Olá, meus 5 ou 6 fiéis amigos. Fico sempre muito feliz por ainda contar com vocês para ler minhas ideias, minhas palavras sinceras, porém pouco frequentadas. Quero falar sobre a cola, aquela movida pelo desespero e despreparo, pela “emoção” de fazer o errado, o proibido: nossa primeira corrupção. Se você atravessa fora da faixa, joga lixo no chão da rua, fura fila do banco ou cola na prova, sabe bem do que estou falando. Não acha nada demais nisso? Então você é um corrupto, meu amigo! Isso mesmo: ao cometer esses pequenos DELITOS, você está sendo CORRUPTO.
Muitos colam porque não estão preparados para a prova. Alguns desses alunos se sentem mais perdidos no dia da prova que cebola em salada de frutas. Outros rebentos, pressionados pelo clima de competição na escola ou pelas expectativas elevadas dos pais, acham que não têm escolha, fora que, visto que colar é uma prática tão comum, mesmo aquela prova fácil, mais babada que boi com aftosa, o mané acaba achando que não há nada demais nisso. O fato é que para os que não foram criados na sombra de conversas sobre o que é certo e o que é errado à mesa da sala ao jantar com os pais (isso quando tem mesa, isso quando tem pais que se importam mais com filhos do que com o próprio Whatsapp) e às vezes parece que quem cola leva vantagem. Nessa semana mesmo falei sobre isso com uma aluna e ela disse “nessa prova vi um colega colando na prova, professor”, e continuou: “O que dá raiva é que ele tirou uma nota melhor do que a minha e ficou por isso mesmo”. Como se vê, muitos acabam sendo influenciados porque um grande número de colegas opta pela cola, opta pela CORRUPÇÃO. Alguns acham que têm de colar para não ficar para trás. Mas trata-se de um conceito correto?
“Colar em uma prova é fazer uso de falsa astúcia para trapacear a si mesmo”. – Marilise Lech
O que se fala em ciência política é que toda vez que você faz uma coisa que você não pode revelar ou que você mantém em segredo, é um tipo de corrupção. E nada de falar em privacidade, pois ao colar, terá envolvido seus colegas, seus pais e, principalmente, seus professores nesta sujeira. É preciso sempre fazer um exercício de ética, tentando entender as diferenças daquilo que é público ou privado.
Vamos nos lembrar que você está na escola para aprender. Talvez você não veja nenhum benefício em acumular fatos que talvez nunca use, mas isso pode te sair mais caro que alimentar elefante com bombom, pois se você se esquivar do processo de aprendizagem recorrendo à cola, estará prejudicando sua habilidade em aprender coisas novas e de fazer uso prático das informações assimiladas. O conhecimento nunca vem automaticamente; é algo que exige esforço.
O fato é que o jeitinho brasileiro é um hábito sujo que muitos de nós, em pleno século XXI, ainda pratica. Esse repulsivo hábito privilegia geralmente os que não merecem crédito em detrimento dos que possuem real direito e que, nojento como o é, está longe de acabar, pois a sonhada facilidade de se conseguir as coisas de maneira fácil ainda é um atrativo para muitos de nós. A corrupção deve ser combatida a todo custo e a começar dentro de nossa vida, dentro de nossa casa. Se você quer dar passos largos em direção ao futuro, que não seja colando, ou seu coice pode ser mais curto que coice de porco. Não colar já seria um ótimo começo. Se continuar colando, jamais reclame da impunidade criada pelo legislativo, chancelada pelo executivo e ignorada pelo judiciário, pois você em breve será mais um dependente deles.
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