Fem!Ibara, first lady of Juicy Couture đź’…

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It is impossible to live without failing at something unless you live so cautiously that you might as well not have lived at all. In which case, you fail by default.
HAZELANCARSTER IS NOW LYDIAS-MARTINS
please tag me as hazelancarster Â
Maybe you don't need to hear it, but I need to know that I said it.

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Enamorada
O amor chega, não pede licença e simplesmente faz a gente respirar mais ofegante, sorrir involuntariamente e não prestar atenção em nada. Quando menina, fui tomada por uma avassaladora paixão platônica (sempre platônica, se brincar até hoje) e me via perdida em mim mesma, divagando em dimensões de descobertas inéditas que só pertenciam a mim e ninguém precisava saber.
Ia ao colĂ©gio e em alguns momentos era como se eu nĂŁo tivesse ido. Era como se de repente eu viajasse para encontrar comigo mesma em um lugar que nunca fui. Era tomada por aquela sensação Ăşnica olhar pela janela e fixar olhar num ponto distante e apenas curtir o silĂŞncio ou atĂ© fingir que estava prestando atenção na aula, mas o professor, ou a tia, simplesmente estavam inaudĂveis porque na minha mente apenas ecoava o som da mĂşsica mais romântica que para mim poderia existir: se enamora. Pra que mais?
Eu era quinta sĂ©rie e ali tinha tanta coisa bacana e muito esperada pra curtir como estudar no primeiro andar (os pequenos ficavam embaixo), usar caneta (antes tudo era a lápis), nĂŁo ter mais o caderno recolhido pela tia – sem contar que alguns professores deixavam de ser “tia” e passavam a ser professor Fulano. Mas eu pouco estava me importando para aquilo que um dia tinha dado tanta importância. Eu estava simplesmente apaixonada. Â
Alguns professores foram bem emblemáticos para esse momento. Tia Rosa, de geografia, chegava com um sorriso lindo toda feliz para dar a aula. Antes de tudo, ela pousava seu material no birô e ia para o quadro desenhar uns bonecos com calça boca de sino para explicar o seu assunto que eu só iria entender mesmo às vésperas da prova quando teria que estudar. Tia Telma, professora de português, que toda organizada, levava seu próprio giz (em um isoporzinho, enrolado num saco plástico) e apagador que, realmente, era muito melhor que o do colégio, explicava pronomes, substantivos e verbos – só queria saber do verbo amar (essa foi brega, mas o amor é brega). Professor Décio (não era mais tio), meu primeiro professor homem todo sério sisudo (acho que a matemática faz isso com as pessoas) com cara de mal e letra de garrancho – um dia me deu dez e eu nem entendi – seria uma “riscadeira” mesmo ou o amor que tinha me deixado cega?
Eles ficavam nlá falando o conteĂşdo e sabe onde eu estava? No meu mundo em que eu fantasiava como seria a mĂŁo dele? Ele pegaria na minha? OuvirĂamos juntos “se enamora”? Eu simplesmente respirava amor em mim e a ele já me dedicava com toda devoção. PlatĂ´nico, sim, tanto Ă© que levo atĂ© hoje e ainda suspiro quando lembro do sorriso daquele rapaz.Â
  Dedico essa crônica às minhas queridas tias Rosa e Telma e ao sisudo professor Décio.