha vida aqui, nĂŁo tem como nĂŁo sentir falta...
â Eu sei como Ă©, morro de saudades lĂĄ de casa, Ă© impossĂvel nĂŁo sentir falta!
â Pois Ă©! Mas e aĂ, dormiu bem? Nenhum monstro te assustou nĂ©?
â Debochado! â dei um tapa nele e ele riu â NĂŁo, nenhum monstro me pegou, sabe porque?
â Porque eu estava dormindo abraçada com o meu herĂłi! â ele riu â Ok, momento retardado passou... VocĂȘ dormiu bem tambĂ©m?
â Dormi, dormi bem atĂ© demais. â ele se aproximou e me deu um selinho â Tenho umas coisas agendadas pra hoje, entĂŁo nĂŁo posso demorar, se arruma aĂ, te espero lĂĄ na sala pra te levar atĂ© em casa!
â Ah nĂŁo, me espera vai... vou no banheiro rapidinho, troco de roupa e jĂĄ saio do quarto com vocĂȘ! NĂŁo quero chegar na sala sozinha.
â Vai dar uma de tĂmida agora? â ele riu â Te espero, mas Ăł Ă© rĂĄpido tĂĄ bom?
Me levantei, peguei minha roupa e segui até o banheiro.
Fico pensando o que ela faz pra acordar tĂŁo linda todos os dias, o que ela tem de tĂŁo especial que me atrai tanto.
Comecei a arrumar a cama pra agilizar as coisas e sĂł depois de um tempo Ă© que notei o toque insistente do celular da Ana. Pensei seriamente em ignorar mas nĂŁo resisti quando vi âDanielâ no identificador.
â NĂŁo, sĂł tem Pedro, serve?
â TĂĄ sabendo meu sobrenome, acho que eu to em desvantagem aqui! Daniel, nĂ©?
â CadĂȘ a Ana? E porque vocĂȘ tĂĄ com o celular dela?
â Eu nĂŁo to com o celular dela eu sĂł atendi porque na boa vocĂȘ enche o saco, pra que ligar tantas vezes seguidas? E se Ă© o que vocĂȘ quer saber, sim ela dormiu comigo! Feliz? Agora tchau.
â Espera, nĂŁo desliga! Chama ela pra mim...
AĂ as vezes eu me pergunto o quĂŁo chato esse cara pode ser....
â Eu nĂŁo posso chamar ela pra vocĂȘ porque ela ta ocupada! AtĂ© porque se ela nĂŁo estivesse teria atendido o celular... Ela tĂĄ trocando, ou melhor, vestindo a roupa... entende?
â Impressionante como ela nunca aprende... Impressionante como ela sempre quebra a cara e depois faz tudo igual... Ela nĂŁo devia ter voltado a falar com vocĂȘ...
â Escuta aqui, quem tĂĄ sobrando Ă© vocĂȘ! SerĂĄ que vocĂȘ nĂŁo percebe que ela nĂŁo gosta de vocĂȘ? Ela sente pena sĂł isso.
â O legal Ă© que vocĂȘ faz sempre tudo errado, vocĂȘ sempre faz ela sofrer e mesmo assim ela se arrasta aos seus pĂ©s, se vocĂȘ gostasse realmente dela...
Desliguei a ligação por impulso ao ver ela saindo do banheiro.
â TĂĄ fazendo o que com meu celular?
â Ah... sĂł to... olhando as horas!
â Ă mesmo? â ela riu e apontou pro relĂłgio na parede â Deixa eu te apresentar, relĂłgio esse Ă© o Pedro, Pedro esse Ă© o relĂłgio!
â Ah qual Ă©, to falando sĂ©rio, eu sĂł... me esqueci desse relĂłgio aĂ.
â Aham sei e essa cara de culpado?
â A mesma cara que vocĂȘ faz sempre que faz alguma coisa errada... Te conheço bem atĂ© demais, esqueceu?
â Ă... conhece mais ou menos! Mas me fala uma coisa, vocĂȘ e esse Daniel... rola alguma coisa?
â Rola... rola amor, amizade...
â NĂŁo to falando de amizade, Anamari!
â NĂŁo Pedro Gabriel, nĂŁo rola e nĂŁo rolou nada, ele Ă© como um irmĂŁo pra mim! Feliz agora?
â Mas ele nĂŁo gosta de vocĂȘ como irmĂŁ...
â Eu sei... eu sei, eu sei! NĂŁo precisa me lembrar!
â Foi mal, vocĂȘ nĂŁo tem que ficar me dando satisfaçÔes sobre com quem vocĂȘ fica ou nĂŁo...
â Ă, eu sei! â ela disse pegando o celular da minha mĂŁo e seguindo atĂ© a porta - Vamos entĂŁo nĂ©, vocĂȘ disse que tinha que resolver umas coisas, nĂŁo to querendo te atrasar!
Suspirei e assenti. O que ela tem de linda tem de complicada.
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