Nem sempre é simples definição de raça e pertencimento. …Não-branca no elitismo de herança colonial no Brasil. Quando entrando nos Estados Unidos fui registrada na imigração como black devido à lei de uma-gota-de-sangue-negro “one-drop rule” — todo descendente de negro é negro]. Depois da pandemia veio a nomenclatura BIPOC [black indigenous people of color - preto indígena pessoa de cor, como passei a ser classificada], e também a subcategoria Latina [que na verdade era um separatismo para se referir aos descendentes indigenas das américas, os realmente chamados Latinos]. De volta ao Brasil, meu fenótipo é obviamente indígena, mas minha avó indígena foi arrancada de seu grupo, desaldeada. E ai quê? Indigena em diáspora é indígena ainda? [Meu pai, indígena com seu terno feito para o dia de seu casamento é ainda indígena? Na discriminação que sofria me lembro que ele era sempre] Então me pergunto, qual é meu pertencimento?? Quando eu mudo de lugar, eu mudo de raça?? *Pai indígeno/preto, Mãe romani/indígena. E se tudo sou eu? Se todas as raças estão em mim — eu tenho direito à elas? Como artista, seria mais fácil simplesmente pertencer às artes pelo talento, assim como um artista homem branco poderia, sem ter que ser um gênero ou uma raça conveniente para uma classificação de inclusão dentro de -ainda- um racismo estrutural, mesmo que corrigindo a estrutura de racismo.
Uma grande parte do meu trabalho é sobre desumanização. Eu sou descendente de vários grupos que passaram por processos de desumanização. E quero poder comentar nesse processo do humano, como humano. Toda desumanização é uma desumanização como um todo- não apenas feita a uma raça, cor, grupo, mas a todos como humanos, ou como animais. É o mesmo processo, de escravidão ou genocídios de colonização ou perseguição, ou tráfico humano em tempos passados ou atuais, ou torturas [à pessoas ou animais]… Somos todos nós a sofrer e a infligir sofrimento. Tudo se relaciona a mim como ser que eu sou. É somente do ponto-do-Ser onde eu, nós, podemos comentar. De outra forma estamos sempre do outro lado do campo de alguém, ou de um algum grupo [maio, 2026]










