Executável
Não me escreva poemas de amor. Eles nunca cumprem o que prometem e facilmente se tornam arcaicos.
Os de desejo, por outro lado, já nascem prescritos. Duram o quanto dura a ponta do lápis.
Enquanto não seca a gota que escorre demonstrando nada mais que a libido.
Não me escreva poesia com floreios. Circunstâncias inconcretas; planos desde sempre fracassados.
Desprezo o que não nasceu para ser executado. E nisto há exímio cuidado.
Este poema, por exemplo, já acabou. Cumpriu seu papel.
Júlia














