“e olha, eu poderia passar o resto do dia dissecando todos os seus argumentos, mas...” therin continuava, determinado, as mãos gesticulando furiosamente. apesar de não ter a menor vontade de participar de debates oficiais, o ambiente que o fazia falar o tanto quanto quisesse sem o menor ressentimento provavelmente era o que o motivava a continuar indo às reuniões do clube. “eu simplesmente não sei explicar pra você que vidas são valiosas. alguns seres sobrenaturais acham que humanos não tem alma ou algo assim, mas assim que eles se tornam vampiros ou lobisomens eles passam a ser gente? é uma lógica falha, porque ela não é realmente lógica, ela é baseada em emoções e ressentimento. olha, eu aposto que cada um nessa sala tem muito mais em comum com humanos do que diferenças. o problema é só o medo do desconhecido. só que nem a sociedade humana nem a sociedade sobrenatural está mais na idade das sombras, na idade onde algo como o massacre de salém aconteceria. eles têm embaixadas e diplomatas. nós temos embaixadas, e eu sei disso porque uma delas arranjou pra que eu fosse trazido aqui. nós já progredimos além da necessidade dessa alienação. quebrar essa barreira, nos impormos como sociedade, resolveria muitos dos problemas que temos que enfrentar em relação a humanos. eu acho que eu só quero dizer que... ter poderes não torna ninguém mais gente do que o outro.”
depois que todos na roda haviam terminado de falar, a coordenadora do clube de debate anunciou o fim da reunião e todos começaram a se levantar. therin enchia sua garrafa no bebedouro quando avistou o rosto de @faroeotis, que imediatamente reconheceu como o mesmo rosto que se fechava sempre que ele falava. “dia ruim?” perguntou, cinismo quase indetectável, sem nem olhar pra cima. “ou só não gostou do tema da conversa?”












