Talvez na escrita eu consiga aliviar um pouquinho da minha dor dizendo o que nunca consigo dizer pessoalmente. Escrever essas palavras como uma despedida necessária e um fechamento de ciclo que não quero levar comigo para o próximo ano.
Nós tivemos a nossa história, momentos bons, sonhos compartilhados e, claro, dificuldades. Durante muito tempo, me apeguei a ideia de que poderíamos superar qualquer coisa juntos, mas hoje vejo que, por mais que o amor seja importante, ele não é o suficiente quando falta respeito, esforço mútuo e prioridades. Se houve falhas, sei que algumas foram minhas.
Olhando para trás, vejo o quanto me esforcei, o quanto lutei por nós em todas as vezes que te perdoava quando você me machucava profundamente. Já refleti inúmeras vezes e já lhe perguntei uma solução que pudesse existir para ainda levar esse relacionamento, mas não há, e uma relação não pode ser sustentada por apenas uma pessoa lutando, e o peso disso ficou muito pesado para que eu ainda consiga carregar sozinha. É por isso que decidi seguir em frente. Não porque não amei/amo, mas porque tenho que aprender a me amar.
Eu quero me desprender de você, quero me desfazer das suas manias, quero renunciar as nossas memórias, quero abdicar dos planos as quais passei noites pensando e organizando como o nosso réveillon e que você destruiu em um dia só. Quero esquecer você, quero esquecer seu cheiro, nossa rotina e nossa química. Quero me encontrar em outras pessoas, em outras bocas, me deitar com outros corpos para ver se no final do dia não me resta nada além de vaga lembrança a você. Afinal, foi você quem escolheu ser um estranho em meio a tantos danos nos quais fez questão de causar. A você eu dediquei o meu amor e meu respeito. Não quero mais te enxergar. Nem nas ruas, nem na Tv, nem nas recordações das redes sociais, pois você tudo fez sem hesitar, se desfez de mim em um simples ato como quem nunca se importou com a gente.
Com o tempo percebemos que o amor exige construção e que a honestidade é essencial. Respeito e consideração é não fazer com o outro o que não quer que o outro faça com você, e você não teve essa consideração comigo, pois nem mesmo deu tempo de cicatrizar feridas que ainda estavam abertas causadas por você e você continuava fazendo outras. Responsabilidade afetiva é saber dizer adeus. Não se trata de ser herói ou vilão, mas de não ferir quem se importa com você.
Não quero mais me aproximar demais de você, porque toda vez dói. Mas toda vez que você me magoa, menos eu choro; Toda vez que você sai da minha vida, mais rápido as lágrimas secam.
Não temos mais chance, é triste, mas é verdade.
Estou só me protegendo. Mesmo que não pareça, eu tenho tentado desesperadamente não desistir de mim.
Um dia eu vou superar, mas não vai ser hoje. Hoje vou me permitir ser vulnerável, hoje vou me deleitar na minha ira e hoje eu vou sentir dor. Porque eu percebi que renegar a dor não é eficiente, mas vive-la faz com que ela seque. Hoje eu ainda vou lamentar o tempo perdido, hoje vou ficar nostálgica, hoje eu vou chorar e vou ficar quieta. Hoje eu vou aceitar a derrota. E o que mais me machuca é perceber o quanto me anulei tentando salvar algo que já estava quebrado.
“Eu te amo, mas no dia 31 de dezembro, quando der 00h00, você vai ficar no meu 2024”.












